Com esmero, entregou-se à arte.
Na escola, do mestre foi ajudante.
Com espátulas esculpiu seu amor;
De principal colaboradora, tornou-se amante.
Como um oleiro, deixou digitais nas obras do amado.
Vista apenas como aluna, não teve sua força reconhecida.
Solitária, não perdeu seu encanto; independente, a flor desabrochou.
Com estilo pessoal, fez de sua arte sua lida.
Em Sakountala, na pedra entalhou a vulnerabilidade;
Em La Valse, a dinâmica e o gozo sensual;
Em Les Causeuses, a força ao captar o cotidiano;
Em L'Âge Mûr, o abandono em sua dor mais crucial.
Por tudo o que viveu, sobreviveu;
A rejeição a fez ainda mais perfeccionista.
Sem um ombro e em meio à dor, isolou-se do mundo;
Em surtos, destruía suas obras de gesso e argila.
Chamada de louca, pela família foi internada;
Num asilo isolado passou o resto dos dias.
Sem o barro nas mãos, impedida de criar,
Viu sua alma apagar-se até a despedida.
Essa é a história real da vida de uma grande mulher:
Da paixão inicial ao rompimento, uma longa história.
Desafiou o mundo, assumindo o preço por sua liberdade;
Morreu para a vida, porém seu legado está presente em nossa memória.
Manoel Claudio Vieira - 23/09/26 - 05:07h
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