domingo, 24 de maio de 2026

A dadiva do néscio



Embora continuemos humanos,

embora procuremos transmitir vida e consciência,

quanto mais o tempo passa, mais eu me pergunto:

como permanecer em um mundo que nos empurra para a indiferença?


Vivemos permeados pela dor e pela solidão.

Os males da alma mostram-se silenciosos.

Muitos carecem de relações verdadeiras,

buscando no outro uma cura como mero fermento biológico.


A existência é um processo de cultivo, propósito e amadurecimento.

Difícil é viver em um mundo cada vez mais carente dessas relações.

O desgaste produzido pela sociedade humana é tremendo,

E o fruto a se colher por tamanha falta de reflexão.



Valorize sua infância; reveja os primeiros aprendizados.

A criança dentro de si carrega a essência daquilo que lhe é mais puro.

Mesmo na dor, encontre um sentido para a parafernália em que vivemos.

Cresça como homem, porém, em certas ocasiões, comporte-se como um nascituro



Não pense a vida como algo superficial.

Creia na transformação e na dignidade como fontes de esperança.

Tenha dela uma visão idealista, mas não ingênua.

Continue acreditando na dignidade como algo real, e não como mera lembrança.


A vida é intercalada por uma série de escolhas.

Não é porque você pensa diferente que deve ser visto como errado.

Tudo em sua história ocorre em um processo orgânico, ético e coletivo.

Relaxe: a dádiva do néscio é seguir a massa e todo o seu legado.




Manoel Cláudio Vieira – 24/05/26 – 04:50h

E o resto acontece



Não descreva a vida de um homem como você a vê;

sua natureza vem das trocas afetivas em um mundo injusto.

Pare, pense, pondere e só depois escreva o que sente por trás:

a arte que vem da restauração por vezes vem do luto."



Não se avalia um livro pela capa;

ela reflete tão somente o retrato de um momento.

A essência de uma história é bem mais profunda que um simples olhar;

mesmo fechado, no tempo certo, ele floresce, dando à vida livramento.



Há quem faça da arte um refúgio secreto,

bem mais que isso: o registro de uma dor excessiva.

Assim como a vida em tempo algum se mostra estática,

ela se move se mostrando selvagem, às vezes de forma obsessiva



Mais que descritivo, seja empático:

sinta o que é transformar loucura e dor em beleza.

A essência de uma história jamais termina;

é a celebração da resiliência de um coração face à natureza




Não trate a vida de uma forma superficial;

expor a alma jamais será o retrato de uma conquista vazia.

Diálogo e vulnerabilidade são importantes ferramentas de conexão;

a grandiosidade está na simplicidade, e não em fórmulas da alquimia



Resumindo: não espere da vida um 'manual de instruções';

a grandiosidade de uma história jamais será misteriosa ou secreta.

Para viver bem não precisamos de muita coisa, apenas de coisas bem simples:

beijo doce, trato decente, a pureza do essencial... e o resto acontece




Manoel Claudio Vieira - 24/05/26 - 01:18h





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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Da semente ao fruto



Dentre as muitas lendas urbanas,

Nossa história é facilmente delineada pela semelhança com a vida de uma mulher.

com ternura e profundidade a alma de um povo

É pouco ao narrar sua resiliência frente às agruras de um mundo visto pelo viés.



A capacidade de buscar uma solução que se ajuste a um problema,

Entender os obstáculos implícitos nas entrelinhas de uma questão,

Ter o controle dos meios ao se resgatar o equilíbrio frente ao desconforto,

Dar rédeas aos problemas de forma saudável e construtiva, sem uso da vitimização



É ter os pés no chão em face da fragilidade humana

Analisar os anos como estágios deste mundo,

Recusar o cinismo do adulto mantendo a pureza e a ingenuidade da criança,

E manter o espírito de aprendiz numa sociedade gira-mundo



É ter amor às jovens promessas do futuro

E explanar o amor não só em palavras, mas em toda ação;

É saber domar o vento frente às tempestades da história

E renovar a esperança a cada passo que se dá nesse chão.



