Não importa a gravidade da situação,
o importante é se mostrar bem.
Uma mesa plena de manjares e bebidas quentes,
e a resposta a tudo que lhes convém.
Bem mais que uma imposição social,
fingir plenitude mesmo com dor transpassa os limites da razão.
Amizades verdadeiras não exigem máscaras,
mas, nesse universo de excessos, mascara-se até o vazio em seu coração.
Figurantes ostentando um sorriso frenético.
O ambiente aflora relações rasas, genuínas inverdades,
enquanto a noite se agita, a realidade se torna cega pelas luzes.
Atordoados, eles se afogam noite adentro, perpetrando falsidades.
As noites deixaram de ser um momento de paz e meditação.
Há tempos, tornaram-se um oceano denso, impregnado por falsas celebridades.
Personagens dúbias, com sorriso insano, disfarçam dores,
chafurdando na moral, distorcendo o amor, perpetrando imoralidades.
Em verdade, jamais foram inteiros.
As raras luzes que detinham, usaram-nas para cegar.
Pela ilusão, o brilho anestésico comprou a noite.
Caríssimas marionetes prostituíram o viver pelo interpretar.
A performance e o grotesco... Beleza roubada,
mercantilizaram a vida real pela encenação.
A pior das penas é aquela em que o delito não se extingue:
o réu será eternamente cobrado pela auto-deserção.
Manoel Claudio Vieira -27/09/26 - 02:09h
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