Sou de um tempo em que a vida era melhor vivenciada
Nele os olhos percorriam com orgulho nossas ações
o tédio nao era um peso, mas um estado criativo
e analisávamos, sob vários ângulos, todas as respostas de uma questão
Sem muita pressa, o tempo transcorria naturalmente.
Havia um espaço maior para a contemplação;
assim como a análise de uma obra de arte demanda tempo,
os segredos da mente eram lapidados pelas ferramentas do coração
Os valores humanos eram medidos de outras formas:
viver muito era quase sinônimo de viver bem.
Pouco se falava em precificar o homem, pois nele víamos valor;
promessas de um mundo melhor eram as garantias para o além
A vida transcorria como um processo quase artesanal,
jamais comparada a uma rotina de acúmulo de dados.
A formação de caráter era moldada pelas circunstâncias;
viver era um processo profundo, onde, continuamente, éramos remodelados
Não sou um crítico voraz dos dias atuais, porém,
faço um adendo ao atual e destrutivo processo de mercantilização:
deixamos de ter um valor intrínseco para ter o de mercado;
fato este que destrói, vigorosamente, as nossas relações
Busque em si resgatar o tempo em que o tédio era criativo;
em teu ser, entalhe veias por onde possa correr a sua inspiração.
Assim como um dia fomos lapidados pelas experiências humanas,
viver é uma arte, e você é o artífice maior de sua mente e coração.
Manoel Claudio Vieira - 10/06/26 - 00:08h
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