quarta-feira, 27 de maio de 2026

O silencio por testemunho



Não é um abraço que repara o silêncio

Palavras simples falam muito mais ao coração

São tantas as vezes em que queremos voltar atrás

Porém, fomos ensinados a não demonstrar nossas emoções



Um dia nos disseram que chorar era coisa de maricas

Só não nos disseram que engolir calado teria consequências maiores

Se um dia admitimos que as lágrimas eram sinais de fraqueza,

Natural seria encarar o silêncio como a maior das penitências.



Nem sempre conseguimos expressar o que sentimos

Resta, como último suspiro, salvar o que sobrou

Quando fragilizados, faltam palavras que deem sentido ao que sentimos

O amor sem comunicação é resultado das cinzas que o fogo deixou



“Desculpe”, “me perdoe”, “eu te amo”

Palavras difíceis de se pronunciar

Orgulho, medo e vulnerabilidade são bloqueios mundanos

Que, por vezes, fazem a vida e tudo nela desandar



Devagar, pausadamente, busque em si as raízes dessa repressão

Silêncio e orgulho jamais serão mecanismos de defesa

O primeiro não passa de uma forma lenta de destruição

O segundo, em forma de soberba, é o que sepulta sua própria natureza



Lembre-se: o amor sobrevive dentro das pessoas

A seu modo, demonstre-o, não importa o tempo ou a ocasião

Quem cala o transforma em saudades

Quem o explana é mestre em dar asas à sua missão




Manoel Cláudio Vieira 27/05/26 – 01:25h

domingo, 24 de maio de 2026

A dadiva do néscio



Embora continuemos humanos,

embora procuremos transmitir vida e consciência,

quanto mais o tempo passa, mais eu me pergunto:

como permanecer em um mundo que nos empurra para a indiferença?


Vivemos permeados pela dor e pela solidão.

Os males da alma mostram-se silenciosos.

Muitos carecem de relações verdadeiras,

buscando no outro uma cura como mero fermento biológico.


A existência é um processo de cultivo, propósito e amadurecimento.

Difícil é viver em um mundo cada vez mais carente dessas relações.

O desgaste produzido pela sociedade humana é tremendo,

E o fruto a se colher por tamanha falta de reflexão.


Valorize sua infância; reveja os primeiros aprendizados.

A criança dentro de si carrega a essência daquilo que lhe é mais puro.

Mesmo na dor, encontre um sentido para a parafernália em que vivemos.

Cresça como homem, porém, em certas ocasiões, comporte-se como um nascituro


Não pense a vida como algo superficial.

Creia na transformação e na dignidade como fontes de esperança.

Tenha dela uma visão idealista, mas não ingênua.

Continue acreditando na dignidade como algo real, e não como mera lembrança.


A vida é intercalada por uma série de escolhas.

Não é porque você pensa diferente que deve ser visto como errado.

Tudo em sua história ocorre em um processo orgânico, ético e coletivo.

Relaxe: a dádiva do néscio é seguir a massa e todo o seu legado.



Manoel Cláudio Vieira – 24/05/26 – 04:50h




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E o resto acontece



Não descreva a vida de um homem como você a vê;

sua natureza vem das trocas afetivas em um mundo injusto.

Pare, pense, pondere e só depois escreva o que sente por trás:

a arte que vem da restauração por vezes vem do luto."



Não se avalia um livro pela capa;

ela reflete tão somente o retrato de um momento.

A essência de uma história é bem mais profunda que um simples olhar;

mesmo fechado, no tempo certo, ele floresce, dando à vida livramento.



Há quem faça da arte um refúgio secreto,

bem mais que isso: o registro de uma dor excessiva.

Assim como a vida em tempo algum se mostra estática,

ela se move se mostrando selvagem, às vezes de forma obsessiva



Mais que descritivo, seja empático:

sinta o que é transformar loucura e dor em beleza.

