segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O tempo é seu



A vida é uma sucessão de épocas.

Em algumas, durante a jornada, parece que estamos sozinhos.

O que mais nos abate não é o cansaço e sim a indiferença.

O leão que matamos ontem, hoje parece um gatinho.



Encontramos no passado uma fonte de esperança

Olhar para trás resgata a memoria do que um dia foi superado

Verdade ele não volta atrás, mas também não some

Ele é um acumulo de conhecimentos a serem revisados



O tempo é um adversário implacável.

O relógio da vida cobra o dia de amanhã.

O futuro traz uma gama de ansiedades desnecessárias.

Resta-nos viver o presente e só assim entregar a Deus o amanhã



Como leões, as grandes batalhas nos consomem.

Da mesma forma, a percepção dos problemas.

O que ontem afugentava, não mais assusta

Coragem... Dê tempo ao tempo para superar seus dilemas.



Não permita que o futuro comprometa o seu presente.

Nem se amedronte pelo que pensam os outros.

Faça de sua vida um palco iluminado — sorria!

Jamais se entregue: o tempo é seu e não as pressões externas



A vida não passa de uma jornada filosófica e espiritual

Transcreva sua historia como um dialogo entre a fé, o amor e a superação

Assim como monstros de ontem perderam seu tamanho com o tempo

Viva o presente com bravura entregando o amanha Aquele que pode sustenta-lo



Manoel Claudio Vieira - 02/11/26 -01:12



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domingo, 1 de novembro de 2026

Ecos da alma



Ter uma boa consciência moral,

Sentir culpa ou remorso por ter feito algo errado:

Essa é a maioria de uma sociedade consciente,

Que sente o peso e o pesar das culpas do passado.



Ninguém escapa ileso de um ato destrutivo e proposital;

Ele carrega as faces de um incômodo eterno, gerado pela perversidade.

Algo mais que psicológico — às vezes divino — que segue vida afora.

Colocar-se acima corta o laço que nos une à humanidade.



Como eco da alma, a consciência pesa;

Ela é o sinal que indica a conexão humana ao sagrado.

É a faísca que reacende a chama  por vezes extinta,

E o lembrete de que as chamas do inferno jamais farão parte do passado.



A consciência não é um produto da cultura ou da socialização;

ela é o sinal do sagrado no homem na vida presente.

O tormento interno que carrega não representa uma fraqueza, mas sim

o sinal de que sua alma não morreu completamente.



Por maior as tentativas sociais de normalizar mentiras 

As trevas mais profundas mesmo assim podem ser resgatadas do profano

A faísca que reacende é a mesma que atua no amor empático

O remorso é o ponto de virada onde ele deixa de ser coisa e volta ser humano



Não busque um inferno de fogo eterno e enxofre;

o maior dos sofrimentos é o de não mais poder amar.

O mal traz consigo uma eternidade de tormento:

enquanto não houver arrependimento sincero, impossível descansar.




Manoel Claudio Vieira - 01/11/26 01:36h





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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Manual da maturidade.



Já nos despedimos algumas vezes

Trocamos abraços bem antes de ir embora

Alguns sentimentos não escolhemos

Quem um dia foi abrigo, jamais irá embora


Por mais que digamos adeus

O coração insiste em ficar

Ele espera um vislumbre, uma palavra amiga

Um sinal qualquer que nos faça voltar


Uns fingem seguir, outros, esquecer

Não foi o que fizemos que inquietam o bem-querer

O que um dia marcou e foi deixado para trás, não esquecemos

São como códigos, lembranças e promessas que teimam na mente em permanecer


Não pense tão somente em términos ou conclusões

Busque explorar a dualidade entre o racional e a sua resistência

De bom grado, aceite as intercorrências do destino; porém,

não negue nem reprima o que de mais belo marcou sua essência


Talvez meus versos funcionem como um manual de maturidade e aceitação

Neles, procurei sintetizar a tensão entre razão e sensibilidade com muito tino

Diante das reviravoltas da vida, uma proposta de equilíbrio

A força não está em endurecer o coração, mas em aceitar as ranhuras do destino



Manoel Claudio Vieira 29/10/26 05:05




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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A verdade interior



Mistério oculto e insondável,

Pela razão, a essência de Deus jamais será compreendida;

Pelo amor, ela pode ser revelada

Na jornada espiritual da alma humana nesta vida.



