Dizem que os homens têm memória seletiva.
Ao olharem para trás, apagam os medos e santificam o amor.
Com o tempo, vem a perda da inocência.
O peso da vida adulta agora é lembrado pela dor.
Nem tudo que é lembrado foi tão bonito
Muita coisa propositadamente foi deixada de lado
O que restou foi uma vida quase perfeita
Ficaria pesado lembrar que o que se foi nada teve de um sonho dourado
Um tempo visto como se a vida fosse pura, sem maldade
Sombras e decepções entravam em choque com a pureza
Tudo era parte de aprendizados aparentemente cruéis, mas no tempo certo
Nele aprendíamos cedo o que estava por trás dessa pseudo beleza
A vida passa, mas jamais deixamos de ser os mesmos
Expostos às sombras do mundo, aprendemos e vida afora, tudo mais aconteceu
Entre o sonho da beleza infantil e a realidade do conflito adulto
Criou-se um hiato espaço/tempo e por ele o tempo fendeu.
Outrora, andávamos despidos de moral, com os pés no chão
Autoridade e cuidado vinham da vigilância de nossos pais
O adulto que hoje sente falta desse cuidado, esqueceu
O tempo é um recurso escasso e linear que não volta mais
Não pense no que se foi, abandone essa angustia
Aceite o presente como luto dos invernos deixados para trás
A criança viveu um eterno presente foi incapaz de sentir
O adulto contornando problemas, vivendo em paz
Manoel Cláudio Vieira – 28/05/26 – 00:28h
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