Dos sentidos, o amor é o mais nobre.
Dos sentimentos, o mais romântico.
Indescritível é a ameaça feita aos homens
quando o funk pisoteia a nobreza, enaltecendo o errante.
Ele é a chama que não se apaga,
a necessidade diária de estar presente,
o que reestrutura a percepção que temos da vida
e o que nos faz viver num mundo onde todos parecem ausentes.
Somos dependentes desse amor,
alguns, dependentes dessa dependência.
Por vezes, a solidão tem efeito analgésico,
onde o antídoto é esse amor preenchendo esse vazio subitamente.
Observe seu amor dormindo, os traços em seu rosto:
ele parece entregue, sem máscaras.
Na vida diária, o ideal seria que esse momento não fosse um sonho.
Sentimentos mútuos transcendem a dor enquanto o tempo passa.
Trabalho diário, dias de intensa labuta.
Na linha do horizonte, pouca coisa além de incertezas.
Em seu lar, exausto ao extremo, ele vem, diz seu nome, dá um beijo.
Pronto: o sol oculto volta a brilhar nas entranhas de suas caldeiras.
Num mundo tão desigual, muitos acabam carentes:
sinais de acolhimento, a sintonia de um ombro aberto à saudade.
O alívio da dor de uma vida onde o tempo não passa se completa.
Nossas relações, além de afeto, são também necessidade.
Manoel Cláudio Vieira 21/03/26 - 04:08h
.