Enorme é a limitação encontrada pela razão.

A capacidade do amor nos revela o divino,

Escancara a beleza de uma vida serena

Que pelo caminho da alma é percorrida.



Pela lógica e pelas leis terrenas,

Torna-se visível o contraste entre capacidade e sentimentos.

A razão falha porque limita o que encontramos além dos olhos;

O amor é a chave, dando suporte ao livramento.



Não importa o tempo nem a época de sua história,

O homem em sua jornada sempre terá algo a desvendar.

Os que não conseguir solucionar, paciência;

Certamente encontrará a melhor maneira de os contornar.



A essência do conflito humano é atemporal;

Temos discernimento para tomar o caminho certo.

Em qualquer época, a sociedade impõe barreiras,

Não há o que lamentar se a colheita for um deserto.



Tenha consciência de suas escolhas.

Ao abdicar de um mundo material, purificou-se e alcançou o divino amor.

Mesmo quando o discernimento nos leva a caminhos áridos,

Não lamente: a escolha foi fiel à sua verdade interior.



Manoel Cláudio Vieira 28/10/26 - 03:18h



ps: Essa poesia escrevi pensando no amigo do meu avo que acabou canonizado em 1990 na Italia - Frei Claudio - nome real: Ricardo Granzotto.





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domingo, 25 de outubro de 2026

As marés de uma vida



Grande é a metamorfose do amor

Majestoso é o amadurecimento romântico

Da transição de uma paixão arrebatadora

Para um amor enraizado, maduro e constante



Como as águas de um oceano

O amor tem também um fluxo dinâmico e elementar

As ondas que vem e vão são como a paixão

Oscilam entre euforia e ansiá de viver sem se amar



Como onda que permeia as costas

Ela também quebra nos recifes e logo se desfaz

A intensidade avassaladora da paixão encontrou um fim

Chocou contra o amado destruindo o desejo outrora voraz



E assim o apetite é freado 

Aniquilado pelo tempo e aspereza da realidade

Sua energia foi gasta contra as rochas

Na praia aconteceu o verdadeiro choque da verdade



Do principio do prazer ao principio da realidade

A paixão é o impulso cego e a praia é a verdade

A trajetória das desilusões não se extingue, 

A lucidez é o maior dos bens - use-a a vontade. 



Não brinque com as coisas do amor.

Sempre encontraremos recifes em nossa vida;

tenha as praias como momentos de calma e meditação.

O despertar emocional marca uma nova etapa em nossa vida.



Manoel Cláudio Vieira 25/10/26 - 02:57h

sábado, 24 de outubro de 2026

Um farol nas tempestades.


Não importa a fase de sua vidas

Nossa infância foi difícil, mas iluminada 

Hoje,apesar da distancia, sinto você presente

O compromisso da permanência em nossas almas um dia fez morada



Pelo poder da amizade, firmamos laços afetivos.

E quando o compartilhamos, tornou-se a nossa luz.

Trouxe um alívio às memórias passadas e também às presentes.

O apoio mútuo sempre será a chama a propagar essa luz."



Essa amizade atravessa fronteiras,

ilumina momentos difíceis, abrindo caminhos em meio a tormentos.

O compromisso afetivo de outrora permanece vivo;

o passar dos anos e a distância jamais serão impedimentos.



Da cura de um passado longínquo ao presente

A amizade é o guia e o combustível que mantém essa chama

A capacidade do afeto ao ressignificar memorias e aliviar o fardo 

E isso que ilumina as noites frias transformadas em dramas



Não conheço remédio melhor

Não apaga o que se foi porém alivia o presente

As tempestades foram resultado de infortúnios,porém

Nossa amizade é a força viva curando feridas em nosso presente



A palavra surge como um alívio imediato.

Ela é o amparo que oferece o cuidado necessário nos momentos de aflição.

Mais leve, o presente está aí para ser vivido em suas nuances.

