quarta-feira, 11 de março de 2026

Libertando Moisés



As flores nascem, florescem, mas um dia tem seu fim

As estrelas que mais brilham também seguem o mesmo padrão

Como parte da natureza, a vida da um tino ao destino

Como poeira no tempo, seguimos uma só direção


A finitude da vida encontra eco na natureza

Em geral, o fim é  uma constante e o medo do tolo

Comparar flores e estrelas, formas de normalizar o obvio

Morre o individuo, mas permanece o todo  


Coletivamente, ha um senso de pertencimento comum

Num curto espaço, os homens nascem, crescem, riem,choram, carregam sua cruz

Comparada a natureza, a vida humana é breve e fugidia

Porém poucos os que brilham não por reflexo e sim emanando a própria luz 


Adquira sabedoria, aprenda viver com o que tem

Não se iluda com ofertas fáceis e muito menos coisas mundanas

Sua mente é um poderoso expansor de conhecimento e se necessário

Busque na espiritualidade ancora e não justificativas


A historia nos conduz a momentos nem sempre fáceis

A maturidade procura transformar empecilhos em arte

Michelangelo buscava algo mais que dar vida a pedra

Esculpir não era criar e sim libertar Moises para uma vida à parte



Manoel Claudio Vieira - 11/03/26 - 03:40h

segunda-feira, 9 de março de 2026

Domando feras

 


A vida não se resume a um processo de transição.

Nela, buscamos dar voz à nossa identidade.

Ao buscarmos dar a ela um sentido,

Mudamos o roteiro para melhor adequação à realidade.



No início, as promessas são enormes.

Nos primeiros anos, tudo parece girar aos nossos pés.

O tempo mostra que nem sempre essa é a condição.

Abandonar velhos hábitos e abraçar o novo são premissas que sustentam nossa fé.



Nem sempre é confortável partir para "ser alguém".

Muitos levam consigo a sensação de ter traído seu meio e sua verdade.

Entre a alegria de partir e a saudade pelo que se foi,

A realização deixa um rastro entre a essência e a premente necessidade.



O que foi deixado para trás sempre será visto como autêntico:

puro, natural, pleno de encantos, porém limitado.

Essa nova vida representa o novo, mas exige sacrifícios.

A recompensa financeira nem sempre é moeda de equidade.



Como num redemoinho, o ciclo da vida dá voltas.

O processo de transição será sempre pleno de incertezas futuras.

A sedução do materialismo assemelha-se à perda d'alma.

Esta, sim, é a verdadeira dor de quem um dia viveu tamanhas agruras.



Esteja ciente: em um lugar qualquer, sempre seremos estranhos.

Vivemos em estado de vigília numa sociedade que muito espera.

Quem somos, de onde viemos, pelo que passamos — isso pouco importa.

Seja você quem for, admita: se chegou aqui é porque dominou sua própria fera.



Manoel Claudio Vieira - 09/03/26 - 01:57h

domingo, 8 de março de 2026

A geometria dos sentidos



O remédio é amargo, mas cura

A estrada é longa, o caminho nem sempre é conhecido

E certo que o dia ira amanhecer, não importa o tempo

Nada se constrói num mundo sem sentido



Olhar para trás e ver o que se foi

Constatar a ambiguidade presente na sociedade

A realidade pode ter múltiplos sentidos

O que um dia pareceu solido não passou de uma fase 



Quando a busca deixa de lado os resultados

De física, a dor passa a ser emocional

O espirito interior insatisfeito, ferido

Torna-se retrato de um fatídico deslocamento existencial



Já não basta seguir a intuição

Necessário pés no chão ao lidar com a consciência

Quanto mais nos aprofundamos na importância das histórias de vida 

O despertar espiritual se sobrepõe a própria existência



Quando algo em nos deseja partir

A busca pela autenticidade se reflete nos atos cotidianos

Nem sempre esse desejo reflete mudanças físicas

É o espelho de uma nova fase nos tornando mais humanos



As escolhas são imperiosas, não importa quando

Continuar vivendo máscaras ou enfrentar a essência

Os limites do ser humano não podem ser comprados ou vendidos

A verdadeira ascensão é interna e construída a base de tenacidade e paciência 


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Manoel Cláudio Vieira - 08/03/26 - 02:24h




quarta-feira, 4 de março de 2026

In -memoriam


 


Apenas mais um olhar perdido

Entre o passado e o presente, um vazio

A dor pelo tempo transformada em arte

As linhas de expressão fluíram como águas no curso de um rio

 


Uma trajetória de vida sendo moldada

Um diamante bruto que nasceu para brilhar opacou

Diante das telas de vivencia somos transformados

Não era dele o erro, mas sim de quem o lapidou


 

No mundo de sombras e escuridão

Pensar no presente é o que menos importa

A vida é consumida numa especie de fast-food

O peso dos erros flamba a  existência a própria sorte

 


A dualidade da vida beira limites

Uma linha tênue divisa genialidade e loucura

A dor mental passa ser o preço do talento

Desconectar-se do mundo faz n’alma uma sutura

 


Quem diria que a loucura pode ser levada como defeito

Imagine ser uma resposta explosiva a pressão externa

No fogo cruzado entre as estações da vida

Não moldam caráter e sim destroem as esperanças internas

 


A estrutura de um diamante é cristalina, transparente e isolante

Do carbono, opaca e boa condutora

Ambos feitos do mesmo elemento, mas tão diferentes

Calor e pressão transformam, mas internamente destoam .

 


Manoel Cláudio Vieira - 04/03/26 - 05:04h

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O vinho na taça



A vida é como uma estrada sinuosa

No início, inocência e descoberta - um tempo de perguntas e aprendizado.

Em alguns pontos, paradas ao longo do caminho,

Sem, no entanto, refletir as condições; o quanto andamos achando tudo um enfado.



Esse foi um tempo gasto sem pensar,

Sem medir as consequências - o amanhã era visto com ansiedade, magia, superpoder...

Jamais uma ameaça ou um tempo difícil.

Afinal, dormir até mais tarde já era, por si só, um sinal de poder.



O tempo foi passando, as estações acontecendo.

O que antes era desperdiçado, nesta etapa ganhou valor.

A ocasião de encontros e descobertas aprofundou-se;

O tempo perdido agora é economizado, dosando, com calma, o amor e a dor.



Novamente, o tempo mostrou quem ele é.

Quem aprendeu na infância e adolescência, convive bem.

Hoje vive-se com paciência, não mais correndo contra o relógio;

Caminhando com prudência, sem necessitar provar nada a ninguém.



O tempo de construção, em parte, se foi.

Aceitar as perdas com dignidade faz parte do aprendizado.

Resta agora saborear as memórias, o nascer e o pôr do sol...

Afinal, toda existência, um dia, fez parte de um plano mais ousado.



Dê graças aos céus pelo que você tem.

Na infância, o choro é passageiro; hoje, é o vinho que resta na taça.

Enquanto crianças, pensamos no que seríamos; hoje, no que se foi.

Mas, enquanto houver vida, bendiga o guerreiro que move tua carcaça.




Manoel Claudio Vieira 28/02/26 – 03:13h







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