Muito se fala de um tempo que há muito se foi,
Das agruras vividas no cotidiano pelos nossos pais.
O futuro que prometia uma vida livre veio,
Mas o reflexo no espelho permanece como nos tempos abismais.
Toda transição histórica tem um preço impagável.
O presente traz as amarras do passado como num eterno flerte.
O que um dia parecia superado, voltou à tona:
Sob uma nova face, os vícios continuam, a história se repete.
Por maior que seja o sofrimento, nada acontece por acaso;
a necessidade de se reinventar mostra números cruéis.
O avanço do tempo guarda singularidades passadas:
quem hoje oprime, guarda em suas veias o mais puro fel.
As ferramentas mudaram, mas o vicio perpetua velhos erros
O núcleo da fornalha permanece idêntico ao trabalhar
Na impressão de novo, bandeiras ganharam novas matizes
O diabo ensina a fazer a sopa, mas não da a tampa para o caldeirão tampar
Nada nesse sistema garante a mínima evolução.
O presente persiste em aprimorar as fórmulas do passado.
A história humana jamais será uma linha reta:
sorria — será sempre uma espiral com degraus previamente marcados.
Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 05:31h