Olho no espelho e não me espanto;
Não são os sinais do tempo que me perturbam.
O que se foi pertence ao passado;
O hoje, sim, é aquele que me faz questionar.
A finitude do tempo é inquestionável.
O imediatismo presente faz da vida algo sem valor.
As perspectivas não se perturbam com o envelhecimento;
Afinal, somos contados como números: pouco importa o seu amor.
O passado deixa de ser visto como um tempo de aprendizado
E é tratado como algo encerrado, que já cumpriu seu papel.
Esqueceram que ele consumiu parte de sua vida
As cicatrizes ficaram, representadas como fragmentos esculpidos pela ação do cinzel.
Assim como tudo na história tem seu curso,
A arte da construção tem um custo e um quê de verdade.
As lascas retiradas à força deram vida à escultura;
As cicatrizes em cada marca são o sinal vivo da própria identidade.
Amadurecer e construir-se como verdadeiro tem seu preço.
A identidade exige o custo da experiência pessoal.
Muito se aprende com os tolos, mas é quase sempre algo passageiro;
O refino das lições que advém dos sábios na vida é o principal.
Não coloque o aprendizado com tolos e sábios no mesmo patamar;
Estabeleça em sua vida uma hierarquia de valores.
Enquanto um é raso, passageiro, mutável e sem conteúdo,
O outro vem da sabedoria acumulada pelos séculos, sem perder seu valor.
Manoel Claudio Vieira - 05/10/26 - 01:38h
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