Esperei que com o tempo o mundo fosse mudar,
Que o amadurecer fosse suficiente para alterar algumas coisas.
Certos comportamentos de criança com o tempo passam; porém,
Não imaginava que precisaria explicar duas ou mais vezes a mesma coisa
Tive a ilusão de que o tempo agiria como cura.
Bem sabemos que as mudanças acontecem sem que ninguém peça;
Não são automáticas: há sempre um período de aprendizado.
O que mais frustrou foi manter a infantilização pregressa
Tomada como marca de resistência, a imaturidade ganhou asas,
Atravessou continentes desgastando boa parte de nossos valores.
Já não é mais desatenção por não compreender o óbvio:
É a dinâmica da falta de empatia em reciprocidade ao outro
Tamanho esgotamento já não é mais algo pontual;
Há muito essa frustração ganhou cenário coletivo.
Transformou-se num comportamento institucionalizado:
Globalmente, o destino da nau dos insensatos parece perdido
Não há do que rir ao errarmos com algo ou alguém;
Atitudes impulsivas traziam arrependimento pela ação à toa.
Ocorre que o que antes era uma falha corrigida com certa vergonha,
Hoje é a escolha consciente marcando de vez o degredo da pessoa
O resgate é possível, mas demorado... é preciso investir pesado na nova geração,
Para que, em qualquer época ou idade, faça parte do currículo a responsabilização.
Mostrar aos pequenos que errar exige pedido de desculpas e
Demonstrar, na prática, que a reciprocidade é uma das mais belas formas de humanização.
Manoel Cláudio Vieira - 05/08/26 - 04:32h
.