quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O romper da manhã

 



Por instantes, o tempo parou.

O que pareciam ser horas não passou de minutos.

Quando a luz da manhã voltar a brilhar,

os sonhos irão embora, levando para longe o que foi sem ter ido.



Parodiando a vida, essa é a nossa história:

momentos sublimes são difíceis de esquecer.

Peripécias do tempo retiveram na alma sua devida proporção,

deram cor e sabor a cada novo amanhecer.



Mente mergulhada na introspecção:

a travessia pelas sombras faz o tempo parecer suspenso.

A percepção das horas é distorcida pelos medos;

o romper da manhã apaga momentos densos.



A sabedoria é a personificação da maturidade:

ela aconselha paciência ao escolhermos novos caminhos.

As tempestades passam, enigmas se desvendam;

dão novo significado à velha história, povoando nosso ninho.



Busca interior... reflexão profunda:

pontos de partida para uma nova jornada.

A procura faz a noite parecer interminável:

ilusão do tempo, o recolhimento voltando à terra dourada.



Não é o fim da turbulência, mas um novo período.

Amanhecer é o momento da mais pura ressignificação.

O aprendizado nos leva a uma paz duradoura

e ao retorno do equilíbrio mental, unindo a mente ao coração.



Manoel Claudio Vieira 30/09/26 - 02:00h





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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O peso das palavras



Ouvi a mesma história algumas vezes.

Não lembro quantas, mas ela ainda me comove.

A vida pode ser muito difícil, mas devemos encarar.

Ao esquecermos, um pouco de nós sempre se resolve.


Sei o quanto fizeram sofrer.

Loucura? Não sei, mas não foram as surras as de maior pesar.

As palavras que entravam na mente eram as mais difíceis;

foram elas que fizeram da vida desacreditar.


Anos marcados pelo desgaste 

Um processo de anulação, perda da celeridade

exaustão severa, repetição continua

Dessensibilização brutal da individualidade


Pelo tempo, um pouco de cada um sempre se dilui.

Limpar resquícios de torturas sempre foi a mais degradante.

Os anos passaram, por entre pedras a felicidade cresceu, mas...

continuamos mancomunados com o destino errante...


Quer ver essa ferida cicatrizada?

Reduza a distância de tudo que o faz sofrer.

A carga para reprocessar a dor pode ser brutal,

mas, por favor, pare de pensar e volte a viver.


E o que era dor, hoje é paz.

O destino errante encontrou sua vez.

Na verdade, nem tudo foi resolvido,

mas o silêncio, enfim, me fez livre outra vez.



Manoel Claudio Vieira - 28/09/26 - 03:47h




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domingo, 27 de setembro de 2026

A vida transformada em espetáculo



Não importa a gravidade da situação,

o importante é se mostrar bem.

Uma mesa plena de manjares e bebidas quentes,

e a resposta a tudo que lhes convém.



Bem mais que uma imposição social,

fingir plenitude mesmo com dor transpassa os limites da razão.

Amizades verdadeiras não exigem máscaras,

mas, nesse universo de excessos, mascara-se até o vazio em seu coração.



Figurantes ostentando um sorriso frenético.

O ambiente aflora relações rasas, genuínas inverdades,

enquanto a noite se agita, a realidade se torna cega pelas luzes.

Atordoados, eles se afogam noite adentro, perpetrando falsidades.



As noites deixaram de ser um momento de paz e meditação.

Há tempos, tornaram-se um oceano denso, impregnado por falsas celebridades.

Personagens dúbias, com sorriso insano, disfarçam dores,

chafurdando na moral, distorcendo o amor, perpetrando imoralidades.



Em verdade, jamais foram inteiros.

As raras luzes que detinham, usaram-nas para cegar.

Pela ilusão, o brilho anestésico comprou a noite.

Caríssimas marionetes prostituíram o viver pelo interpretar.



A performance e o grotesco... Beleza roubada,

mercantilizaram a vida real pela encenação.

A pior das penas é aquela em que o delito não se extingue:

o réu será eternamente cobrado pela auto-deserção.



Manoel Claudio Vieira -27/09/26 - 02:09h



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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Camille

 


Com esmero, entregou-se à arte.

Na escola, do mestre foi ajudante.

Com espátulas esculpiu seu amor;

De principal colaboradora, tornou-se amante.


Como um oleiro, deixou digitais nas obras do amado.

Vista apenas como aluna, não teve sua força reconhecida.

Solitária, não perdeu seu encanto; independente, a flor desabrochou.

Com estilo pessoal, fez de sua arte sua lida.


Em Sakountala, na pedra entalhou a vulnerabilidade;

Em La Valse, a dinâmica e o gozo sensual;

Em Les Causeuses, a força ao captar o cotidiano;

Em L'Âge Mûr, o abandono em sua dor mais crucial.


Por tudo o que viveu, sobreviveu;

A rejeição a fez ainda mais perfeccionista.

Sem um ombro e em meio à dor, isolou-se do mundo;

Em surtos, destruía suas obras de gesso e argila.


Chamada de louca, pela família foi internada;

Num asilo isolado passou o resto dos dias.

Sem o barro nas mãos, impedida de criar,

Viu sua alma apagar-se até a despedida.


Essa é a história real da vida de uma grande mulher:

Da paixão inicial ao rompimento, uma longa história.

Desafiou o mundo, assumindo o preço por sua liberdade;

Morreu para a vida, porém seu legado está presente em nossa memória.



Manoel Claudio Vieira - 23/09/26 - 05:07h



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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Uma dura lição



Concentração máxima... silêncio reflexivo

Paz e o amor balizando valores

Uma estrada longa, estreita e quase sem vida,

Cruzando fronteiras de um mundo carente de valores



Juntos, mas distantes de uma sólida união,

Esperam na proposta alheia um mundo melhor, vagando pelo tempo.

Sem abrir mão das convicções um dia semeadas,

Insistem em retóricas e velhos dogmas, sem mudar o que pensam por dentro



Embora façamos parte de um sistema,

Não nos podemos deixar levar por valores alheios.

O futuro mostrará se o que semeamos foi real

Ou apenas sementes híbridas, recheadas de anseios.



As primeiras gerações podem vir belas e fortes;

Entretanto, os anos mostrarão que não conseguem se reproduzir.

Suas transformações foram fruto de um desejo temporário:

Não possuem raízes e, com o tempo, irão se consumir.



Enquanto o homem buscar, no tom da emoção, a paz e a segurança,

Sem que nada se fertilize em seu íntimo, ele irá morrer.

Sem maturidade ética, perderá a capacidade de se perpetuar.

Quando a poeira baixar, a realidade o fará escravo do próprio ser.



Esta é a mais dura e fria sentença...

A tirania não está no sistema, mas na sua própria imaturidade moral.

As mudanças não ocorrem ao sabor dos ventos:

Necessitam ser semeadas, regadas e amadurecidas de dentro para fora.



Manoel Claudio Vieira - 22/09/266 - 19:45



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