terça-feira, 21 de abril de 2026

Além do verniz

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Até quando as aparências entregam a verdade?

Até quando se deve confiar em quem um dia te cativou?

Difícil acreditar, mas, quando a farsa termina e os olhos se abrem,

o que a gente sentia deixa de ser real para se tornar apenas mais um momento de dor.

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Aparências foram como o verniz cobrindo uma tela,

a camada mais superficial encobrindo a pintura.

Quando se desgasta, percebe-se o quanto escondia.

A verdade é uma força latente que, cedo ou tarde, se revela nua.

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E a mentira como subterfúgio da própria negação,

momento de verdade, porém doloroso.

A dificuldade em acreditar não é por falta de evidências,

é porque a verdade dói bem mais que a mentira.

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Como um processo de maturação forçada, vem a perda da ingenuidade.

A pior decepção não é descobrir como, na verdade, o outro agia por trás de cada ação,

mas olhar para trás e sentir que a nossa entrega foi um desperdício,

e seguir em frente agora com a visão mais aguçada que o coração.

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Ser enganado gera uma ferida que deixará marcas,

é devastadora, pois ataca em dois flancos: inteligência e discernimento.

Acabamos nos punindo por não termos visto os sinais, por mais óbvios que fossem.

Lamentável: fazíamos vista grossa ao mais leve pensamento.

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E assim a vida acontece — o que um dia se foi, certamente, no outro voltará.

Desta vez mais forte, temperada pela experiência e menos regada pela intuição.

Ter sido humano foi o menos difícil; porém, trair a confiança serviu de lição.

Siga em frente: o que um dia acreditei hoje é passado. Vai na paz, meu irmão.

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Manoel Cláudio Vieira – 21/04/26 – 02:55





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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ritual da caducidade



Longe do mundo, distante do meio,

um espaço desabitado: meu quarto de guerra.

Em paz com a solidão, costuro pensamentos;

nesse lugar, mantenho encontros com minha fera.


Muito fácil se perder em alguém.

Certas horas são difíceis de sustentar a autonomia.

Um encontro de forças converge para o papel;

nele, o eu se dissolve, a energia se amplia

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Um estado de profunda meditação.

Histórias vividas, pensamentos flutuam como se estivessem soltos.

Poucas referências internas e afetivas;

local onde se fica fora de si e se começa a viver o outro.

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Um ritual de trocas acontece.

A dissolução do eu pela manutenção de um vínculo com a caducidade.

Não acontece de uma vez; é um processo silencioso e dinâmico.

Interpretação de silêncios, onde a presença é alívio e a ausência, instabilidade.

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Vivemos nossa história em meio a uma diabólica concomitância social.

Alguns, dependentes da própria dependência,

já não sabem mais quem eram nem o que se tornaram.

Apenas sabem que, sem o outro, não sobrará nada de sua essência.

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Nascemos com um prazo de validade.

A vida é um processo de experiências — não importa a idade.

Há consciência, mesmo que inconsciente, em tudo que se sustenta;

o que nos salva é a lucidez em face da própria vulnerabilidade.



Manoel Cláudio Vieira – 16/04/26 – 23:43h








quarta-feira, 15 de abril de 2026

O corpo é um carcere, mas a alma não é prisioneira



O que ele diz não está escrito em palavras.

Por mais que busquem motivos, nenhuma explicação se mostra verdadeira.

Embora pareça aprisionada, ela é livre.

Seu corpo é um cárcere, mas sua alma não é prisioneira.



Singra os mares, navega ao sabor das ondas.

Mesmo as mais fortes tempestades não alteram sua direção.

Não tem morada fixa — flutua sobre as águas.

Tem sua identidade ancorada na liberdade singela de um coração.



Seu tempo não é linear — vem e vai em ondas.

A liberdade se recusa a impor limites ao seu ser.

Não há pressa… a vida tem andamento controlado.

As alterações são fruto de uma mente ativa em seu viver.



Sofre, mas não se entrega à própria dor.

Seu corpo pode ser contido, o tempo roubado.

O ambiente é incapaz de mudar seu juízo,

mas sua essência se mantém para desespero dos agregados.



