quarta-feira, 3 de junho de 2026

O romance não morreu




Pouco se fala sobre o que encontramos num romance.

Frente ao imediatismo, muitos pensam ser algo do passado.

Histórias onde as pessoas se conheciam aos poucos se tornaram raras.

O ato de cortejar e surpreender com a troca de energias hoje são vistos como ultrapassado



Não tem um jeito certo de se começar, nem uma regra definida.

Do contato inicial ao começo de um namoro, somam-se algumas coisas.

Dedicação, tempo e energia ao outro são fundamentais.

Conhecer o que se passa dentro do outro dirá o amanhã no dia a dia



No contexto literário, ele é visto como uma longa história.

Em uma narrativa escrita a dois, sempre há muito o que se contar.

Sem máscaras, motivações e conflitos são colocados às claras.

Da atração inicial às atitudes consistentes, há bem mais a se trocar



O tempo é incapaz de sufocar as coisas em seu coração.

Não existe intimidade sem investimento real de si mesmo.

A longevidade de um relacionamento vai muito além de palavras;

ela permeia ações entre o seu mundo e o do seu parceiro



Olhos nos olhos...sinta o calor em seu olhar

Palavras de amor dão um especial tempero a sua relação

Nem sempre encontramos nas palavras um significado tão grande

Quando nelas ha o encontro entre olhos, labios e coração



Embora tenha mudado, o romance não morreu.

O tempero das receitas antigas não tem prazo de validade.

Tempo, escuta e presença quase sempre determinam o futuro.

Como um livro, a vida é escrita em capítulos, e seus intérpretes, em equidade




Manoel Claudio Vieira - 03/06/26 - 02:39h




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domingo, 31 de maio de 2026

A queda das máscaras.



Sei o quanto a vida cobra de um homem as suas realizações.

Sei também o quão importante é construir ao longo dela um amor.

Pela falta de balizas, nos perdemos em atos e pensamentos;

tantas foram as vezes em que começamos, porém o prometido no tempo ficou



Nada como desabafar sobre o leite um dia derramado.

Difícil deglutir o tempo de escolhas e frustrações.

Nesse contexto, o conteúdo das realizações soa como um fardo, pois...

Está intimamente atrelado ao que se construiu através das próprias ações



Engolidos pela rotina, deixamos muita coisa no automático.

Com o tempo, elas se transformaram em ígneos fantasmas atormentando o presente.

Entre o que viam como natural e o que pessoalmente se precisava,

um precipício de planos, projetos e realizações ausentes ou, mesmo, inacabados



A distância entre esses dois mundos é cruel, um vazio perigoso.

Algo homólogo à sensação de olhar para trás e deparar-se com as dificuldades de viver.

Caminhar entre eles é o mesmo que galgar uma trilha entre abismos

e ver que a vida foi vivida pela metade, satisfazendo a outros e não ao próprio ser.



Eis o colapso entre o que mostramos e quem realmente somos

O conflito entre essas máscaras põe em xeque o próprio ser

Enquanto um mostra um lado que o faz socialmente aceito

o outro padece faminto de afeto, carinho e bem-viver.



Trate muito bem a criança dentro de você.

Ela acordou do abismo e não aceita mais metades.

Incuta nela que a dor que passou foi o combustível da mudança

Resta viver — a vida já cobrou o tempo das falsas realidades.

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Manoel Cláudio Vieira - 31/05/26 - 23:39H



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O Despertar dos Sonhos



Tudo acontece como se estivéssemos iniciando uma viagem.

Em seu prelúdio, o que se tem e o esperado são conhecidos. 

Com o tempo,as paisagens mudam, mas nada é incomum;

De forma natural, pequenas mudanças passam a dar formas diferentes ao destino


As dimensões alteram o foco mudando paisagens

Coisas antigas aos poucos ganham novas formas

O céus já não são os mesmos porém as estrelas permanecem

O norte permanece o norte, a bussola não engana o timoneiro


Tudo não passa de mais uma jornada em nossa vida.

