quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Faca amolada.




Desejo ferrenho em se mostrar frente a vida
Ter uma companhia ao lado sem, no entanto, a possuir
Ser reconhecida pela autonomia frente ao outro, mas não a si
Interpretar para o outro sem, no entanto, para si mesma sorrir



Claro, é o conflito entre a imagem ofertada e a realidade presente.
A carência de testemunhos da própria existência é constante.
Deseja alguém a quem se revelar e ser reconhecida, mas...
A beleza roubada a impede de seguir adiante.



Sua vida jamais fará uma trajetória linear.
Sem os iguais, andará permanentemente em círculos.
Esqueceu que a beleza de caráter não se compra,
Nem é regra tomar para si o que sempre foi do outro.



Não tem passado, o presente é incerto e o futuro, altamente duvidoso.
Mudam ambientes, circunstâncias e relacionamentos, mas nada se altera.
Sem propósitos, permanecerá cativa, repetindo padrões.
O problema não está em seu caminho, mas dentro dela.



Não importa quais os pares que um dia passaram por sua vida
Seu presente continua o mesmo, e sabe que algo precisa mudar.
Resta olhar para a pessoa interior, mas dói, e isso ela teme.
Seus pontos nevrálgicos são tantos e isso a impedem de se entregar.



Concluindo, de nada adianta procurar por fora o que sempre esteve por dentro.
Assim que o encontrar, não encare esse estranho como alguém à toa
Curioso para quem passou a vida buscando respostas em suas andanças
Faca amolada: terminou descobrindo que a pergunta era para sua própria pessoa.




Manoel Claudio Vieira – 16/09/26 02:56h



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O verdadeiro enigma de Tesla

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Tanto falam que o mundo avança errado,

tanto falam que as relações humanas estão morrendo.

A busca de soluções mais parece um grão de areia;

inúmeras são as lutas pelo poder acontecendo.

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Muito se fala sobre o amor e a superação,

mas a apatia humana esqueceu-se do principal: o planeta.

Séculos atrás, buscávamos novas terras garimpando oceanos;

hoje, são espaçonaves buscando, entre as estrelas, novos planetas."

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Num mundo tão desigual, tantas são as desconexões.

O avanço predatório pouco se importa com o meio ambiente.

Em vez de corrigirmos o que ainda temos para cuidar e está morrendo,

buscamos no espaço novas terras, porém fazemos vista grossa à nossa gente.

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Gastamos fortunas para encontrar vida e recursos em novos mundos,

assinamos leis justificando a morte de quem sequer nasceu,

destruímos nossa própria casa sem ter para onde morar:

a idiocrasia deu tom sombrio a tamanha estupidez.

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É evidente o paradoxo dos programas globais:

investe-se tanto dinheiro fora, esquecendo de sanar nossas próprias dores.

A tragédia não decorre da falta de capacidade;

o que abunda é a desconexão ética aliada à inversão de valores.

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Desculpe: queria falar de amor, mas não consigo.

Parodiando Vinícius: 'é tudo uma total insensatez'.

Enquanto os idiotas tomarem conta do mundo pelo número,

calado: eles sabem tudo e, quando contraditados, você será a bola da vez.

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Manoel Cláudio Vieira - 17/09/26



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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Navios, fachadas e silêncios



Anseios e dilemas do mundo atual:

Busca incessante pela validação da vida,

Fatos e comportamentos postos à prova,

Gente perfeita por fora, mas vazia em sua lida.



Muito se fala em conhecer,

Pouco se estuda a dimensão da sabedoria real.

O genuíno é tratado como obsoleto,

Reflexão sobre comportamento é vista como estereótipo mental.



Jamais se consumiu tanto conteúdo em tão pouco tempo,

Uma verdadeira obsessão pelo acúmulo de dados.

Enquanto a banalidade e a informação maciça se expandem,

O que demanda tempo e sabedoria, há muito tem sido negligenciado.



Terceirizaram o pensar, vulgarizaram o belo,

Deixaram de olhar para o próprio comportamento como referência.

Deram vez e voz à ignorância coletiva,

Cruel é a superficialidade de uma sociedade que perdeu a sua essência.



Enfim, trocaram a profundidade por uma bela fachada,

Triste... mas serão estes os marcos de um novo tempo?

Ao prostituírem a verdade em prol da conivência,

Aqui eu me retiro: será este o meu silêncio.



Manoel Cláudio Vieira - 15/09/26 - 03:45h









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domingo, 13 de setembro de 2026

Entremundos



Bem mais que um lugar,

é também o meu espaço interior,

um universo primitivo jamais desvendado.

É lá que se labora a minha vida, com mais amor.



Distante do mundo racional e civilizado,

Dele me afasto e abandono qualquer forma de modernidade.

Ao entrar em contato com meu próprio ser, desligo-me,

mergulho profundamente dentro de mim,em qualquer uma de suas fases



Um território de achados e perdidos,

dentro de mim encontro a verdadeira paz.

A fertilidade se multiplica a cada reencontro;

a vida aflora, a cura se completa e o mundo se refaz.



Bem mais que uma fuga temporária,

a racionalidade mundana se apresenta como um perigo.

Ao mesmo tempo em que nos seduz e nos atrai,

é também matéria que nos afasta do ombro amigo



Nele encontro a melhor das formas de equilíbrio,

consigo dar números à racionalidade e ao meu mundo interior.

O que neste mundo se apresenta como ferramenta maravilhosa nos torna cativos,

prisioneiros de nós mesmos e da real dimensão do que entendemos por amor



Este, sim, é o maior dos mundos por mim conhecido.

A maior de nossas viagens ultrapassa continentes.

Viajar pelo mundo me permite conhecer lugares;

dentro de mim, descubro quem sou e assim compreendo a minha gente.



Manoel Claudio Vieira 13/09/26 - 01:13h



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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Velhos erros.



Muito se fala de um tempo que há muito se foi,

Das agruras vividas no cotidiano pelos nossos pais.

O futuro que prometia uma vida livre veio,

Mas o reflexo no espelho permanece como nos tempos abismais.



Toda transição histórica tem um preço impagável.

O presente traz as amarras do passado como num eterno flerte.

O que um dia parecia superado, voltou à tona:

Sob uma nova face, os vícios continuam, a história se repete.



Por maior que seja o sofrimento, nada acontece por acaso;

a necessidade de se reinventar mostra números cruéis.

O avanço do tempo guarda singularidades passadas:

quem hoje oprime, guarda em suas veias o mais puro fel.



As ferramentas mudaram, mas o vicio perpetua velhos erros

O núcleo da fornalha permanece idêntico ao trabalhar

Na impressão de novo, bandeiras ganharam novas matizes

O diabo ensina a fazer a sopa, mas não da a tampa para o caldeirão tampar



Nada nesse sistema garante a mínima evolução.

O presente persiste em aprimorar as fórmulas do passado.

A história humana jamais será uma linha reta:

sorria — será sempre uma espiral com degraus previamente marcados.



Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 05:31h