Parecida com um rio,
A vida corre dentro de uma sucessão de margens.
Em algumas, nossos sentimentos fluem mais rápido;
Em outras, tudo passa muito devagar.
Assim como um jogo, a vida tem um destino certo.
Caudalosos ou não, os rios têm seu final ao encontrar as águas do mar.
Assim como os sentimentos, o tempo não tem volta.
Por maiores que sejam os subterfúgios e as tentativas, ninguém consegue suborná-lo.
Tudo o que um dia fizemos será levado pela corrente.
É verdade: muitos foram os frutos deixados em nossa vida diária.
Tudo o que descobrimos e desvendamos tem seu valor,
Embora o tempo passe para todos, a experiência de viver seja solitária.
Saiba lidar com o tempo — seus sentimentos são únicos.
Espero que reconheça as margens como balizas, jamais fronteiras.
Elas não nos ofertam soluções ou conforto de forma imediata;
Jamais se entregue: viva sua história como herói de si mesmo, e não mero passageiro.
É grande a tensão da experiência humana:
O instinto de sobrevivência e a consciência da finitude são o maior dos embates.
Enquanto um grita "viva!", o outro sussurra "uma hora isso vai acabar".
A resignação é passiva e triste; a aceitação é libertadora: você muda o foco e, no tempo, dá um xeque-mate.
Reconheça em sua jornada o valor da escassez.
Pense: se fôssemos eternos, brigar pela vida perderia o sentido.
A finitude pode nos dar o preço do momento, o "aqui e agora".
A aceitação é o que dá vontade de viver cada instante sem se sentir perdido.
Manoel Claudio Vieira — 05/02/26 — 03:45h