quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ritual da caducidade

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Longe do mundo, distante do meio,

um espaço desabitado: meu quarto de guerra.

Em paz com a solidão, costuro pensamentos;

nesse lugar, mantenho encontros com minha fera.



Muito fácil se perder em alguém.

Certas horas são difíceis de sustentar a autonomia.

Um encontro de forças converge para o papel;

nele, o eu se dissolve, a energia se amplia

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Um estado de profunda meditação.

Histórias vividas, pensamentos flutuam como se estivessem soltos.

Poucas referências internas e afetivas;

local onde se fica fora de si e se começa a viver o outro.

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Um ritual de trocas acontece.

A dissolução do eu pela manutenção de um vínculo com a caducidade.

Não acontece de uma vez; é um processo silencioso e dinâmico.

Interpretação de silêncios, onde a presença é alívio e a ausência, instabilidade.

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Vivemos nossa história em meio a uma diabólica concomitância social.

Alguns, dependentes da própria dependência,

já não sabem mais quem eram nem o que se tornaram.

Apenas sabem que, sem o outro, não sobrará nada de sua essência.

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Nascemos com um prazo de validade.

A vida é um processo de experiências — não importa a idade.

Há consciência, mesmo que inconsciente, em tudo que se sustenta;

o que nos salva é a lucidez em face da própria vulnerabilidade.





Manoel Cláudio Vieira – 16/04/26 – 23:43h


quarta-feira, 15 de abril de 2026

O corpo é um carcere, mas a alma não é prisioneira



O que ele diz não está escrito em palavras.

Por mais que busquem motivos, nenhuma explicação se mostra verdadeira.

Embora pareça aprisionada, ela é livre.

Seu corpo é um cárcere, mas sua alma não é prisioneira.



Singra os mares, navega ao sabor das ondas.

Mesmo as mais fortes tempestades não alteram sua direção.

Não tem morada fixa — flutua sobre as águas.

Tem sua identidade ancorada na liberdade singela de um coração.



Seu tempo não é linear — vem e vai em ondas.

A liberdade se recusa a impor limites ao seu ser.

Não há pressa… a vida tem andamento controlado.

As alterações são fruto de uma mente ativa em seu viver.



Sofre, mas não se entrega à própria dor.

Seu corpo pode ser contido, o tempo roubado.

O ambiente é incapaz de mudar seu juízo,

mas sua essência se mantém para desespero dos agregados.



Questão: até onde o ambiente limita, até onde o indivíduo resiste?

Ele pode muito, mas raramente determina o que é a verdade.

Reduz experiências, empobrece pensamentos.

Reprograma a vida quando o vivente se rende à fútil realidade.



Em uma vida sem propósitos, estrada sem destino,

os valores do ambiente tendem a vencer.

Pergunta que se faz a toda hora:

quanto tempo se consegue sustentar a própria consciência antes de ela ceder?



Somos produtos do meio ou agentes de transformação?

Embora o ambiente limite, distorça a mente, desgaste a verdade,

ele não define quem você é nem a ânsia de ser verdadeiramente livre.

Resista… um navio submerge quando as “águas” o invadem e não saem de você.




Manoel Cláudio Vieira – 15/04/26 – 01:52

terça-feira, 14 de abril de 2026

Solitude

 


Entre erros e acertos, duvidas e conjecturas

De um tempo aparando arestas, aceitando diferenças honrando sua própria opinião

Perdoar a si mesmo dando a volta por cima nos grandes problemas

Seguir seu caminho consciente de seus limites ainda que o mundo diga não



Não ter medo se um dia precisar lembrar do passado,

perdoar é difícil - ainda assim releve quem um dia tentou te diminuir.

Entenda:ao final do embate, você continua o mesmo, apesar de tanto desgaste.

