terça-feira, 31 de março de 2026

A matemática do ser





Onde a logica encontra a abstração

Este é o lugar almejado para o colóquio dos benditos,

onde a vida deixa rastros de sua agitação.

Este é o ponto infinito.




É a mãe de todas as retas,

o gerador das formas lineares,

o amor não correspondido — a interseção em um único ponto,

o par ordenado por eixos em determinados lugares.




Sem área nem volume, mas com peso,

cada um com seu destino e direção,

condição necessária para a existência:

infinitos pontos que se tocam em um único lugar, delimitando uma função.




Assim é a vida… uma sequência interminável de eventos.

Anos, dias, horas e minutos são a parte menos complexa de uma história.

Quando nascemos, dentro de nós vem embutida uma singularidade.

Sozinhos somos pequenos, porém, unidos, deixamos marcas de um amor fincadas na memória.




Aos olhos do mundo, sem uma formação, não somos nada. Porém,

por mais arcaico que pareça, o homem permanece vivendo uma contradição flagrante.

A maioria vive de aparências, procurando ser o que não é.

Como diria Raul Seixas, uma metamorfose ambulante.





Manoel Cláudio Vieira 31/03/26 – 01:36h





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terça-feira, 24 de março de 2026

Alguém te espera



Seja na sua vida pessoal ou em comunhão,

a espera é sempre tediosa, um momento difícil.

Um esforço incomum para manter algo vivo,

um exercício diário de disciplina quando vidas compartilham o mesmo pulsar



Um certo desgaste nos momentos mais serenos,

uma velada quietude quando se fala em resistência.

Sempre, algo mais reflexivo é a melhor saída;

o sensorial traz a carga profunda de uma breve ausência.



Ha muito mais neste mundo do que sentir

E também sustentar, esperar e resistir por dentro

Quando tudo soar desgastante é eco do você esta vivendo

Em paz, sua psique o sustentara alheio resistindo aos maus sentimentos 



Filosófica e introspectiva, emocional e confessional:

Saídas: sentir o momento, avaliar a ocasião, colocar em prática o amor.

Como humanos, nossas histórias não seguem uma linha contínua;

nem os racionais, de psique madura, nem os vulneráveis afetivos assumem a dor.



Quando tudo parece sem saída,

quando o dia nasce, mas o sol não está brilhando,

quando a solução parece distante, sorria —

pode parecer que não, mas é certo que Ele está nos esperando.




Manoel Cláudio Vieira - 24/03/26 - 03:24h




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sábado, 21 de março de 2026

Do afeto a necessidade



Dos sentidos, o amor é o mais nobre.
Dos sentimentos, o mais romântico.
Indescritível é a ameaça feita aos homens
quando o funk pisoteia a nobreza, enaltecendo o errante.


Ele é a chama que não se apaga,
a necessidade diária de estar presente,
o que reestrutura a percepção que temos da vida
e o que nos faz viver num mundo onde todos parecem ausentes.


Somos dependentes desse amor,
alguns, dependentes dessa dependência.
Por vezes, a solidão tem efeito analgésico,
onde o antídoto é esse amor preenchendo esse vazio subitamente.


Observe seu amor dormindo, os traços em seu rosto:
ele parece entregue, sem máscaras.
Na vida diária, o ideal seria que esse momento não fosse um sonho.
Sentimentos mútuos transcendem a dor enquanto o tempo passa.


Trabalho diário, dias de intensa labuta.
Na linha do horizonte, pouca coisa além de incertezas.
Em seu lar, exausto ao extremo, ele vem, diz seu nome, dá um beijo.
Pronto: o sol oculto volta a brilhar nas entranhas de suas caldeiras.


Num mundo tão desigual, muitos acabam carentes:
sinais de acolhimento, a sintonia de um ombro aberto à saudade.
O alívio da dor de uma vida onde o tempo não passa se completa.
Nossas relações, além de afeto, são também necessidade.





Manoel Cláudio Vieira 21/03/26 - 04:08h





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sexta-feira, 20 de março de 2026

Espelhos sem imagens



Plantou a semente...

Por um tempo ele a viu crescer

Não ficou para os primeiros passos

Ausência forçada,  presença invisível, futuro incerto

Um espelho sem imagem pela vida começou  viver



Deu a vida, mas não a vivência,

um vínculo de intenções não realizado.

Laço cortado antes da materialização:

um não viu a chegada; o outro, a partida.



Luto ancestral de entrada, dívida impagável.

O pai foi a andorinha que voou antes do verão.

O filho, num olhar de saudade do que não viveu,

a construção de uma identidade baseada em ecos e nãos.



Pressão inconsciente para ser a “prova”.

Saudade abstrata, melancolia contemplativa.

Presença que reverbera através do tempo.

Vidas passadas que não se encontram, verdades não vividas.



Visão etérea, silenciosa e invisível.

Descrição da angústia de ser sem ser visto.

A vida pode ser dada e retirada sem aviso.

No rastro das intenções, resta apenas viver




Manoel Claudio Vieira - 20/03/26 - 01:13h





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quarta-feira, 18 de março de 2026

A frágil fronteira



Entre o que penso e o que sou,

uma tênue linha demarca os limites dessa condição.

O destino outrora planejado e o presente obtido

foram marcados por momentos de efêmera, porém terna relação.



Na linha da vida buscamos sempre um sentido,

muitas foram as vezes em que procuramos dar ordem ao caos.

A consciência da finitude aflora os extremos de segurança e abandono,

estreitando as fronteiras: o bem, com frequência, se equipara à relatividade moral.



Estranhas são as situações vividas ao longo de uma história.

Enquanto algumas giram em torno de controle, segurança e crenças,

outras lidam com a sensação de medo, desamparo e pobreza social.

A vida tornou-se uma incógnita, mistura explosiva ao colocar em xeque essa moral.



São muitos os argumentos usados para amenizar nossa condição.

Tornar as distinções morais menos absolutas é um dilema.

Buscar um sentido ao relativizar uma sociedade caótica

em nada nos afasta do mal — piora substancialmente o problema.



A história mostra o quanto somos frutos de uma construção.

Perdemos a capacidade de distinguir claramente o bem do mal.

A banalização das atitudes condenáveis passou a ser uma constante.

Uma simples reflexão passa a ser um atentado à paz social.



Conclusão: impossível dormir com barulhos desses.

O que parecia solução, na realidade, criou um novo problema.

Embora as fronteiras morais tenham sido relativizadas,

não eliminamos o mal — escondemos bem melhor esse dilema.




Manoel Cláudio Vieira – 18/03/26 – 00:57h





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