Liberdade e futuro jamais teremos garantidos

Manter viva a capacidade de se indignar

Romper os preceitos de barreiras não vividas

Respeitar o alheio sem, no entanto a ele se entregar.



Sensível a dor e no cultivo de um mundo melhor

A escolha é bela, porem carrega uma  dualidade profunda:

Se de um lado a vida e rica e não perde o brilho em significado

Pelo outro corre-se o risco de sofrer por antecipação pelo que já se viu no passado



Seja onde for, seja como for

A vida nos reserva o que um dia foi semeado

Não temos receita pronta para um mundo tão complexo, porém

Viva sua historia como herói de si mesmo amando e sendo amado.




Manoel Cláudio Vieira – 22/05/26 – 02:42h





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quarta-feira, 20 de maio de 2026

O lado de la



Primeira infância… anos da mais pura inocência

Criança aplicada, com um serrote fazia os seus brinquedos

lia muito, não saia de casa e, embora vive-se só,  nunca esteve sozinha

A madeira era sua melhor companheira e nela compartilhava seus medos


Aprendeu a conviver com a solidão.

Isolada do mundo, via a loucura como algo normal.

Era o preço por nascer sem a coluna que lhe daria prumo.

Perdida em si mesma, encarava tudo como um fardo desigual.


Anestesiada das emoções, não se considerava humana.

Distante da vida, colocada à parte, pouco se comunicava.

Apenas uma frágil carcaça com um mínimo de consciência.

Calar era a ordem — o silêncio imperava.


O curso da vida jamais foi uma linha reta - assemelhava-se a entradas em looping

Como piloto, não sabia quando seria a próxima vez

Voltando da viagem, o medo o consumia

Depositário fiel de frustrações alheia, assumia o que  fez e o que não fez


O maior sofrimento já não era mais a dor.

Era viver isolado, sentindo de fora as idas e vindas.

Era perder a capacidade de viver num mundo de vazios.

Proteger-se da dor era desconectar-se da própria vida



Assim como água nas mãos, a vida se esvai por entre os dedos.

Alheias ao mundo, distantes das emoções e, em especial, de si mesmas,

muito trabalho e pouca conversa tornam-se rotina.

Os vestígios de humanidade deixam de fazer parte de sua natureza.



Manoel Cláudio Vieira – 20/06/26 – 04:16h




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domingo, 17 de maio de 2026

Tocando em verdades



Não se vive por viver; a vida tem sempre um significado.

Quem sabe nas entrelinhas dessa história eu encontre um sentido entre ideias mortas.

Talvez seja melhor dar um tempo e acolher, com um segundo olhar, o que um dia encontrei.

É quase impossível viver uma vida assertiva sem compreender o que importa.



Em tudo há uma busca, viver mecanicamente não basta.

Mesmo simbólica, a experiência humana nos dá quase sempre uma nova dimensão.

Sabemos que ela existe, porém precisa ser encontrada.

Quando desnuda, faz-se necessário o confronto de velhas crenças com a nova opinião.



Nem todos os nossos projetos perderam vitalidade.

O que de verdade existe entre o que se fala e o que se tem é muito pouco.

Muito do que se vê é camuflado por ideais envoltos em belíssimas narrativas.

Entre as ruínas do que se foi, negar a precariedade do que se tem é somente para os loucos.



Reinterpretar experiências, rever julgamentos.

Olhar o passado sem a impulsividade outrora perdida.

Certas verdades só podem ser compreendidas depois do tempo;

O sentido não surge da pressa, e sim da releitura da vida.



Nessas horas, o tempo não é mais um marcador de anos.

Como maturador de consciência, em vida ele nos faz voar.

Viver rápido jamais será a meta de uma historia com significado;

O sentido não está na linha de chegada, e sim no passado folhear.



Olhe bem, preste atenção nos seus passos — passado e presente.

A clareza que encontramos é um direito que o tempo nos dá.

Não basta olhar para fora esquecendo o que se foi, as dores que um dia tivemos.

Olhar para dentro dói, mas traz a liberdade que se encontra na paz.




Manoel Cláudio Vieira – 17/05/26 – 02:26h




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