Livre, leve e solta, liberte-se — a vida é uma dádiva, não um momento de sofreguidão.



Manoel Cláudio Vieira 24/10/26 - 02:47



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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Limites da transparência

 


Ha tantos anos nos conhecemos

Cheguei pensar que ela me conhecia

Com certa tristeza percebi que apesar de todo esse tempo

Não foram bastantes para acreditar que ela me entendia



Sempre vi essa amizade como convívio ideal

Mas foi uma pena ver que tudo aconteceu ao contrario do que imaginei

Eu, que me sentia tão bem ao seu lado

Hoje trago uma duvida sobre cada segredos que confiei



Não faço ideia do porquê começou a agir assim.

Talvez, sem perceber, eu tenha feito ou dito algo que a magoou.

Se foi isso, peço desculpas e prometo correção, mas me pergunto o porquê:

A essência do meu caráter não permite fingir que tudo passou.



Infelizmente o tempo não da garantias de segurança

Os anos de convívio não tiveram idêntica praticidade

A confiança criou uma falsa expectativa de apoio

Hoje preciso de um tempo para reconsiderar aquela amizade



Se a convivência de tanto tempo não foi suficiente

O que posso pensar em relação ao futuro?

Empurrar para debaixo do tapete uma falsa harmonia?

A paz só é valida quando construída sobre base madura



Por mais que se criem novos meios para se viver em paz,

Por mais que se assumam novas tarefas provando sua amorosidade,

Sempre haverá alguém delegando algo diferente do amor,

De um bem-querer, de um suspiro, de uma sincera amizade.



Manoel Claudio Vieira 22/10/26 - 04:11h



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terça-feira, 20 de outubro de 2026

A conta do tempo



Sonhos de um tempo distante

A historia parecia um carrossel girando em torno de um ideal

Os anseios eram compartilhados eram verdadeiros porem se perderam

O sentimento que ficou deixou-nos desorientados



O que era certo e seguro evaporou.

O que foi verdadeiro agora parece irrecuperável.

Desprotegidos, ficaram à mercê do que semearam na história.

O vazio interior foi o que o tempo deixou de mais palpavel



Antes tido como seguro, o futuro bateu às portas.

Na busca por um refúgio, pergunta-se o que nos fez errar.

A história é farta em exemplos, mas jamais os seguimos.

Questiona-se, afinal, se ainda há alguém em quem confiar.



A perda da segurança transforma as pessoas

O chão sob os pés, antes firme, hoje desmorona.

Na ruína da confiança e na implosão das certezas,

a casa finalmente desaba e a verdade vem à tona.



Resta-nos seguir em frente, mas agora contando os passos.

A angústia das perdas pelos próprios erros jamais é admitida.

Reconhecer suas falhas seria validar sua própria asserção.

O futuro cobra a conta do passado, mas a reflexão é tardia.



Orgulho, negação, inevitabilidade do tempo.

Por trás dessa dinâmica, há um desespero silencioso.

Não existe almoço grátis: reconstrução consciente

E aceitação restauram a um custo bem dispendioso



Manoel Claudio Vieira - 20/10/26 - 03:29h




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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Noites de luar


Pense em alguém que ocupe seus pensamentos.

Pondere sobre o quanto sua existência é preenchida.

Permita-se descobrir que ela o conduz a um reencontro consigo mesmo.

Ela é sua criança, cuja existência não foi vivida


Traga-a à luz, abrace o seu coração;

renove nela a capacidade de voltar a sentir a própria vida.

Sua existência não foi um ato isolado a ser esquecido,

mas um estado de espírito que acompanha sua lida."


Ela é seu bem maior, jamais um objeto.

Sua presença desencadeia, em seu interior, uma transformação.

Nela você rompe os limites da realidade cotidiana.

O pensamento que começa nela tem efeito em seu próprio coração.


Tudo acontece como um voo que ultrapassa a realidade:

viagem serena, movimento interior que conduz à paz.

Experimente a liberdade além do espaço físico,

uma experiência em equilíbrio que nos eleva


Quem voa deixa o chão.

Na intensidade do amor, alcança os sentimentos.

A imaginação rompe as fronteiras da memória e

generosamente compartilha seus breves momentos.


