quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Camille

 


Com esmero, entregou-se à arte.

Na escola, do mestre foi ajudante.

Com espátulas esculpiu seu amor;

De principal colaboradora, tornou-se amante.


Como um oleiro, deixou digitais nas obras do amado.

Vista apenas como aluna, não teve sua força reconhecida.

Solitária, não perdeu seu encanto; independente, a flor desabrochou.

Com estilo pessoal, fez de sua arte sua lida.


Em Sakountala, na pedra entalhou a vulnerabilidade;

Em La Valse, a dinâmica e o gozo sensual;

Em Les Causeuses, a força ao captar o cotidiano;

Em L'Âge Mûr, o abandono em sua dor mais crucial.


Por tudo o que viveu, sobreviveu;

A rejeição a fez ainda mais perfeccionista.

Sem um ombro e em meio à dor, isolou-se do mundo;

Em surtos, destruía suas obras de gesso e argila.


Chamada de louca, pela família foi internada;

Num asilo isolado passou o resto dos dias.

Sem o barro nas mãos, impedida de criar,

Viu sua alma apagar-se até a despedida.


Essa é a história real da vida de uma grande mulher:

Da paixão inicial ao rompimento, uma longa história.

Desafiou o mundo, assumindo o preço por sua liberdade;

Morreu para a vida, porém seu legado está presente em nossa memória.



Manoel Claudio Vieira - 23/09/26 - 05:07h



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