terça-feira, 14 de abril de 2026

Solitude

 



Entre erros e acertos, duvidas e conjecturas

De um tempo aparando arestas, aceitando diferenças honrando sua própria opinião

Perdoar a si mesmo dando a volta por cima nos grandes problemas

Seguir seu caminho consciente de seus limites ainda que o mundo diga não



Não ter medo se um dia precisar lembrar do passado,

perdoar é difícil - ainda assim releve quem um dia tentou te diminuir.

Entenda:ao final do embate, você continua o mesmo, apesar de tanto desgaste.

Celebre sua individualidade — o caráter não se mede pelo que se conquista,

mas pelo valor que não se vende



Entre estar só e ser solitário ha uma diferença gerando muita confusão

Um se resume a um estado físico, outro, emocional

No primeiro você esta só mesmo inserido numa multidão

No segundo, a diferença é interna/existencial – é você com você a questão



Muitas são as causas do primeiro…

Falta de pertencimento e a sintonia com o meio é a maior

você observa o mundo, procura entender as pessoas porém não é livre para discordar

Esse contraste entre o barulho externo e o silencio em sua boca é o que torna tudo pior



O segundo tem como cerne questões de foro intimo

Ocorre quando seus sentimentos, medos e a essência de seu ser deixam de ser vistos/validados

E quando você fala mas não é ouvido, aparece mas ninguém vê

Não e a falta física e sim a carência de compreensão por não ser lembrado.



Uma palavra bem pouco usada responde esse imbróglio

Ela é o fruto de um processo continuo de reeducação emocional no dia a dia

Solitude: e a escolha consciente e prazerosa de estar sozinho

E a arte de apreciar a própria companhia



Manoel Cláudio Vieira – 14/04/26 – 02:11h

segunda-feira, 13 de abril de 2026

O paradoxo da liberdade



Em paz com a própria solidão,

raramente se depende de alguém.

A liberdade que se tem não conhece limites;

brinca-se com o tempo, como se não houvesse além.


Essa é uma das fases da vida: o tempo da autossuficiência.

A independência é vista como o triunfo da liberdade sobre o tempo.

Com poucos, ou quase nenhum, compromissos, a vida acontece.

A maturidade vem, e a liberdade se transforma em isolamento.


Nessas horas, buscamos alguém com quem falar.

A lista de amigos, que sempre foi pequena, mostra-se diminuta.

A verdade é que o tempo, que antes sobrava, hoje míngua.

Quem outrora pedia aconchego, hoje se faz resoluto.


Dessas relações, resta muito pouco.

Quiçá as lembranças de um passado que já não existe mais.

A segurança antes buscada foi encontrada dentro de si,

e aprenderam, na vida, a ser o próprio abrigo?


O que se pode meditar sobre o hoje, diante dos momentos vazios?

Tenho em mim que ele não é tão somente o tempo presente.

O hoje é fruto de um processo de alterações diárias:

o somatório das interações antigas e recentes.


Dizem que a tecnologia veio para preencher essa lacuna.

É verdade: ela supre, em parte, esse vazio existencial

e é o meio onde a batalha entre a carência e a resolução acontece.

Porém, o olho no olho — verdade nua —, mais que palavras, gera a empatia que cura esse mal.



Manoel Claudio Vieira – 13/04/26 – 02:41h





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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quando o fogo se apaga



A verdade sempre é mais fácil de se discorrer.

O tom das cores das roupas retrata a condição ora vivida.

No espelho da vida, a história nem sempre reflete a real condição.

Um sorriso no rosto, muitas vezes, é a máscara de uma existência entorpecida.



Certas pessoas fazem da vida um jogo.

Não busque uma lógica para demonstrações de afeto gratuitas, emoções baratas.

Por trás de cada atitude benevolente, há um sentimento arranjado.

Viver pode ser perigoso quando se abre excessivamente a pessoas insensatas.



Muitas são as vezes em que nos compadecemos pelo próximo.

A situação que nos é apresentada toca fundo o nosso ser.

Procuramos melhorar as coisas, doando um pouco de si.

