sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Velhos erros.



Muito se fala de um tempo que há muito se foi,

Das agruras vividas no cotidiano pelos nossos pais.

O futuro que prometia uma vida livre veio,

Mas o reflexo no espelho permanece como nos tempos abismais.



Toda transição histórica tem um preço impagável.

O presente traz as amarras do passado como num eterno flerte.

O que um dia parecia superado, voltou à tona:

Sob uma nova face, os vícios continuam, a história se repete.



Por maior que seja o sofrimento, nada acontece por acaso;

a necessidade de se reinventar mostra números cruéis.

O avanço do tempo guarda singularidades passadas:

quem hoje oprime, guarda em suas veias o mais puro fel.



As ferramentas mudaram, mas o vicio perpetua velhos erros

O núcleo da fornalha permanece idêntico ao trabalhar

Na impressão de novo, bandeiras ganharam novas matizes

O diabo ensina a fazer a sopa, mas não da a tampa para o caldeirão tampar



Nada nesse sistema garante a mínima evolução.

O presente persiste em aprimorar as fórmulas do passado.

A história humana jamais será uma linha reta:

sorria — será sempre uma espiral com degraus previamente marcados.



Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 05:31h




A segunda pele.

 


Tantas foram as despedidas,

Os encontros que um dia tivemos sempre me fazem lembrar.

A trajetória de uma vida é feita de momentos;

Por vezes, penso nas vezes que desejei contigo para sempre ficar.



O tempo é o senhor de todas as questões;

É natural crescer buscando em nossa história um objetivo.

Por longos anos aprendemos a não ser mais um;

Os sonhos, bem como os desejos, nunca morrem sem nunca terem acontecido.



Breve reflexão sobre o tempo onde construímos esse cenário;

Tempo, memória e o valor dos momentos formaram profundas conexões.

Idas e vindas, chegadas e partidas — as que mais marcaram

Permanecem indeléveis nos momentos significativos em nossos corações.



E quando esse outro somos nós,

Um certo desejo de eternidade faz-se presente.

A face oculta que em sonhos vinha nos resgatar,

E a parte que procura congelar o passado para que ele dure para sempre.



Levado ao extremo, inconscientemente recusamo-nos a dormir

Fechar os olhos para, neste ínterim, não perder um só momento;

Feito uma cápsula perdida, navegamos num tempo não cronológico,

Entre a filosofia de vida, o tempo vivido no espaço de nossa história.



O tempo passa e deixa suas marcas sedimentadas;

Quando ele se encontra com a memória, a vontade é de parar.

A segunda pele, aquela que ora habito, hoje é minha confidente,

E aquela que outrora vinha em sonhos, hoje o menino vem consolar.




Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 - 02:02h



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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O pequeno grande cais.




Naveguei por mares distantes

Provei quase todo tipo de maré

Nada poderia ser mais reconfortante

Meu lar, seu pequeno cais, ungidos pela fé



Pelo tanto que pesquisei nessas viagens,

por longos anos procurei dar sentido a cada momento.

Meus sentimentos perambulavam como nuvens passageiras,

pairando num céu ao sabor dos ventos.



Conheci terras maravilhosas, porém

Nada me consagrou tanto quanto o meu lar.

Bem mais que um porto seguro, é meu conforto afetivo;

Encontrei a razão de ser e nele consagro minha paz.



Nessas andanças, deparei-me com pessoas se dizendo enciclopédias.

De fato, tinham uma bela capa, aparentando um bom número de folhas.

Pelo contato, nas poucas abertas, total decepção:

Muitas fotos, pouco conteúdo, uma réstia de valores.



Complexo roteiro: primeiro você parte, navega,

busca novos horizontes e se depara com fatos que vão muito além.

Sorve do conhecimento, prospecta o âmago das pessoas e

enxerga aquilo que existe de essencial em alguém.



O que existe por trás daquilo que vemos,

se o que sentimos quase sempre é maior?

A maturidade talvez não esteja em conhecer todos os mares,

mas sentir que o seu pequeno cais será sempre o melhor.




Manoel Claudio Vieira 10/09/26 - 02:15 h




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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A fragilidade da alma



Com o tempo, aprendeu a escrever,

Muito cedo percebeu que as palavras tinham o poder de falar.

A escrita passou a ser sua confidente diária;

As horas vazias ganharam cor, pois tinha alguém com quem conversar.



Aprendeu a domar a madeira,

a dar novas formas, transformando seu exterior.

Tornou-se um passatempo lapidar a matéria,

e foi assim que começou a mudança em seu interior.



Foram inúmeros os processos para dar à vida um sentido;

um aprendizado puxa o outro, aliviando a solidão.

Enquanto um transforma perdas em eternidade,

outros apuram a sobrevivência em nova criação.



Pela escrita era preenchido o silêncio;

moldar a matéria foi o ponto de partida da reconstrução.

Foram estes os primeiros passos lapidando o sentimento:

um diário de vida presente exposto em uma nova versão.



Por vezes, o isolamento soava intransponível;

o som que mais se ouvia era o das batidas do coração.

Em outras — muitas outras —, o medo de não ser compreendido era maior.

Os entalhes na madeira foram as veias em veredas de seu passado.



Nada nesta vida acontece de forma passiva;

ela exige trabalho interno e externo em nosso ser.

Todo cuidado se faz presente: os cupins são eternos parasitas,

destruindo a estrutura de dentro para fora em seu viver.



Manoel Claudio Vieira- 09/09/26 - 02:40h





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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A criança agradece



Dizem que a solidão é uma cela,
Onde, por anos, trabalhamos com afinco,
Tendo a meta de todo homem um dia formar
Um lar que o acolha, e não um novo labirinto.


Não há uma prisão que defina esse isolamento,
O maior dos problemas é sentir-se confinado em seu próprio ser.
Essa solidão não se resume a estar sozinho;
É uma cela de portas abertas onde se perde a razão de viver.


A desorientação atravessa as paredes,
O mundo torna-se um lugar estranho para se viver.
O que antes dava prazer vira um ato punitivo;
As regras já não guiam o nosso amanhecer.


Vivendo numa sociedade onde as distâncias são cada vez menores,
Por si e em si nos sentimos cada vez mais sufocados.
Esse é o resultado de tantas conexões ativas:
Acabamos esquecidos de nós mesmos, não restando sequer o passado.


Se um dia ouvir de alguém que está ficando louco,
Não estranhe, pois esta é a regra no comportamento social.
Sem espelhos com quem possa dividir seus momentos,
Perdeu-se a referência de si mesmo e de sua vida pessoal.


Este é o grande drama da solidão contemporânea:
Muita tecnologia e rara interação humana.
A superficialidade das relações empobrece a vida.
A cura? A simplicidade do olho no olho, fazendo a vida soberana.


E assim é a vida: começando pela forma mais individual,
Entendemos que a solidão não é tão somente uma ausência física.
A modernidade oferece respostas, mas está longe da cura.
Ame... A criança interior agradecerá o retorno à vida.




Manoel Claudio Vieira - 08/09/26 - 05:15h







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