Quando a vida ganha cor, o mundo se transforma.

Os acontecimentos permanecem, mas não a sua maneira de os experimentar.

Explore essa transformação antes de explicá-la.

Só o amor permite recuperar acontecimentos esquecidos nas noites de luar.



Manoel Cláudio Vieira 19/10/26 04:19h




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sábado, 17 de outubro de 2026

Inegociável

  


Bem sei o quanto dói uma questão mal resolvida.

Não posso abrir mão daquilo por que por anos lutei.

Não deixarei meu coração tomar as rédeas da minha vida.

Hoje posso sofrer, mas amanhã estarei livre do que um dia consenti e quase me entreguei.

 


A luta por um destino traz sempre um propósito,

Na missão de vida, prioriza a jornada.

Seguir um caminho alheio causa dor e despropósito,

Deturpando a vida no engodo de uma cilada.

 


Profunda reflexão: propósito, escolha e custo.

O verdadeiro caminho é aquele que blinda a sua mente.

Um desvio de rota pode trazer benefícios,

Mas certamente não é aquele planejado à sua frente.

 


Dizem que financeiramente compensa abrir mão da vida.

Mas vale abandonar sua própria aspiração?

Estratégia mental esta na disciplina ao resistir aos atalhos confortáveis

Afinal, você possui valor - ter preço é papel de vendilhão.

 


O verdadeiro sucesso não busca soluções fáceis,

Ganhos superficiais nutrem a lógica materialista.

Quem mata sua verdadeira aspiração e a vocação natural

Troca a vida pelo caos, pela ironia e por falácias dadaístas

 


Acredite no que é real em suas mãos,

Não busque em narrativas os bens que a sociedade procura.

O inferno está cheio de coisas belas e encantadoras;

Seguir isso transforma sua vida num absurdo mundo de agruras.

 


Manoel Claudio Vieira - 17/10/26 - 03:01h




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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A mão revela a alma



Admirar a vida com outros olhos

Encontrar significados não abrangidos anteriormente

Sob novo prisma, saborear novas nuances das mesmas coisas

Alinhar a si mesmo uma realidade não vista conscientemente


Quando se escreve sob o que se sente

Durante a escrita damos forma a intuição

O tanto que abrangemos num novo texto ganha vida, 

Nele avançamos muito além da mera compreensão


As palavras estabelecem ligações entre o que sentimos.

Imbuídas de sentimentos, determinam significados.

Lado a lado, dão forma às experiências vividas;

isoladamente, jamais teriam o mesmo legado.


Ir além daquilo que se costuma mostrar.

Partir de questões delicadas: o amor, a liberdade e o envelhecimento.

Alcançar o que se esconde atrás de complexas atitudes,

e enveredar por caminhos outrora encarados como pontos de estrangulamento.


Começar por coisas simples, sentimentos que todos conhecem.

Terminar abordando a complexidade desses impulsos.

Delimitar as marcas de tantas experiências nesta vida.

A responsabilidade das escolhas implícitas em seu conteúdo


Num mundo de mentes anestesiadas,

Desvendar o que há além das aparências é considerado algo cruel.

Embora seja matéria-prima descobrir o íntimo de cada um,

Permito-me descobrir nesta vida o meu papel.



Manoel Claudio Vieira – 16/10/26 -01:58



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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

As faces do amor


São tantas as visões que se tem do amor

Muitos dizem que ele principia lentamente e nos faz espairecer

Marca os presentes por um encanto misterioso

Que é a chama que ilumina e dando razão ao nosso ser 


Eis o porquê da pluralidade desse sentimento:

De uma paixão avassaladora à arte da conquista,

Varia conforme a expectativa das pessoas

E sempre dá mostras do quanto pode florescer.


Abrir-se, por vezes, assusta;

O receio da vulnerabilidade nos faz sofrer.

Quando o passado foi marcado por excessos,

Sentimentos torpes desvirtuam o amor antes mesmo de acontecer.


O medo de se machucar é uma voraz barreira,

E é ele que nos impede de conviver plenamente.

Cabe ao amado destreza especial nas palavras;

Longânime, o amor exige um cultivo paciente.


