sexta-feira, 22 de maio de 2026

Da semente ao fruto



Dentre as muitas lendas urbanas,

Nossa história é facilmente delineada pela semelhança com a vida de uma mulher.

com ternura e profundidade a alma de um povo

É pouco ao narrar sua resiliência frente às agruras de um mundo visto pelo viés.



A capacidade de buscar uma solução que se ajuste a um problema,

Entender os obstáculos implícitos nas entrelinhas de uma questão,

Ter o controle dos meios ao se resgatar o equilíbrio frente ao desconforto,

Dar rédeas aos problemas de forma saudável e construtiva, sem uso da vitimização



É ter os pés no chão em face da fragilidade humana

Analisar os anos como estágios deste mundo,

Recusar o cinismo do adulto mantendo a pureza e a ingenuidade da criança,

E manter o espírito de aprendiz numa sociedade gira-mundo



É ter amor às jovens promessas do futuro

E explanar o amor não só em palavras, mas em toda ação;

É saber domar o vento frente às tempestades da história

E renovar a esperança a cada passo que se dá nesse chão.



Liberdade e futuro jamais teremos garantidos

Manter viva a capacidade de se indignar

Romper os preceitos de barreiras não vividas

Respeitar o alheio sem, no entanto a ele se entregar.



Sensível a dor e no cultivo de um mundo melhor

A escolha é bela, porem carrega uma  dualidade profunda:

Se de um lado a vida e rica e não perde o brilho em significado

Pelo outro corre-se o risco de sofrer por antecipação pelo que já se viu no passado



Seja onde for, seja como for

A vida nos reserva o que um dia foi semeado

Não temos receita pronta para um mundo tão complexo, porém

Viva sua historia como herói de si mesmo amando e sendo amado.




Manoel Cláudio Vieira – 22/05/26 – 02:42h





.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O lado de la



Primeira infância… anos da mais pura inocência

Criança aplicada, com um serrote fazia os seus brinquedos

lia muito, não saia de casa e, embora vive-se só,  nunca esteve sozinha

A madeira era sua melhor companheira e nela compartilhava seus medos


Aprendeu a conviver com a solidão.

Isolada do mundo, via a loucura como algo normal.

Era o preço por nascer sem a coluna que lhe daria prumo.

Perdida em si mesma, encarava tudo como um fardo desigual.


Anestesiada das emoções, não se considerava humana.

Distante da vida, colocada à parte, pouco se comunicava.

Apenas uma frágil carcaça com um mínimo de consciência.

Calar era a ordem — o silêncio imperava.


O curso da vida jamais foi uma linha reta - assemelhava-se a entradas em looping

Como piloto, não sabia quando seria a próxima vez

Voltando da viagem, o medo o consumia

Depositário fiel de frustrações alheia, assumia o que  fez e o que não fez


O maior sofrimento já não era mais a dor.

Era viver isolado, sentindo de fora as idas e vindas.

Era perder a capacidade de viver num mundo de vazios.

Proteger-se da dor era desconectar-se da própria vida



Assim como água nas mãos, a vida se esvai por entre os dedos.

Alheias ao mundo, distantes das emoções e, em especial, de si mesmas,

muito trabalho e pouca conversa tornam-se rotina.

Os vestígios de humanidade deixam de fazer parte de sua natureza.



Manoel Cláudio Vieira – 20/06/26 – 04:16h




.

domingo, 17 de maio de 2026

Tocando em verdades



Não se vive por viver; a vida tem sempre um significado.

Quem sabe nas entrelinhas dessa história eu encontre um sentido entre ideias mortas.

Talvez seja melhor dar um tempo e acolher, com um segundo olhar, o que um dia encontrei.

É quase impossível viver uma vida assertiva sem compreender o que importa.



Em tudo há uma busca, viver mecanicamente não basta.

Mesmo simbólica, a experiência humana nos dá quase sempre uma nova dimensão.

Sabemos que ela existe, porém precisa ser encontrada.

Quando desnuda, faz-se necessário o confronto de velhas crenças com a nova opinião.



Nem todos os nossos projetos perderam vitalidade.

O que de verdade existe entre o que se fala e o que se tem é muito pouco.

