segunda-feira, 9 de março de 2026

Domando feras

 


A vida não se resume a um processo de transição.

Nela, buscamos dar voz à nossa identidade.

Ao buscarmos dar a ela um sentido,

Mudamos o roteiro para melhor adequação à realidade.



No início, as promessas são enormes.

Nos primeiros anos, tudo parece girar aos nossos pés.

O tempo mostra que nem sempre essa é a condição.

Abandonar velhos hábitos e abraçar o novo são premissas que sustentam nossa fé.



Nem sempre é confortável partir para "ser alguém".

Muitos levam consigo a sensação de ter traído seu meio e sua verdade.

Entre a alegria de partir e a saudade pelo que se foi,

A realização deixa um rastro entre a essência e a premente necessidade.



O que foi deixado para trás sempre será visto como autêntico:

puro, natural, pleno de encantos, porém limitado.

Essa nova vida representa o novo, mas exige sacrifícios.

A recompensa financeira nem sempre é moeda de equidade.



Como num redemoinho, o ciclo da vida dá voltas.

O processo de transição será sempre pleno de incertezas futuras.

A sedução do materialismo assemelha-se à perda d'alma.

Esta, sim, é a verdadeira dor de quem um dia viveu tamanhas agruras.



Esteja ciente: em um lugar qualquer, sempre seremos estranhos.

Vivemos em estado de vigília numa sociedade que muito espera.

Quem somos, de onde viemos, pelo que passamos — isso pouco importa.

Seja você quem for, admita: se chegou aqui é porque dominou sua própria fera.



Manoel Claudio Vieira - 09/03/26 - 01:57h

domingo, 8 de março de 2026

A geometria dos sentidos



O remédio é amargo, mas cura

A estrada é longa, o caminho nem sempre é conhecido

E certo que o dia ira amanhecer, não importa o tempo

Nada se constrói num mundo sem sentido



Olhar para trás e ver o que se foi

Constatar a ambiguidade presente na sociedade

A realidade pode ter múltiplos sentidos

O que um dia pareceu solido não passou de uma fase 



Quando a busca deixa de lado os resultados

De física, a dor passa a ser emocional

O espirito interior insatisfeito, ferido

Torna-se retrato de um fatídico deslocamento existencial



Já não basta seguir a intuição

Necessário pés no chão ao lidar com a consciência

Quanto mais nos aprofundamos na importância das histórias de vida 

O despertar espiritual se sobrepõe a própria existência



Quando algo em nos deseja partir

A busca pela autenticidade se reflete nos atos cotidianos

Nem sempre esse desejo reflete mudanças físicas

É o espelho de uma nova fase nos tornando mais humanos



As escolhas são imperiosas, não importa quando

Continuar vivendo máscaras ou enfrentar a essência

Os limites do ser humano não podem ser comprados ou vendidos

A verdadeira ascensão é interna e construída a base de tenacidade e paciência 


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Manoel Cláudio Vieira - 08/03/26 - 02:24h




quarta-feira, 4 de março de 2026

In -memoriam


 


Apenas mais um olhar perdido

Entre o passado e o presente, um vazio

A dor pelo tempo transformada em arte

As linhas de expressão fluíram como águas no curso de um rio

 


Uma trajetória de vida sendo moldada

Um diamante bruto que nasceu para brilhar opacou

Diante das telas de vivencia somos transformados

Não era dele o erro, mas sim de quem o lapidou


 

No mundo de sombras e escuridão

Pensar no presente é o que menos importa

A vida é consumida numa especie de fast-food

O peso dos erros flamba a  existência a própria sorte

 


A dualidade da vida beira limites

Uma linha tênue divisa genialidade e loucura

A dor mental passa ser o preço do talento

Desconectar-se do mundo faz n’alma uma sutura

 


Quem diria que a loucura pode ser levada como defeito

Imagine ser uma resposta explosiva a pressão externa

No fogo cruzado entre as estações da vida

Não moldam caráter e sim destroem as esperanças internas

 


A estrutura de um diamante é cristalina, transparente e isolante

Do carbono, opaca e boa condutora

Ambos feitos do mesmo elemento, mas tão diferentes

Calor e pressão transformam, mas internamente destoam .

 


Manoel Cláudio Vieira - 04/03/26 - 05:04h

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O vinho na taça



A vida é como uma estrada sinuosa

No início, inocência e descoberta - um tempo de perguntas e aprendizado.

Em alguns pontos, paradas ao longo do caminho,

Sem, no entanto, refletir as condições; o quanto andamos achando tudo um enfado.



Esse foi um tempo gasto sem pensar,

Sem medir as consequências - o amanhã era visto com ansiedade, magia, superpoder...

Jamais uma ameaça ou um tempo difícil.

Afinal, dormir até mais tarde já era, por si só, um sinal de poder.



O tempo foi passando, as estações acontecendo.

O que antes era desperdiçado, nesta etapa ganhou valor.

A ocasião de encontros e descobertas aprofundou-se;

O tempo perdido agora é economizado, dosando, com calma, o amor e a dor.



Novamente, o tempo mostrou quem ele é.

Quem aprendeu na infância e adolescência, convive bem.

Hoje vive-se com paciência, não mais correndo contra o relógio;

Caminhando com prudência, sem necessitar provar nada a ninguém.



O tempo de construção, em parte, se foi.

Aceitar as perdas com dignidade faz parte do aprendizado.

Resta agora saborear as memórias, o nascer e o pôr do sol...

Afinal, toda existência, um dia, fez parte de um plano mais ousado.



Dê graças aos céus pelo que você tem.

Na infância, o choro é passageiro; hoje, é o vinho que resta na taça.

Enquanto crianças, pensamos no que seríamos; hoje, no que se foi.

Mas, enquanto houver vida, bendiga o guerreiro que move tua carcaça.




Manoel Claudio Vieira 28/02/26 – 03:13h







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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Os oasis na vida



Vazios preenchidos por silêncios.

Crise de identidade frente ao novo.

Desamparo geral pela falta de respostas.

Liberdade instintiva colocada à prova pelo povo.



Não pensar como a massa.

Seguir regras, mas não a padronização.

Ter uma visão de vida sem suprimir o lado criativo e emocional.

Frente ao espelho, reconhecer-se como homem, e não como uma reles visão.



Viver uma vida regrada porem livre de rótulos

Enxergar o mundo como campo de descobertas e encontros - uma analises a esmo

Ser visto como perigoso por não se moldar ao sistema 

Pois ele perdeu contato com o mundo e não consigo mesmo



Rebeldia destrutiva sendo colocada de lado

Validação interna e o suficiente, não busca mais aprovação

Prescinde de conflitos externos para sustentar o próprio senso crítico.

Na vida busca recomeços, jamais a estagnação



Com grande parte das pessoas compartilhamos momentos e não a vida

Essa e a tônica geral em nossa sociedade

Raros os que nos entregamos por inteiro

Abençoados aqueles que te conhecem de verdade



Inúmeros são os desertos afetivos neste mundo

A pior das estacões não e a solidão e sim o vazio existencial

De graças aos oásis que encontrares em sua jornada pela vida 

A bussola do amor o transporta pelo tempo ate o destino final




Manoel Cláudio Vieira - 26/02/2026 - 04:15h







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