quinta-feira, 2 de julho de 2026

O sagrado e o profano



Escalar grandes montanhas, navegar por mares desconhecidos.

As ondas nos cobriram e, mesmo próximo às margens, perdemos o pé.

Ao descer aos vales profundos e sentir algo além de sede,

carregamos na pele algumas dúvidas, mas sem jamais perder a fé.



Deparamos-nos com novidades e culturas diferentes.

Criamos muralhas para proteção, porém, aos poucos, tudo é cancelado.

De tudo o que se viu, nada é melhor que o poder do toque humano:

ele cura as feridas pelas quais um dia fomos provados.



Do meio do nada ao isolamento existencial,

a falta de propósito impede a vida de acontecer.

O medo de perder tira a vontade de ganhar;

vive-se apenas o suficiente para sobreviver.



Estranho observar a direção que o mundo toma:

o ganho de consciência nos afasta do poder.

Sorrateiramente, a consciência coletiva se aproxima cobrando;

ela tudo promete, mas é a sua alma que ela vai oferecer.



Continuamente cruzamos grandes distâncias e espaços abertos.

É fato que essa repetição reforça a obsessão de seguir adiante.

Curioso não indagarmos o porquê de ir tão longe para preencher esse vazio,

quando o foco da jornada está além de nosso alcance.



Vamos lá... acalme-se e admita sua própria incompletude.

Mesmo que falássemos a língua dos anjos, ainda assim nossa existência seria incompleta.

Se o sagrado e o profano organizam o mundo a partir de crenças,

dois sólidos não ocupam o mesmo espaço, porém coexistem.



Manoel Cláudio Vieira - 02/07/26 - 00:32h




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