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Até quando as aparências entregam a verdade?
Até quando se deve confiar em quem um dia te cativou?
Difícil acreditar, mas, quando a farsa termina e os olhos se abrem,
o que a gente sentia deixa de ser real para se tornar apenas mais um momento de dor.
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Aparências foram como o verniz cobrindo uma tela,
a camada mais superficial encobrindo a pintura.
Quando se desgasta, percebe-se o quanto escondia.
A verdade é uma força latente que, cedo ou tarde, se revela nua.
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E a mentira como subterfúgio da própria negação,
momento de verdade, porém doloroso.
A dificuldade em acreditar não é por falta de evidências,
é porque a verdade dói bem mais que a mentira.
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Como um processo de maturação forçada, vem a perda da ingenuidade.
A pior decepção não é descobrir como, na verdade, o outro agia por trás de cada ação,
mas olhar para trás e sentir que a nossa entrega foi um desperdício,
e seguir em frente agora com a visão mais aguçada que o coração.
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Ser enganado gera uma ferida que deixará marcas,
é devastadora, pois ataca em dois flancos: inteligência e discernimento.
Acabamos nos punindo por não termos visto os sinais, por mais óbvios que fossem.
Lamentável: fazíamos vista grossa ao mais leve pensamento.
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E assim a vida acontece — o que um dia se foi, certamente, no outro voltará.
Desta vez mais forte, temperada pela experiência e menos regada pela intuição.
Ter sido humano foi o menos difícil; porém, trair a confiança serviu de lição.
Siga em frente: o que um dia acreditei hoje é passado. Vai na paz, meu irmão.
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Manoel Cláudio Vieira – 21/04/26 – 02:55
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