Amadurecimento e busca de propósitos são uma constante,

assim como a juventude traz consigo grandes projetos, ideias inovadoras;

tudo dentro de um roteiro onde o esperado é seguir adiante


Mas daí vem o mundo: o cenário externo muda completamente.

Novos ventos, tempestades, perdas... alguma mudança.

A nova realidade altera muita coisa, mas o essencial continua:

são as estrelas que permanecem intocadas em terna aliança.


Como motores da alma, lá vem os sonhos repovoar a vida

Como ápices do voo livre, despertam o lúdico da realidade

O infinito passa a ser algo mais palpável, menos silencioso

Sem tirar os olhos das estrelas, sobrevivemos às tempestades


Sei que muitos dirão que os sonhos não passam de puro escapismo, porem

Busque neles o combustível e veja como sua mente se sobressai.

Se os ventos que conduzem sua nau pelo mar da vida não podem ser mudados,

ajuste as velas, foque o olhar nas estrelas e siga sem esquecer para onde vai.



Manoel Claudio Vieira 31/05/26 - 05:08h




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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Os invernos ficaram para trás



Dizem que os homens têm memória seletiva.

Ao olharem para trás, apagam os medos e santificam o amor.

Com o tempo, vem a perda da inocência.

O peso da vida adulta agora é lembrado pela dor.



Nem tudo que é lembrado foi tão bonito

Muita coisa propositadamente foi deixada de lado

O que restou foi uma vida quase perfeita

Ficaria pesado lembrar que o que se foi nada teve de um sonho dourado



Um tempo visto como se a vida fosse pura, sem maldade

Sombras e decepções entravam em choque com a pureza

Tudo era parte de aprendizados aparentemente cruéis, mas no tempo certo

Nele aprendíamos cedo o que estava por trás dessa pseudo beleza



A vida passa, mas jamais deixamos de ser os mesmos

Expostos às sombras do mundo, aprendemos e vida afora, tudo mais aconteceu

Entre o sonho da beleza infantil e a realidade do conflito adulto

Criou-se um hiato  espaço/tempo e por ele o tempo  fendeu.



Outrora, andávamos despidos de moral, com os pés no chão

Autoridade e cuidado vinham da vigilância de nossos pais

O adulto que hoje sente falta desse cuidado, esqueceu

O tempo é um recurso escasso e linear que não volta mais



Não pense no que se foi, abandone essa angustia

Aceite o presente como luto dos invernos deixados para trás

A criança viveu um eterno presente foi incapaz de sentir

O adulto contornando problemas, vivendo em paz



Manoel Cláudio Vieira – 28/05/26 – 00:28h




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quarta-feira, 27 de maio de 2026

O silencio por testemunho



Não é um abraço que repara o silêncio

Palavras simples falam muito mais ao coração

São tantas as vezes em que queremos voltar atrás

Porém, fomos ensinados a não demonstrar nossas emoções



Um dia nos disseram que chorar era coisa de maricas

Só não nos disseram que engolir calado teria consequências maiores

Se um dia admitimos que as lágrimas eram sinais de fraqueza,

Natural seria encarar o silêncio como a maior das penitências.



Nem sempre conseguimos expressar o que sentimos

Resta, como último suspiro, salvar o que sobrou

Quando fragilizados, faltam palavras que deem sentido ao que sentimos

O amor sem comunicação é resultado das cinzas que o fogo deixou



“Desculpe”, “me perdoe”, “eu te amo”

Palavras difíceis de se pronunciar

Orgulho, medo e vulnerabilidade são bloqueios mundanos

Que, por vezes, fazem a vida e tudo nela desandar



Devagar, pausadamente, busque em si as raízes dessa repressão

Silêncio e orgulho jamais serão mecanismos de defesa

O primeiro não passa de uma forma lenta de destruição

O segundo, em forma de soberba, é o que sepulta sua própria natureza



Lembre-se: o amor sobrevive dentro das pessoas

A seu modo, demonstre-o, não importa o tempo ou a ocasião

Quem cala o transforma em saudades

Quem o explana é mestre em dar asas à sua missão




Manoel Cláudio Vieira 27/05/26 – 01:25h