Nem toda intimidade é o refúgio das noites

A maturidade de um amor de verdade exige empatia

Deixe-o fluir como a aurora ao amanhecer

A natureza é sábia em exemplos no dia a dia


Estabeleça uma ponte entre seus sentimentos:

O amor não tem forma única, mas tem conteúdo

De um lado, o impulso incontrolável; do outro, intenção consciente

Moldado em bagagem, experiência e bem querer ao nascituro



Manoel Claudio Vieira – 15/10/26   - 05:01




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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Forjados pelo tempo


Um dia, disseram para eu me calar;

sem questionar, consenti.

O tempo passou e, sem perceber, disse o que pensava.

E daí disseram: “Por que só agora fui ouvir?”


Viver é um aprendizado.

Diariamente compomos uma história que ficará no passado.

Nem sempre o resultado será o melhor;

a colheita depende do que foi semeado.


As palavras são como sementes

e o solo onde as lançamos é o mundo.

Se semeadas com amor, frutificam;

Do contrario, palavras ao vento em solo impuro


Toda construção é forjada a partir de uma base.

Não só a soma do trabalho é o resultado final:

muito depende da forma como laboramos nosso dia.

O universo não conspira quando o cerne tem valor e não preço final.


São tantas as vezes em que é preciso recomeçar...

Experiências passadas dão sinais de onde prosseguir.

Plantamos sementes de ideias em mentes vazias,

que negam fatos reais e só entendem o que querem ouvir.


No passado, me consternava quando o resultado não era o esperado;

procurava em mim sanar possíveis defeitos.

Com o tempo, percebi: por trás das palavras, havia mágoa.

Demorei a entender que me tornara alvo de seus próprios conceitos.


Impressiona como julgam fatos alheios à vida em comum.

Uma opinião muda toda uma história sem que se conheça o real conteúdo.

A capa de um livro não altera o que ele carrega por dentro.

A beleza forjada é apenas fachada para quem é imaturo.



Quem dera a vida fosse a primeira cena de uma história...

O palco de nossa existência não permite grandes alterações.

Num ambiente hostil, recomeçar não é confortável,

mas é a saída mais viável em um mundo com poucas opções.


Não existem fórmulas secretas para o sucesso.

A perfeição advém de experiências forjadas ao longo do tempo.

Quem quer vencer precisa arcar com os custos.

Viva em paz consigo mesmo: de forma plena, e não por momentos.



Manoel Claudio Vieira - 14/10/26 - 06:00h




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terça-feira, 13 de outubro de 2026

O preço de pertencer




 Nada mais do que viver

Ter a liberdade de ser quem voce é

compreender as diferenças que ameaçariam sua vida

Não ter medo do controle de parecer ser o que não é



Muito se fala sobre liberdade

pouco porem se reflete sobre prisão

Quando viver for uma performance para os outros

A existência passa ser sufocada por externas imposições



Reconhecer o que nos cabe respeitar e defender

Ter ciência de que é direito reivindicar ser o que sou

Ter posse da régua que controla os limites da própria existência, porém...

Carregar a loucura de negar o direito ao próximo de pensar quem ele é



A liberdade não se limita a fazer escolhas

Ela abarca um conceito bem maior: sua identidade e as consequentes ações.

Não nos basta agir, relacionar-nos e participar da sociedade,

escondendo o que pensamos por temer que nossas ideias ameacem as alheias convicções.



A liberdade de ser e o medo de pensar

Esconder nossos anseios como moeda para sermos aceitos

Esse é o preço que se paga para uma relativa paz

A complexidade da liberdade exterior pela interior sufocando nossos direitos



Ter liberdade para agir não significa, necessariamente, ter liberdade para ser.

Sua liberdade independe do que pensam sobre quem você é e seu jeito de viver.

O conceito mais profundo não consiste em contrariar ninguém, mas em

não abandonar a própria consciência para conquistar o direito de pertencer.



Manoel Claudio Vieira - 13/10/26 - 05:28





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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A lição do cinzel



Olho no espelho e não me espanto;

Não são os sinais do tempo que me perturbam.

O que se foi pertence ao passado;

O hoje, sim, é aquele que me faz questionar.