Muito do que se vê é camuflado por ideais envoltos em belíssimas narrativas.

Entre as ruínas do que se foi, negar a precariedade do que se tem é somente para os loucos.



Reinterpretar experiências, rever julgamentos.

Olhar o passado sem a impulsividade outrora perdida.

Certas verdades só podem ser compreendidas depois do tempo;

O sentido não surge da pressa, e sim da releitura da vida.



Nessas horas, o tempo não é mais um marcador de anos.

Como maturador de consciência, em vida ele nos faz voar.

Viver rápido jamais será a meta de uma historia com significado;

O sentido não está na linha de chegada, e sim no passado folhear.



Olhe bem, preste atenção nos seus passos — passado e presente.

A clareza que encontramos é um direito que o tempo nos dá.

Não basta olhar para fora esquecendo o que se foi, as dores que um dia tivemos.

Olhar para dentro dói, mas traz a liberdade que se encontra na paz.




Manoel Cláudio Vieira – 17/05/26 – 02:26h




.

sábado, 16 de maio de 2026

O tamanho da paz



Jamais um dia questionamos ser tão difícil

Manter a palavra no meio de uma multidão.

A solidão, outrora distante, era vista como superficial;

A sensação de autossuficiência era o fruto da imaturidade de um coração.



O homem sempre teve a vida marcada por etapas;

O aprendizado que ganha vem aos poucos.

Quando não se aprende no tempo certo,

O erro tem diligência maior na vida do douto.



Quando falávamos em amor, nele não havia profundidade;

Era mais prazer que uma relação verdadeira.

O tempo foi passando, o adolescente amadureceu, tomou pé…

Ganhou o tamanho da paz, largando aos poucos a vida seresteira.



E assim acontece: o tempo passa e, mesmo acompanhados, muitos continuam sós.

Não é mais uma solidão física, e sim emocional.

Porém, as relações presentes já não suportam esse tipo de ajuste;

A superficialidade das relações não se sustenta de um modo plural.




Embora as conexões aconteçam no dia a dia,

o prazer de falar e ouvir se torna algo imperioso.

Percebe-se, contudo, a falta de uma intimidade mais longânime e verdadeira, pois

a profundidade afetiva e o olho no olho tornam tudo bem mais dadivoso.



É fato que a companhia não elimina completamente essa solidão.

A profundidade emocional tornou-se rara num mundo superficial.

Sera mesmo vantagem viver muito sem qualidade de vida?

É difícil quando as relações de troca se tornam cada vez mais raras num sistema tão desigual.



Manoel Cláudio Vieira – 16/05/26 – 01:37h




.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Testemunho da sobrevivência




Sei que tenho uma alguma habilidade com palavras

Sei também que por meio delas que parte de minha vida externei

Quando não encontrava com quem falar, a solidão marcava presença

No papel eu derramava o que tinha falar mas não a ninguém contei



O que se tinha era pouco, quase nada.

A vida era simples: um dia atrás do outro.

Os ideais beiravam a utopia, mas o papel me compreendia.

Pensar alto era ser interpretado como insensatez.



Há muito a se dizer sobre vulnerabilidade.

É complicado explicar coisas tão simples como o afeto.

O ato de escrever sempre foi uma ferramenta de sobrevivência;

aliviava a falta de compreensão alheia.



A falta de coragem amedronta, paralisa as ações,

especialmente quando a vida beira a insegurança e a timidez.

Mais do que um ato de coragem, externar o que se pensa

era criar um mundo maravilhoso para quem nasceu perdendo a própria vez.



Esse era o meu menino

Em sonhos  viajava por um universo de imagens

por lugares distantes e línguas incompreensíveis

Blindado por um anjo, nos devaneios noturnos fazia sua passagem



Pense: enquanto alguns criam um mundo maravilhoso com outros

O ato de escrever era a ferramenta que esculpia esse mundo  junto à realidade

Deixou de ser um mero registro e se tornou o cinzel moldando a brutalidade humana

Em seu estado mais puro, o menino entalhava seu mundo esculpindo a efetividade



Manoel Cláudio Vieira – 15/05/26 – 01:41h





.