Com o tempo, aprendeu a escrever,
Muito cedo percebeu que as palavras tinham o poder de falar.
A escrita passou a ser sua confidente diária;
As horas vazias ganharam cor, pois tinha alguém com quem conversar.
Aprendeu a domar a madeira,
a dar novas formas, transformando seu exterior.
Tornou-se um passatempo lapidar a matéria,
e foi assim que começou a mudança em seu interior.
Foram inúmeros os processos para dar à vida um sentido;
um aprendizado puxa o outro, aliviando a solidão.
Enquanto um transforma perdas em eternidade,
outros apuram a sobrevivência em nova criação.
Pela escrita era preenchido o silêncio;
moldar a matéria foi o ponto de partida da reconstrução.
Foram estes os primeiros passos lapidando o sentimento:
um diário de vida presente exposto em uma nova versão.
Por vezes, o isolamento soava intransponível;
o som que mais se ouvia era o das batidas do coração.
Em outras — muitas outras —, o medo de não ser compreendido era maior.
Os entalhes na madeira foram as veias em veredas de seu passado.
Nada nesta vida acontece de forma passiva;
ela exige trabalho interno e externo em nosso ser.
Todo cuidado se faz presente: os cupins são eternos parasitas,
destruindo a estrutura de dentro para fora em seu viver.
Manoel Claudio Vieira- 09/09/26 - 02:40h
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