Escalar grandes montanhas, navegar por mares desconhecidos.
As ondas nos cobriram e, mesmo próximo às margens, perdemos o pé.
Ao descer aos vales profundos e sentir algo além de sede,
carregamos na pele algumas dúvidas, mas sem jamais perder a fé.
Deparamos-nos com novidades e culturas diferentes.
Criamos muralhas para proteção, porém, aos poucos, tudo é cancelado.
De tudo o que se viu, nada é melhor que o poder do toque humano:
ele cura as feridas pelas quais um dia fomos provados.
Do meio do nada ao isolamento existencial,
a falta de propósito impede a vida de acontecer.
O medo de perder tira a vontade de ganhar;
vive-se apenas o suficiente para sobreviver.
Estranho observar a direção que o mundo toma:
o ganho de consciência nos afasta do poder.
Sorrateiramente, a consciência coletiva se aproxima cobrando;
ela tudo promete, mas é a sua alma que ela vai oferecer.
Continuamente cruzamos grandes distâncias e espaços abertos.
É fato que essa repetição reforça a obsessão de seguir adiante.
Curioso não indagarmos o porquê de ir tão longe para preencher esse vazio,
quando o foco da jornada está além de nosso alcance.
Vamos lá... acalme-se e admita sua própria incompletude.
Mesmo que falássemos a língua dos anjos, ainda assim nossa existência seria incompleta.
Se o sagrado e o profano organizam o mundo a partir de crenças,
dois sólidos não ocupam o mesmo espaço, porém coexistem.
Manoel Cláudio Vieira - 02/07/26 - 00:32h
.