sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A mão revela a alma



Admirar a vida com outros olhos

Encontrar significados não abrangidos anteriormente

Sob novo prisma, saborear novas nuances das mesmas coisas

Alinhar a si mesmo uma realidade não vista conscientemente


Quando se escreve sob o que se sente

Durante a escrita damos forma a intuição

O tanto que abrangemos num novo texto ganha vida, 

Nele avançamos muito além da mera compreensão


As palavras estabelecem ligações entre o que sentimos.

Imbuídas de sentimentos, determinam significados.

Lado a lado, dão forma às experiências vividas;

isoladamente, jamais teriam o mesmo legado.


Ir além daquilo que se costuma mostrar.

Partir de questões delicadas: o amor, a liberdade e o envelhecimento.

Alcançar o que se esconde atrás de complexas atitudes,

e enveredar por caminhos outrora encarados como pontos de estrangulamento.


Começar por coisas simples, sentimentos que todos conhecem.

Terminar abordando a complexidade desses impulsos.

Delimitar as marcas de tantas experiências nesta vida.

A responsabilidade das escolhas implícitas em seu conteúdo


Num mundo de mentes anestesiadas,

Desvendar o que há além das aparências é considerado algo cruel.

Embora seja matéria-prima descobrir o íntimo de cada um,

Permito-me descobrir nesta vida o meu papel.



Manoel Claudio Vieira – 16/10/26 -01:58



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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

As faces do amor


São tantas as visões que se tem do amor

Muitos dizem que ele principia lentamente e nos faz espairecer

Marca os presentes por um encanto misterioso

Que é a chama que ilumina e dando razão ao nosso ser 


Eis o porquê da pluralidade desse sentimento:

De uma paixão avassaladora à arte da conquista,

Varia conforme a expectativa das pessoas

E sempre dá mostras do quanto pode florescer.


Abrir-se, por vezes, assusta;

O receio da vulnerabilidade nos faz sofrer.

Quando o passado foi marcado por excessos,

Sentimentos torpes desvirtuam o amor antes mesmo de acontecer.


O medo de se machucar é uma voraz barreira,

E é ele que nos impede de conviver plenamente.

Cabe ao amado destreza especial nas palavras;

Longânime, o amor exige um cultivo paciente.


Nem toda intimidade é o refúgio das noites

A maturidade de um amor de verdade exige empatia

Deixe-o fluir como a aurora ao amanhecer

A natureza é sábia em exemplos no dia a dia


Estabeleça uma ponte entre seus sentimentos:

O amor não tem forma única, mas tem conteúdo

De um lado, o impulso incontrolável; do outro, intenção consciente

Moldado em bagagem, experiência e bem querer ao nascituro



Manoel Claudio Vieira – 15/10/26   - 05:01




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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Forjados pelo tempo


Um dia, disseram para eu me calar;

sem questionar, consenti.

O tempo passou e, sem perceber, disse o que pensava.

E daí disseram: “Por que só agora fui ouvir?”


Viver é um aprendizado.

Diariamente compomos uma história que ficará no passado.

Nem sempre o resultado será o melhor;

a colheita depende do que foi semeado.


As palavras são como sementes

e o solo onde as lançamos é o mundo.

Se semeadas com amor, frutificam;

Do contrario, palavras ao vento em solo impuro


Toda construção é forjada a partir de uma base.

Não só a soma do trabalho é o resultado final:

muito depende da forma como laboramos nosso dia.

O universo não conspira quando o cerne tem valor e não preço final.


São tantas as vezes em que é preciso recomeçar...

Experiências passadas dão sinais de onde prosseguir.

Plantamos sementes de ideias em mentes vazias,

que negam fatos reais e só entendem o que querem ouvir.


No passado, me consternava quando o resultado não era o esperado;

procurava em mim sanar possíveis defeitos.

Com o tempo, percebi: por trás das palavras, havia mágoa.

Demorei a entender que me tornara alvo de seus próprios conceitos.


Impressiona como julgam fatos alheios à vida em comum.

Uma opinião muda toda uma história sem que se conheça o real conteúdo.

A capa de um livro não altera o que ele carrega por dentro.

A beleza forjada é apenas fachada para quem é imaturo.



Quem dera a vida fosse a primeira cena de uma história...

O palco de nossa existência não permite grandes alterações.

Num ambiente hostil, recomeçar não é confortável,

mas é a saída mais viável em um mundo com poucas opções.


Não existem fórmulas secretas para o sucesso.

A perfeição advém de experiências forjadas ao longo do tempo.

Quem quer vencer precisa arcar com os custos.

Viva em paz consigo mesmo: de forma plena, e não por momentos.



Manoel Claudio Vieira - 14/10/26 - 06:00h




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terça-feira, 13 de outubro de 2026

O preço de pertencer




 Nada mais do que viver

Ter a liberdade de ser quem voce é

compreender as diferenças que ameaçariam sua vida

Não ter medo do controle de parecer ser o que não é



Muito se fala sobre liberdade

pouco porem se reflete sobre prisão

Quando viver for uma performance para os outros

A existência passa ser sufocada por externas imposições



Reconhecer o que nos cabe respeitar e defender

Ter ciência de que é direito reivindicar ser o que sou

Ter posse da régua que controla os limites da própria existência, porém...

Carregar a loucura de negar o direito ao próximo de pensar quem ele é



A liberdade não se limita a fazer escolhas

Ela abarca um conceito bem maior: sua identidade e as consequentes ações.

Não nos basta agir, relacionar-nos e participar da sociedade,

escondendo o que pensamos por temer que nossas ideias ameacem as alheias convicções.



A liberdade de ser e o medo de pensar

Esconder nossos anseios como moeda para sermos aceitos

Esse é o preço que se paga para uma relativa paz

A complexidade da liberdade exterior pela interior sufocando nossos direitos



Ter liberdade para agir não significa, necessariamente, ter liberdade para ser.

Sua liberdade independe do que pensam sobre quem você é e seu jeito de viver.

O conceito mais profundo não consiste em contrariar ninguém, mas em

não abandonar a própria consciência para conquistar o direito de pertencer.



Manoel Claudio Vieira - 13/10/26 - 05:28





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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A lição do cinzel



Olho no espelho e não me espanto;

Não são os sinais do tempo que me perturbam.

O que se foi pertence ao passado;

O hoje, sim, é aquele que me faz questionar.



A finitude do tempo é inquestionável.

O imediatismo presente faz da vida algo sem valor.

As perspectivas não se perturbam com o envelhecimento;

Afinal, somos contados como números: pouco importa o seu amor.



O passado deixa de ser visto como um tempo de aprendizado

E é tratado como algo encerrado, que já cumpriu seu papel.

Esqueceram que ele consumiu parte de sua vida

As cicatrizes ficaram, representadas como fragmentos esculpidos pela ação do cinzel.



Assim como tudo na história tem seu curso,

A arte da construção tem um custo e um quê de verdade.

As lascas retiradas à força deram vida à escultura;

As cicatrizes em cada marca são o sinal vivo da própria identidade.



Amadurecer e construir-se como verdadeiro tem seu preço.

A identidade exige o custo da experiência pessoal.

Muito se aprende com os tolos, mas é quase sempre algo passageiro;

O refino das lições que advém dos sábios na vida é o principal.



Não coloque o aprendizado com tolos e sábios no mesmo patamar;

Estabeleça em sua vida uma hierarquia de valores.

Enquanto um é raso, passageiro, mutável e sem conteúdo,

O outro vem da sabedoria acumulada pelos séculos, sem perder seu valor.



Manoel Claudio Vieira - 05/10/26 - 01:38h



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