Questão: até onde o ambiente limita, até onde o indivíduo resiste?

Ele pode muito, mas raramente determina o que é a verdade.

Reduz experiências, empobrece pensamentos.

Reprograma a vida quando o vivente se rende à fútil realidade.



Em uma vida sem propósitos, estrada sem destino,

os valores do ambiente tendem a vencer.

Pergunta que se faz a toda hora:

quanto tempo se consegue sustentar a própria consciência antes de ela ceder?



Somos produtos do meio ou agentes de transformação?

Embora o ambiente limite, distorça a mente, desgaste a verdade,

ele não define quem você é nem a ânsia de ser verdadeiramente livre.

Resista… um navio submerge quando as “águas” o invadem e não saem de você.




Manoel Cláudio Vieira – 15/04/26 – 01:52

terça-feira, 14 de abril de 2026

Solitude

 


Entre erros e acertos, duvidas e conjecturas

De um tempo aparando arestas, aceitando diferenças honrando sua própria opinião

Perdoar a si mesmo dando a volta por cima nos grandes problemas

Seguir seu caminho consciente de seus limites ainda que o mundo diga não



Não ter medo se um dia precisar lembrar do passado,

perdoar é difícil - ainda assim releve quem um dia tentou te diminuir.

Entenda:ao final do embate, você continua o mesmo, apesar de tanto desgaste.

Celebre sua individualidade — o caráter não se mede pelo que se conquista,

mas pelo valor que não se vende



Entre estar só e ser solitário ha uma diferença gerando muita confusão

Um se resume a um estado físico, outro, emocional

No primeiro você esta só mesmo inserido numa multidão

No segundo, a diferença é interna/existencial – é você com você a questão



Muitas são as causas do primeiro…

Falta de pertencimento e a sintonia com o meio é a maior

você observa o mundo, procura entender as pessoas porém não é livre para discordar

Esse contraste entre o barulho externo e o silencio em sua boca é o que torna tudo pior



O segundo tem como cerne questões de foro intimo

Ocorre quando seus sentimentos, medos e a essência de seu ser deixam de ser vistos/validados

E quando você fala mas não é ouvido, aparece mas ninguém vê

Não e a falta física e sim a carência de compreensão por não ser lembrado.



Uma palavra bem pouco usada responde esse imbróglio

Ela é o fruto de um processo continuo de reeducação emocional no dia a dia

Solitude: e a escolha consciente e prazerosa de estar sozinho

E a arte de apreciar a própria companhia



Manoel Cláudio Vieira – 14/04/26 – 02:11h





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segunda-feira, 13 de abril de 2026

O paradoxo da liberdade



Em paz com a própria solidão,

raramente se depende de alguém.

A liberdade que se tem não conhece limites;

brinca-se com o tempo, como se não houvesse além.


Essa é uma das fases da vida: o tempo da autossuficiência.

A independência é vista como o triunfo da liberdade sobre o tempo.

Com poucos, ou quase nenhum, compromissos, a vida acontece.

A maturidade vem, e a liberdade se transforma em isolamento.


Nessas horas, buscamos alguém com quem falar.

A lista de amigos, que sempre foi pequena, mostra-se diminuta.

A verdade é que o tempo, que antes sobrava, hoje míngua.

Quem outrora pedia aconchego, hoje se faz resoluto.


Dessas relações, resta muito pouco.

Quiçá as lembranças de um passado que já não existe mais.

A segurança antes buscada foi encontrada dentro de si,

e aprenderam, na vida, a ser o próprio abrigo?


O que se pode meditar sobre o hoje, diante dos momentos vazios?

Tenho em mim que ele não é tão somente o tempo presente.

O hoje é fruto de um processo de alterações diárias:

o somatório das interações antigas e recentes.


Dizem que a tecnologia veio para preencher essa lacuna.

É verdade: ela supre, em parte, esse vazio existencial

e é o meio onde a batalha entre a carência e a resolução acontece.

Porém, o olho no olho — verdade nua —, mais que palavras, gera a empatia que cura esse mal.



Manoel Claudio Vieira – 13/04/26 – 02:41h





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