Celebre sua individualidade — o caráter não se mede pelo que se conquista,

mas pelo valor que não se vende



Entre estar só e ser solitário ha uma diferença gerando muita confusão

Um se resume a um estado físico, outro, emocional

No primeiro você esta só mesmo inserido numa multidão

No segundo, a diferença é interna/existencial – é você com você a questão



Muitas são as causas do primeiro…

Falta de pertencimento e a sintonia com o meio é a maior

você observa o mundo, procura entender as pessoas porém não é livre para discordar

Esse contraste entre o barulho externo e o silencio em sua boca é o que torna tudo pior



O segundo tem como cerne questões de foro intimo

Ocorre quando seus sentimentos, medos e a essência de seu ser deixam de ser vistos/validados

E quando você fala mas não é ouvido, aparece mas ninguém vê

Não e a falta física e sim a carência de compreensão por não ser lembrado.



Uma palavra bem pouco usada responde esse imbróglio

Ela é o fruto de um processo continuo de reeducação emocional no dia a dia

Solitude: e a escolha consciente e prazerosa de estar sozinho

E a arte de apreciar a própria companhia



Manoel Cláudio Vieira – 14/04/26 – 02:11h





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segunda-feira, 13 de abril de 2026

O paradoxo da liberdade



Em paz com a própria solidão,

raramente se depende de alguém.

A liberdade que se tem não conhece limites;

brinca-se com o tempo, como se não houvesse além.


Essa é uma das fases da vida: o tempo da autossuficiência.

A independência é vista como o triunfo da liberdade sobre o tempo.

Com poucos, ou quase nenhum, compromissos, a vida acontece.

A maturidade vem, e a liberdade se transforma em isolamento.


Nessas horas, buscamos alguém com quem falar.

A lista de amigos, que sempre foi pequena, mostra-se diminuta.

A verdade é que o tempo, que antes sobrava, hoje míngua.

Quem outrora pedia aconchego, hoje se faz resoluto.


Dessas relações, resta muito pouco.

Quiçá as lembranças de um passado que já não existe mais.

A segurança antes buscada foi encontrada dentro de si,

e aprenderam, na vida, a ser o próprio abrigo?


O que se pode meditar sobre o hoje, diante dos momentos vazios?

Tenho em mim que ele não é tão somente o tempo presente.

O hoje é fruto de um processo de alterações diárias:

o somatório das interações antigas e recentes.


Dizem que a tecnologia veio para preencher essa lacuna.

É verdade: ela supre, em parte, esse vazio existencial

e é o meio onde a batalha entre a carência e a resolução acontece.

Porém, o olho no olho — verdade nua —, mais que palavras, gera a empatia que cura esse mal.



Manoel Claudio Vieira – 13/04/26 – 02:41h





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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quando o fogo se apaga



A verdade sempre é mais fácil de se discorrer.

O tom das cores das roupas retrata a condição ora vivida.

No espelho da vida, a história nem sempre reflete a real condição.

Um sorriso no rosto, muitas vezes, é a máscara de uma existência entorpecida.



Certas pessoas fazem da vida um jogo.

Não busque uma lógica para demonstrações de afeto gratuitas, emoções baratas.

Por trás de cada atitude benevolente, há um sentimento arranjado.

Viver pode ser perigoso quando se abre excessivamente a pessoas insensatas.



Muitas são as vezes em que nos compadecemos pelo próximo.

A situação que nos é apresentada toca fundo o nosso ser.

Procuramos melhorar as coisas, doando um pouco de si.

Ledo engano: como cartas num jogo, a situação foi preparada para você se render.



Sem mácula nem culpas, são como sacerdotes guardando o fogo sagrado.

Sua aura de pureza justificaria um sacrifício pela mística na história oferecida.

Porém, por um breve descuido, deixaram a chama do templo se apagar:

a consciência chamejou, os olhos se abriram, os tolos se foram e o circo está de partida.



Embora as manhãs cinzentas pareçam desamparadas e perdidas,

a nau dos idiotas singra os mares tortuosos, mantendo uma tênue direção.

Quando não conseguir enxergar o que vem à frente, caminhe pelo instinto.

Siga em paz — o caminho será mais uma jornada de vida e está em suas mãos.



Manoel Cláudio Vieira – 08/04/26 – 02:41h





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