Ledo engano: como cartas num jogo, a situação foi preparada para você se render.



Sem mácula nem culpas, são como sacerdotes guardando o fogo sagrado.

Sua aura de pureza justificaria um sacrifício pela mística na história oferecida.

Porém, por um breve descuido, deixaram a chama do templo se apagar:

a consciência chamejou, os olhos se abriram, os tolos se foram e o circo está de partida.



Embora as manhãs cinzentas pareçam desamparadas e perdidas,

a nau dos idiotas singra os mares tortuosos, mantendo uma tênue direção.

Quando não conseguir enxergar o que vem à frente, caminhe pelo instinto.

Siga em paz — o caminho será mais uma jornada de vida e está em suas mãos.



Manoel Cláudio Vieira – 08/04/26 – 02:41h





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domingo, 5 de abril de 2026

Tesouros guardados nas gavetas do coração



Juventude, época em que idealizamos um amor, alguém especial.

Com essa pessoa, possivelmente, traçar uma vida.

Não sei se, pela incapacidade de nos expressarmos, ocorreram desencontros.

Não encontramos a pessoa escolhida.



Usa-se a escrita como válvula de escape.

É normal o medo de se expor e ser rejeitado.

Mais ainda quando somos portadores de algum mal.

É comum amar, mas não ser amado.



Amor, um nobre e complexo sentimento,

no ser humano, sempre foi fonte de novas percepções.

Inúmeras são as vezes em que ele existiu, mas não ganhou forma.

Foram como cartas de amor não postadas, guardadas nas gavetas do coração.




Sempre será incerto iniciar um relacionamento,

em especial quando o par desconhece a causa de sua aflição.

A sensação de singularidade, o isolamento em que te colocam, é absurda.

A ideia de um destino comum passa longe de uma vindoura união.



Somos parte de uma conjunção de criaturas de um tempo distante,

ultrapassadas, de uma forma geral, forjadas para serem reflexivas.

Em contraste com o atual, que opta pelo consumo rápido e logo descarta,

somos como esculturas vivas: arte lapidada com filosofia, amor e aceitação — nada intempestivo.



De um amor profundo, mas não resolvido,

restam emoções momentâneas dominando pensamentos vividos.

O amor maduro é aquele que cresce com o tempo e encontra equilíbrio;

sua expressão é a obra-prima de um sentimento outrora visto como perdido.



Manoel Claudio Vieira – 05/04/26 – 02:44h


sábado, 4 de abril de 2026

A voz que condena, a que constrói.



Entre o passado e o presente,

vêm à mente as memórias;

as lembranças que teimam em vir à mente

são as mesmas que um dia marcaram nossa história.



Passado… dinheiro algum faz o tempo voltar.

O que se foi, por mais terrível que tenha sido, não se apaga totalmente.

O que um dia foi marcado pelo amor ou pela dor,

quando vem à tona, traz à boca o gosto de antigamente.



Breves momentos da mais pura introspecção,

contemplação silenciosa de momentos marcantes de nossa vida.

Fatos cotidianos, em forma de flashes, despontam de maneira natural;

quase sempre são o estopim de memórias um dia vividas.



Autoanálise criteriosa… encontro silencioso entre as próprias lembranças.

Nelas, somos carrascos e reféns de nós mesmos.

O algoz é aquele no espelho com quem diariamente nos deparamos;

julga nossa história, bloqueia sentimentos, asfixia novos modelos.



Quando convertido, ressurge como agente transformador.

Não é um ser fixo, e sim uma das funções mais nobres de nossa mente.

Quando releva o mal, constrói uma nova psique; o homem flutua.

Dos frutos do espírito, é o que mais supera os fatos mais divergentes.



O que outrora apontava erros e, aos berros, esganiçava a alma,

hoje ancora novos horizontes, com consciência e senso crítico das memórias.

As lembranças que antes doíam, hoje constroem.

Sêneca pautava a educação para a vida; Heródoto, o narrador, para a história.



Manoel Cláudio Vieira – 04/04/26 00:45h





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