Entre o que penso e o que sou,
uma tênue linha demarca os limites dessa condição.
O destino outrora planejado e o presente obtido
foram marcados por momentos de efêmera, porém terna relação.
Na linha da vida buscamos sempre um sentido,
muitas foram as vezes em que procuramos dar ordem ao caos.
A consciência da finitude aflora os extremos de segurança e abandono,
estreitando as fronteiras: o bem, com frequência, se equipara à relatividade moral.
Estranhas são as situações vividas ao longo de uma história.
Enquanto algumas giram em torno de controle, segurança e crenças,
outras lidam com a sensação de medo, desamparo e pobreza social.
A vida tornou-se uma incógnita, mistura explosiva ao colocar em xeque essa moral.
São muitos os argumentos usados para amenizar nossa condição.
Tornar as distinções morais menos absolutas é um dilema.
Buscar um sentido ao relativizar uma sociedade caótica
em nada nos afasta do mal — piora substancialmente o problema.
A história mostra o quanto somos frutos de uma construção.
Perdemos a capacidade de distinguir claramente o bem do mal.
A banalização das atitudes condenáveis passou a ser uma constante.
Uma simples reflexão passa a ser um atentado à paz social.
Conclusão: impossível dormir com barulhos desses.
O que parecia solução, na realidade, criou um novo problema.
Embora as fronteiras morais tenham sido relativizadas,
não eliminamos o mal — escondemos bem melhor esse dilema.
Manoel Cláudio Vieira – 18/03/26 – 00:57h
,