A finitude do tempo é inquestionável.

O imediatismo presente faz da vida algo sem valor.

As perspectivas não se perturbam com o envelhecimento;

Afinal, somos contados como números: pouco importa o seu amor.



O passado deixa de ser visto como um tempo de aprendizado

E é tratado como algo encerrado, que já cumpriu seu papel.

Esqueceram que ele consumiu parte de sua vida

As cicatrizes ficaram, representadas como fragmentos esculpidos pela ação do cinzel.



Assim como tudo na história tem seu curso,

A arte da construção tem um custo e um quê de verdade.

As lascas retiradas à força deram vida à escultura;

As cicatrizes em cada marca são o sinal vivo da própria identidade.



Amadurecer e construir-se como verdadeiro tem seu preço.

A identidade exige o custo da experiência pessoal.

Muito se aprende com os tolos, mas é quase sempre algo passageiro;

O refino das lições que advém dos sábios na vida é o principal.



Não coloque o aprendizado com tolos e sábios no mesmo patamar;

Estabeleça em sua vida uma hierarquia de valores.

Enquanto um é raso, passageiro, mutável e sem conteúdo,

O outro vem da sabedoria acumulada pelos séculos, sem perder seu valor.



Manoel Claudio Vieira - 05/10/26 - 01:38h



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sábado, 3 de outubro de 2026

Amar sem possuir

 

São enormes as diferenças

Bater metas sem tocar internamente o que foi sentido

Atingir o que o douto pede, mas não o que se precisa

O vazio aumenta, pois o desejo pessoal não foi preenchido


Entre o desejo e a necessidade

Um abismo de incógnitas no ar irrompeu

Feita a escolha das massas...

Aparentemente venceu...internamente perdeu


Certas perdas podem ser compensadas,

Festas, bebidas e dinheiro são parte de um mundo material.

Caso não encontre dentro de si o que o complete,

O repouso não virá, seja qual for sua posição social.


Quando as perdas forem insubstituíveis,

Nada que se faça corrigirá o dano gerado.

Não se trata de encontrar um substituto, e sim

Enfrentar o dilema de viver sem o que um dia foi amado.


Ame a paz... saboreie cada um de seus momentos.

Ela é uma mina de virtudes que em sua vida marca presença.

A paz interior é o maior de seus bens.

Não espere perder aquilo que ama para daí sentir sua ausência.


Não é preciso perder algo, ou pior, alguém.

Estabeleça limites entre possuir alguma coisa e compreender seu valor.

A vida flui melhor quando reconhecemos nela duas vias.

Olhos nos olhos, corações em uníssono, diga baixinho: “É teu o meu amor.”



Manoel Claudio Vieira - 03/10/26 - 03:06h



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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O romper da manhã

 



Por instantes, o tempo parou.

O que pareciam ser horas não passou de minutos.

Quando a luz da manhã voltar a brilhar,

os sonhos irão embora, levando para longe o que foi sem ter ido.



Parodiando a vida, essa é a nossa história:

momentos sublimes são difíceis de esquecer.

Peripécias do tempo retiveram na alma sua devida proporção,

deram cor e sabor a cada novo amanhecer.



Mente mergulhada na introspecção:

a travessia pelas sombras faz o tempo parecer suspenso.

A percepção das horas é distorcida pelos medos;

o romper da manhã apaga momentos densos.



A sabedoria é a personificação da maturidade:

ela aconselha paciência ao escolhermos novos caminhos.

As tempestades passam, enigmas se desvendam;

dão novo significado à velha história, povoando nosso ninho.



Busca interior... reflexão profunda:

pontos de partida para uma nova jornada.

A procura faz a noite parecer interminável:

ilusão do tempo, o recolhimento voltando à terra dourada.



Não é o fim da turbulência, mas um novo período.

Amanhecer é o momento da mais pura ressignificação.

O aprendizado nos leva a uma paz duradoura

e ao retorno do equilíbrio mental, unindo a mente ao coração.



Manoel Claudio Vieira 30/09/26 - 02:00h





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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O peso das palavras



Ouvi a mesma história algumas vezes.

