terça-feira, 15 de setembro de 2026

Navios, fachadas e silêncios

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Anseios e dilemas do mundo atual:

Busca incessante pela validação da vida,

Fatos e comportamentos postos à prova,

Gente perfeita por fora, mas vazia em sua lida.

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Muito se fala em conhecer,

Pouco se estuda a dimensão da sabedoria real.

O genuíno é tratado como obsoleto,

Reflexão sobre comportamento é vista como estereótipo mental.

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Jamais se consumiu tanto conteúdo em tão pouco tempo,

Uma verdadeira obsessão pelo acúmulo de dados.

Enquanto a banalidade e a informação maciça se expandem,

O que demanda tempo e sabedoria, há muito tem sido negligenciado.

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Terceirizaram o pensar, vulgarizaram o belo,

Deixaram de olhar para o próprio comportamento como referência.

Deram vez e voz à ignorância coletiva,

Cruel é a superficialidade de uma sociedade que perdeu a sua essência.

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Enfim, trocaram a profundidade por uma bela fachada,

Triste... mas serão estes os marcos de um novo tempo?

Ao prostituírem a verdade em prol da conivência,

Aqui eu me retiro: será este o meu silêncio.



Manoel Cláudio Vieira - 15/09/26 - 03:45h

domingo, 13 de setembro de 2026

Entremundos



Bem mais que um lugar,

é também o meu espaço interior,

um universo primitivo jamais desvendado.

É lá que se labora a minha vida, com mais amor.



Distante do mundo racional e civilizado,

Dele me afasto e abandono qualquer forma de modernidade.

Ao entrar em contato com meu próprio ser, desligo-me,

mergulho profundamente dentro de mim,em qualquer uma de suas fases



Um território de achados e perdidos,

dentro de mim encontro a verdadeira paz.

A fertilidade se multiplica a cada reencontro;

a vida aflora, a cura se completa e o mundo se refaz.



Bem mais que uma fuga temporária,

a racionalidade mundana se apresenta como um perigo.

Ao mesmo tempo em que nos seduz e nos atrai,

é também matéria que nos afasta do ombro amigo



Nele encontro a melhor das formas de equilíbrio,

consigo dar números à racionalidade e ao meu mundo interior.

O que neste mundo se apresenta como ferramenta maravilhosa nos torna cativos,

prisioneiros de nós mesmos e da real dimensão do que entendemos por amor



Este, sim, é o maior dos mundos por mim conhecido.

A maior de nossas viagens ultrapassa continentes.

Viajar pelo mundo me permite conhecer lugares;

dentro de mim, descubro quem sou e assim compreendo a minha gente.



Manoel Claudio Vieira 13/09/26 - 01:13h



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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Velhos erros.



Muito se fala de um tempo que há muito se foi,

Das agruras vividas no cotidiano pelos nossos pais.

O futuro que prometia uma vida livre veio,

Mas o reflexo no espelho permanece como nos tempos abismais.



Toda transição histórica tem um preço impagável.

O presente traz as amarras do passado como num eterno flerte.

O que um dia parecia superado, voltou à tona:

Sob uma nova face, os vícios continuam, a história se repete.



Por maior que seja o sofrimento, nada acontece por acaso;

a necessidade de se reinventar mostra números cruéis.

O avanço do tempo guarda singularidades passadas:

quem hoje oprime, guarda em suas veias o mais puro fel.



As ferramentas mudaram, mas o vicio perpetua velhos erros

O núcleo da fornalha permanece idêntico ao trabalhar

Na impressão de novo, bandeiras ganharam novas matizes

O diabo ensina a fazer a sopa, mas não da a tampa para o caldeirão tampar



Nada nesse sistema garante a mínima evolução.

O presente persiste em aprimorar as fórmulas do passado.

A história humana jamais será uma linha reta:

sorria — será sempre uma espiral com degraus previamente marcados.



Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 05:31h




A segunda pele.

 


Tantas foram as despedidas,

Os encontros que um dia tivemos sempre me fazem lembrar.

A trajetória de uma vida é feita de momentos;

Por vezes, penso nas vezes que desejei contigo para sempre ficar.



O tempo é o senhor de todas as questões;

É natural crescer buscando em nossa história um objetivo.

Por longos anos aprendemos a não ser mais um;

Os sonhos, bem como os desejos, nunca morrem sem nunca terem acontecido.



Breve reflexão sobre o tempo onde construímos esse cenário;

Tempo, memória e o valor dos momentos formaram profundas conexões.

Idas e vindas, chegadas e partidas — as que mais marcaram

Permanecem indeléveis nos momentos significativos em nossos corações.



E quando esse outro somos nós,

Um certo desejo de eternidade faz-se presente.

A face oculta que em sonhos vinha nos resgatar,

E a parte que procura congelar o passado para que ele dure para sempre.



Levado ao extremo, inconscientemente recusamo-nos a dormir

Fechar os olhos para, neste ínterim, não perder um só momento;

Feito uma cápsula perdida, navegamos num tempo não cronológico,

Entre a filosofia de vida, o tempo vivido no espaço de nossa história.



O tempo passa e deixa suas marcas sedimentadas;

Quando ele se encontra com a memória, a vontade é de parar.

A segunda pele, aquela que ora habito, hoje é minha confidente,

E aquela que outrora vinha em sonhos, hoje o menino vem consolar.




Manoel Claudio Vieira - 11/09/26 - 02:02h



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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O pequeno grande cais.




Naveguei por mares distantes

Provei quase todo tipo de maré

Nada poderia ser mais reconfortante

Meu lar, seu pequeno cais, ungidos pela fé



Pelo tanto que pesquisei nessas viagens,

por longos anos procurei dar sentido a cada momento.

Meus sentimentos perambulavam como nuvens passageiras,

pairando num céu ao sabor dos ventos.



Conheci terras maravilhosas, porém

Nada me consagrou tanto quanto o meu lar.

Bem mais que um porto seguro, é meu conforto afetivo;

Encontrei a razão de ser e nele consagro minha paz.



Nessas andanças, deparei-me com pessoas se dizendo enciclopédias.

De fato, tinham uma bela capa, aparentando um bom número de folhas.

Pelo contato, nas poucas abertas, total decepção:

Muitas fotos, pouco conteúdo, uma réstia de valores.



Complexo roteiro: primeiro você parte, navega,

busca novos horizontes e se depara com fatos que vão muito além.

Sorve do conhecimento, prospecta o âmago das pessoas e

enxerga aquilo que existe de essencial em alguém.



O que existe por trás daquilo que vemos,

se o que sentimos quase sempre é maior?

A maturidade talvez não esteja em conhecer todos os mares,

mas sentir que o seu pequeno cais será sempre o melhor.




Manoel Claudio Vieira 10/09/26 - 02:15 h




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