sábado, 21 de março de 2026

Do afeto a necessidade



Dos sentidos, o amor é o mais nobre.
Dos sentimentos, o mais romântico.
Indescritível é a ameaça feita aos homens
quando o funk pisoteia a nobreza, enaltecendo o errante.


Ele é a chama que não se apaga,
a necessidade diária de estar presente,
o que reestrutura a percepção que temos da vida
e o que nos faz viver num mundo onde todos parecem ausentes.


Somos dependentes desse amor,
alguns, dependentes dessa dependência.
Por vezes, a solidão tem efeito analgésico,
onde o antídoto é esse amor preenchendo esse vazio subitamente.


Observe seu amor dormindo, os traços em seu rosto:
ele parece entregue, sem máscaras.
Na vida diária, o ideal seria que esse momento não fosse um sonho.
Sentimentos mútuos transcendem a dor enquanto o tempo passa.


Trabalho diário, dias de intensa labuta.
Na linha do horizonte, pouca coisa além de incertezas.
Em seu lar, exausto ao extremo, ele vem, diz seu nome, dá um beijo.
Pronto: o sol oculto volta a brilhar nas entranhas de suas caldeiras.


Num mundo tão desigual, muitos acabam carentes:
sinais de acolhimento, a sintonia de um ombro aberto à saudade.
O alívio da dor de uma vida onde o tempo não passa se completa.
Nossas relações, além de afeto, são também necessidade.





Manoel Cláudio Vieira 21/03/26 - 04:08h





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sexta-feira, 20 de março de 2026

Espelhos sem imagens



Plantou a semente...

Por um tempo ele a viu crescer

Não ficou para os primeiros passos

Ausência forçada,  presença invisível, futuro incerto

Um espelho sem imagem pela vida começou  viver



Deu a vida, mas não a vivência,

um vínculo de intenções não realizado.

Laço cortado antes da materialização:

um não viu a chegada; o outro, a partida.



Luto ancestral de entrada, dívida impagável.

O pai foi a andorinha que voou antes do verão.

O filho, num olhar de saudade do que não viveu,

a construção de uma identidade baseada em ecos e nãos.



Pressão inconsciente para ser a “prova”.

Saudade abstrata, melancolia contemplativa.

Presença que reverbera através do tempo.

Vidas passadas que não se encontram, verdades não vividas.



Visão etérea, silenciosa e invisível.

Descrição da angústia de ser sem ser visto.

A vida pode ser dada e retirada sem aviso.

No rastro das intenções, resta apenas viver




Manoel Claudio Vieira - 20/03/26 - 01:13h





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quarta-feira, 18 de março de 2026

A frágil fronteira



Entre o que penso e o que sou,

uma tênue linha demarca os limites dessa condição.

O destino outrora planejado e o presente obtido

foram marcados por momentos de efêmera, porém terna relação.



Na linha da vida buscamos sempre um sentido,

muitas foram as vezes em que procuramos dar ordem ao caos.

A consciência da finitude aflora os extremos de segurança e abandono,

estreitando as fronteiras: o bem, com frequência, se equipara à relatividade moral.



Estranhas são as situações vividas ao longo de uma história.

Enquanto algumas giram em torno de controle, segurança e crenças,

outras lidam com a sensação de medo, desamparo e pobreza social.

A vida tornou-se uma incógnita, mistura explosiva ao colocar em xeque essa moral.



São muitos os argumentos usados para amenizar nossa condição.

Tornar as distinções morais menos absolutas é um dilema.

Buscar um sentido ao relativizar uma sociedade caótica

em nada nos afasta do mal — piora substancialmente o problema.



A história mostra o quanto somos frutos de uma construção.

Perdemos a capacidade de distinguir claramente o bem do mal.

A banalização das atitudes condenáveis passou a ser uma constante.

Uma simples reflexão passa a ser um atentado à paz social.



Conclusão: impossível dormir com barulhos desses.

O que parecia solução, na realidade, criou um novo problema.

Embora as fronteiras morais tenham sido relativizadas,

não eliminamos o mal — escondemos bem melhor esse dilema.




Manoel Cláudio Vieira – 18/03/26 – 00:57h





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terça-feira, 17 de março de 2026

Os sonhos nao morrem



Os sonhos não morrem.

A vida nos oferece sempre novas oportunidades.

Quando tudo parece perdido, eles renascem,

como a água da chuva que desce dos céus com brevidade.


Quando as esperanças são coletivas,

os sonhos concebem amplas transformações.

Ideais não morrem; no máximo, transformam-se em lendas.

Aspirações atravessam tempos difíceis sem perder sua razão.


Enquanto houver vida, há a possibilidade de mudanças.

O fim de um projeto nem sempre significa o término de uma trajetória.

O passado é imutável, mas não determina os espectros futuros.

Como parte de um aprendizado, a existência deixa seus passos na história.


Nos salmos encontramos, com frequência, a restauração da alma.

Nos sonhos, a esperança de vida é a temática que se perpetua.

Se mesmo nos vales escuros, na sombra da morte, não há o que temer,

desperte: decepções acontecem, mas a vida continua.


Como motores da alma, os sonhos nos renovam.

Na vida, busque sempre quem te encoraje com ações e palavras de amor.

Nos versos de Davi, as dificuldades foram problemas, e não destino final.

Submeta-se: mesmo rei, o poeta foi ovelha, e Deus Pai, seu Pastor.



Manoel Claudio Vieira – 17/03/26 – 02:05h




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segunda-feira, 16 de março de 2026

Onde sopra o vento



Ter a liberdade de ir e vir,

pelas frestas da ocasião, voar.

Quando as estações se tornam rudes,

melhor navegar pelos vãos das massas de ar.


A vida é um mistério em mutação;

a sós, concatenamos melhor o pensamento.

O isolamento em meio à multidão

assemelha-se à própria voz do vento.


Assim como sentimos a brisa sem a tocar,

o mesmo ocorre ao homem em busca do divino.

Se um é o mensageiro sem forma nem lugar,

o outro, por sua obra, faz da história um hino.


Apesar da evolução, o início é um pequeno passo;

mesmo sem forma, o vento carrega a semente.

Se a brisa refresca o cansaço e o espaço,

o exemplo marca o coração, perenemente.


Nesta vida, as forças da natureza se dividem:

invisível e onipresente, o alento transforma a sina.

Razão e clareza na alma residem;

faça da vida a luz que, no amor, ilumina.



Manoel Claudio Vieira – 16/03/26 – 01:08h.




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