Não lembro quantas, mas ela ainda me comove.

A vida pode ser muito difícil, mas devemos encarar.

Ao esquecermos, um pouco de nós sempre se resolve.


Sei o quanto fizeram sofrer.

Loucura? Não sei, mas não foram as surras as de maior pesar.

As palavras que entravam na mente eram as mais difíceis;

foram elas que fizeram da vida desacreditar.


Anos marcados pelo desgaste 

Um processo de anulação, perda da celeridade

exaustão severa, repetição continua

Dessensibilização brutal da individualidade


Pelo tempo, um pouco de cada um sempre se dilui.

Limpar resquícios de torturas sempre foi a mais degradante.

Os anos passaram, por entre pedras a felicidade cresceu, mas...

continuamos mancomunados com o destino errante...


Quer ver essa ferida cicatrizada?

Reduza a distância de tudo que o faz sofrer.

A carga para reprocessar a dor pode ser brutal,

mas, por favor, pare de pensar e volte a viver.


E o que era dor, hoje é paz.

O destino errante encontrou sua vez.

Na verdade, nem tudo foi resolvido,

mas o silêncio, enfim, me fez livre outra vez.



Manoel Claudio Vieira - 28/09/26 - 03:47h




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domingo, 27 de setembro de 2026

A vida transformada em espetáculo



Não importa a gravidade da situação,

o importante é se mostrar bem.

Uma mesa plena de manjares e bebidas quentes,

e a resposta a tudo que lhes convém.



Bem mais que uma imposição social,

fingir plenitude mesmo com dor transpassa os limites da razão.

Amizades verdadeiras não exigem máscaras,

mas, nesse universo de excessos, mascara-se até o vazio em seu coração.



Figurantes ostentando um sorriso frenético.

O ambiente aflora relações rasas, genuínas inverdades,

enquanto a noite se agita, a realidade se torna cega pelas luzes.

Atordoados, eles se afogam noite adentro, perpetrando falsidades.



As noites deixaram de ser um momento de paz e meditação.

Há tempos, tornaram-se um oceano denso, impregnado por falsas celebridades.

Personagens dúbias, com sorriso insano, disfarçam dores,

chafurdando na moral, distorcendo o amor, perpetrando imoralidades.



Em verdade, jamais foram inteiros.

As raras luzes que detinham, usaram-nas para cegar.

Pela ilusão, o brilho anestésico comprou a noite.

Caríssimas marionetes prostituíram o viver pelo interpretar.



A performance e o grotesco... Beleza roubada,

mercantilizaram a vida real pela encenação.

A pior das penas é aquela em que o delito não se extingue:

o réu será eternamente cobrado pela auto-deserção.



Manoel Claudio Vieira -27/09/26 - 02:09h



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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Camille

 


Com esmero, entregou-se à arte.

Na escola, do mestre foi ajudante.

Com espátulas esculpiu seu amor;

De principal colaboradora, tornou-se amante.


Como um oleiro, deixou digitais nas obras do amado.

Vista apenas como aluna, não teve sua força reconhecida.

Solitária, não perdeu seu encanto; independente, a flor desabrochou.

Com estilo pessoal, fez de sua arte sua lida.


Em Sakountala, na pedra entalhou a vulnerabilidade;

Em La Valse, a dinâmica e o gozo sensual;

Em Les Causeuses, a força ao captar o cotidiano;

Em L'Âge Mûr, o abandono em sua dor mais crucial.


Por tudo o que viveu, sobreviveu;

A rejeição a fez ainda mais perfeccionista.

Sem um ombro e em meio à dor, isolou-se do mundo;

Em surtos, destruía suas obras de gesso e argila.


Chamada de louca, pela família foi internada;

Num asilo isolado passou o resto dos dias.

Sem o barro nas mãos, impedida de criar,

Viu sua alma apagar-se até a despedida.


Essa é a história real da vida de uma grande mulher:

Da paixão inicial ao rompimento, uma longa história.

Desafiou o mundo, assumindo o preço por sua liberdade;

Morreu para a vida, porém seu legado está presente em nossa memória.



Manoel Claudio Vieira - 23/09/26 - 05:07h



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