A essência de uma história jamais termina;

é a celebração da resiliência de um coração face à natureza




Não trate a vida de uma forma superficial;

expor a alma jamais será o retrato de uma conquista vazia.

Diálogo e vulnerabilidade são importantes ferramentas de conexão;

a grandiosidade está na simplicidade, e não em fórmulas da alquimia



Resumindo: não espere da vida um 'manual de instruções';

a grandiosidade de uma história jamais será misteriosa ou secreta.

Para viver bem não precisamos de muita coisa, apenas de coisas bem simples:

beijo doce, trato decente, a pureza do essencial... e o resto acontece




Manoel Claudio Vieira - 24/05/26 - 01:18h





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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Da semente ao fruto



Dentre as muitas lendas urbanas,

Nossa história é facilmente delineada pela semelhança com a vida de uma mulher.

com ternura e profundidade a alma de um povo

É pouco ao narrar sua resiliência frente às agruras de um mundo visto pelo viés.



A capacidade de buscar uma solução que se ajuste a um problema,

Entender os obstáculos implícitos nas entrelinhas de uma questão,

Ter o controle dos meios ao se resgatar o equilíbrio frente ao desconforto,

Dar rédeas aos problemas de forma saudável e construtiva, sem uso da vitimização



É ter os pés no chão em face da fragilidade humana

Analisar os anos como estágios deste mundo,

Recusar o cinismo do adulto mantendo a pureza e a ingenuidade da criança,

E manter o espírito de aprendiz numa sociedade gira-mundo



É ter amor às jovens promessas do futuro

E explanar o amor não só em palavras, mas em toda ação;

É saber domar o vento frente às tempestades da história

E renovar a esperança a cada passo que se dá nesse chão.



Liberdade e futuro jamais teremos garantidos

Manter viva a capacidade de se indignar

Romper os preceitos de barreiras não vividas

Respeitar o alheio sem, no entanto a ele se entregar.



Sensível a dor e no cultivo de um mundo melhor

A escolha é bela, porem carrega uma  dualidade profunda:

Se de um lado a vida e rica e não perde o brilho em significado

Pelo outro corre-se o risco de sofrer por antecipação pelo que já se viu no passado



Seja onde for, seja como for

A vida nos reserva o que um dia foi semeado

Não temos receita pronta para um mundo tão complexo, porém

Viva sua historia como herói de si mesmo amando e sendo amado.




Manoel Cláudio Vieira – 22/05/26 – 02:42h





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quarta-feira, 20 de maio de 2026

O lado de la



Primeira infância… anos da mais pura inocência

Criança aplicada, com um serrote fazia os seus brinquedos

lia muito, não saia de casa e, embora vive-se só,  nunca esteve sozinha

A madeira era sua melhor companheira e nela compartilhava seus medos


Aprendeu a conviver com a solidão.

Isolada do mundo, via a loucura como algo normal.

Era o preço por nascer sem a coluna que lhe daria prumo.

Perdida em si mesma, encarava tudo como um fardo desigual.


Anestesiada das emoções, não se considerava humana.

Distante da vida, colocada à parte, pouco se comunicava.

Apenas uma frágil carcaça com um mínimo de consciência.

Calar era a ordem — o silêncio imperava.


O curso da vida jamais foi uma linha reta - assemelhava-se a entradas em looping

Como piloto, não sabia quando seria a próxima vez

Voltando da viagem, o medo o consumia

Depositário fiel de frustrações alheia, assumia o que  fez e o que não fez


O maior sofrimento já não era mais a dor.

Era viver isolado, sentindo de fora as idas e vindas.

Era perder a capacidade de viver num mundo de vazios.

Proteger-se da dor era desconectar-se da própria vida



Assim como água nas mãos, a vida se esvai por entre os dedos.

Alheias ao mundo, distantes das emoções e, em especial, de si mesmas,

muito trabalho e pouca conversa tornam-se rotina.

Os vestígios de humanidade deixam de fazer parte de sua natureza.



Manoel Cláudio Vieira – 20/06/26 – 04:16h




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