quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O pequeno grande cais.




Naveguei por mares distantes

Provei quase todo tipo de maré

Nada poderia ser mais reconfortante

Meu lar, seu pequeno cais, ungidos pela fé



Pelo tanto que pesquisei nessas viagens,

por longos anos procurei dar sentido a cada momento.

Meus sentimentos perambulavam como nuvens passageiras,

pairando num céu ao sabor dos ventos.



Conheci terras maravilhosas, porém

Nada me consagrou tanto quanto o meu lar.

Bem mais que um porto seguro, é meu conforto afetivo;

Encontrei a razão de ser e nele consagro minha paz.



Nessas andanças, deparei-me com pessoas se dizendo enciclopédias.

De fato, tinham uma bela capa, aparentando um bom número de folhas.

Pelo contato, nas poucas abertas, total decepção:

Muitas fotos, pouco conteúdo, uma réstia de valores.



Complexo roteiro: primeiro você parte, navega,

busca novos horizontes e se depara com fatos que vão muito além.

Sorve do conhecimento, prospecta o âmago das pessoas e

enxerga aquilo que existe de essencial em alguém.



O que existe por trás daquilo que vemos,

se o que sentimos quase sempre é maior?

A maturidade talvez não esteja em conhecer todos os mares,

mas sentir que o seu pequeno cais será sempre o melhor.




Manoel Claudio Vieira 10/09/26 - 02:15 h




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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A fragilidade da alma



Com o tempo, aprendeu a escrever,

Muito cedo percebeu que as palavras tinham o poder de falar.

A escrita passou a ser sua confidente diária;

As horas vazias ganharam cor, pois tinha alguém com quem conversar.



Aprendeu a domar a madeira,

a dar novas formas, transformando seu exterior.

Tornou-se um passatempo lapidar a matéria,

e foi assim que começou a mudança em seu interior.



Foram inúmeros os processos para dar à vida um sentido;

um aprendizado puxa o outro, aliviando a solidão.

Enquanto um transforma perdas em eternidade,

outros apuram a sobrevivência em nova criação.



Pela escrita era preenchido o silêncio;

moldar a matéria foi o ponto de partida da reconstrução.

Foram estes os primeiros passos lapidando o sentimento:

um diário de vida presente exposto em uma nova versão.



Por vezes, o isolamento soava intransponível;

o som que mais se ouvia era o das batidas do coração.

Em outras — muitas outras —, o medo de não ser compreendido era maior.

Os entalhes na madeira foram as veias em veredas de seu passado.



Nada nesta vida acontece de forma passiva;

ela exige trabalho interno e externo em nosso ser.

Todo cuidado se faz presente: os cupins são eternos parasitas,

destruindo a estrutura de dentro para fora em seu viver.



Manoel Claudio Vieira- 09/09/26 - 02:40h





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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A criança agradece



Dizem que a solidão é uma cela,
Onde, por anos, trabalhamos com afinco,
Tendo a meta de todo homem um dia formar
Um lar que o acolha, e não um novo labirinto.


Não há uma prisão que defina esse isolamento,
O maior dos problemas é sentir-se confinado em seu próprio ser.
Essa solidão não se resume a estar sozinho;
É uma cela de portas abertas onde se perde a razão de viver.


A desorientação atravessa as paredes,
O mundo torna-se um lugar estranho para se viver.
O que antes dava prazer vira um ato punitivo;
As regras já não guiam o nosso amanhecer.


Vivendo numa sociedade onde as distâncias são cada vez menores,
Por si e em si nos sentimos cada vez mais sufocados.
Esse é o resultado de tantas conexões ativas:
Acabamos esquecidos de nós mesmos, não restando sequer o passado.


Se um dia ouvir de alguém que está ficando louco,
Não estranhe, pois esta é a regra no comportamento social.
Sem espelhos com quem possa dividir seus momentos,
Perdeu-se a referência de si mesmo e de sua vida pessoal.


Este é o grande drama da solidão contemporânea:
Muita tecnologia e rara interação humana.
A superficialidade das relações empobrece a vida.
A cura? A simplicidade do olho no olho, fazendo a vida soberana.


E assim é a vida: começando pela forma mais individual,
Entendemos que a solidão não é tão somente uma ausência física.
A modernidade oferece respostas, mas está longe da cura.
Ame... A criança interior agradecerá o retorno à vida.




Manoel Claudio Vieira - 08/09/26 - 05:15h







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domingo, 6 de setembro de 2026

A verdadeira prisão


Um mundo gerado pela ambição,

Impérios de mentira que pairam no ar.

Castelos de areia desfazendo-se ao chão,

E os seres humanos buscando o direito de em paz habitar.


O amor não necessita de acontecimentos extraordinários.

A maneira como alguém nos encanta já diz muito de seu ser.

Ver a luz em cada um de seus gestos são diretrizes de profundidade absoluta.

O alívio acontece quando encontramos quem transforme a dor presente em vontade de viver.


Sinto a luz em quem labora com a paciência de um mestre.

Mais que palavras que nos ensinam, seu coração demonstra o quanto amou.

Seus gestos transformam a percepção que se tem da realidade oculta.

Quem os conhece carrega para sempre aquilo que um dia experimentou.


Eles nos ensinam a pensar e a enxergar com profundidade.

Afirmam que, além da gaiola, encontraremos a liberdade à frente.

Há o pássaro que voou, mas continua preso; e aquele

Que partiu, construiu a armadilha dentro de si e a habita no presente.


Conhecemos melhor aquilo que um dia perdemos.

Através deles temos noção clara do quanto conseguimos amar.

A questão é: o que permanece de algo ou alguém que nunca tivemos?

Voltamos ao pássaro que saiu da gaiola, mas continua prisioneiro no mesmo lugar.


Quando alguém representa durante anos um personagem,

questiona-se onde termina a representação e começa sua pessoa.

Se as qualidades de um filho determinam quem é seu pai...

Se faz uso de máscaras, por que esconde de si mesmo a própria pessoa?



Manoel Claudio Vieira - 06/09/26 - 01:23h




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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Manifesto a vulnerabilidade


Precisamos dar um tempo

Nem tudo que se vê de fato é

Conseguimos muito bem enganar quem nos vê

Porém, o pior acontece quando nós mesmos da vida perdemos o pé



O hoje parece infinito quando o dia não passa

Contamos minutos esperando algo acontecer

Fazendo o possível para preservar os bons momentos

Às vezes, não encontramos forças para viver



Após algum tempo percebe-se com clareza o contraste outrora vivido

A maturidade vem em ondas e por vezes demora a acontecer

Quem vive numa bolha não percebe que entre independência e necessidade

há uma enorme distância e é ela que dá o tino à existência que nos faz viver



Voltar aos eventos de quem um dia nos foi importante

Quando o que sentimos é verdadeiro, a autossuficiência se dilui

A tentativa de prolongar a presença do outro é clara:

As máscaras outrora usadas são a evidência do espaço vazio



Em síntese, este é um ensaio sobre a vida e suas nuances

Fingir que estamos bem só escancara o buraco da ausência

Não se nega a dor e sua aceitação torna o mundo melhor

O amor verdadeiro é o que dá vida à existência



A força que move uma vida não está em fingir

São muitos os eventos que nos atingem, não há como negar

O amor, os sonhos e a coragem de encarar o que temos pela frente

São o manifesto da vulnerabilidade que transforma a ópera da vida num ato de amar




Manoel Claudio Vieira - 03/09/26 - 00:09h




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