Testemunho da sobrevivência
Sei que tenho uma alguma habilidade com palavras
Sei também que por meio delas que parte de minha vida externei
Quando não encontrava com quem falar, a solidão marcava presença
No papel eu derramava o que tinha falar mas não a ninguém contei
O que se tinha era pouco, quase nada.
A vida era simples: um dia atrás do outro.
Os ideais beiravam a utopia, mas o papel me compreendia.
Pensar alto era ser interpretado como insensatez.
Há muito a se dizer sobre vulnerabilidade.
É complicado explicar coisas tão simples como o afeto.
O ato de escrever sempre foi uma ferramenta de sobrevivência;
aliviava a falta de compreensão alheia.
A falta de coragem amedronta, paralisa as ações,
especialmente quando a vida beira a insegurança e a timidez.
Mais do que um ato de coragem, externar o que se pensa
era criar um mundo maravilhoso para quem nasceu perdendo a própria vez.
Esse era o meu menino
Em sonhos viajava por um universo de imagens
por lugares distantes e línguas incompreensíveis
Blindado por um anjo, nos devaneios noturnos fazia sua passagem
Pense: enquanto alguns criam um mundo maravilhoso com outros
O ato de escrever era a ferramenta que esculpia esse mundo junto à realidade
Deixou de ser um mero registro e se tornou o cinzel moldando a brutalidade humana
Em seu estado mais puro, o menino entalhava seu mundo esculpindo a efetividade
Manoel Cláudio Vieira – 15/05/26 – 01:41h
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