quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Camille

 


Com esmero, entregou-se à arte.

Na escola, do mestre foi ajudante.

Com espátulas esculpiu seu amor;

De principal colaboradora, tornou-se amante.


Como um oleiro, deixou digitais nas obras do amado.

Vista apenas como aluna, não teve sua força reconhecida.

Solitária, não perdeu seu encanto; independente, a flor desabrochou.

Com estilo pessoal, fez de sua arte sua lida.


Em Sakountala, na pedra entalhou a vulnerabilidade;

Em La Valse, a dinâmica e o gozo sensual;

Em Les Causeuses, a força ao captar o cotidiano;

Em L'Âge Mûr, o abandono em sua dor mais crucial.


Por tudo o que viveu, sobreviveu;

A rejeição a fez ainda mais perfeccionista.

Sem um ombro e em meio à dor, isolou-se do mundo;

Em surtos, destruía suas obras de gesso e argila.


Chamada de louca, pela família foi internada;

Num asilo isolado passou o resto dos dias.

Sem o barro nas mãos, impedida de criar,

Viu sua alma apagar-se até a despedida.


Essa é a história real da vida de uma grande mulher:

Da paixão inicial ao rompimento, uma longa história.

Desafiou o mundo, assumindo o preço por sua liberdade;

Morreu para a vida, porém seu legado está presente em nossa memória.



Manoel Claudio Vieira - 23/09/26 - 05:07h



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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Uma dura lição



Concentração máxima... silêncio reflexivo

Paz e o amor balizando valores

Uma estrada longa, estreita e quase sem vida,

Cruzando fronteiras de um mundo carente de valores



Juntos, mas distantes de uma sólida união,

Esperam na proposta alheia um mundo melhor, vagando pelo tempo.

Sem abrir mão das convicções um dia semeadas,

Insistem em retóricas e velhos dogmas, sem mudar o que pensam por dentro



Embora façamos parte de um sistema,

Não nos podemos deixar levar por valores alheios.

O futuro mostrará se o que semeamos foi real

Ou apenas sementes híbridas, recheadas de anseios.



As primeiras gerações podem vir belas e fortes;

Entretanto, os anos mostrarão que não conseguem se reproduzir.

Suas transformações foram fruto de um desejo temporário:

Não possuem raízes e, com o tempo, irão se consumir.



Enquanto o homem buscar, no tom da emoção, a paz e a segurança,

Sem que nada se fertilize em seu íntimo, ele irá morrer.

Sem maturidade ética, perderá a capacidade de se perpetuar.

Quando a poeira baixar, a realidade o fará escravo do próprio ser.



Esta é a mais dura e fria sentença...

A tirania não está no sistema, mas na sua própria imaturidade moral.

As mudanças não ocorrem ao sabor dos ventos:

Necessitam ser semeadas, regadas e amadurecidas de dentro para fora.



Manoel Claudio Vieira - 22/09/266 - 19:45



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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O verdadeiro enigma de Tesla

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Tanto falam que o mundo avança errado,

tanto falam que as relações humanas estão morrendo.

A busca de soluções mais parece um grão de areia;

inúmeras são as lutas pelo poder acontecendo.

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Muito se fala sobre o amor e a superação,

mas a apatia humana esqueceu-se do principal: o planeta.

Séculos atrás, buscávamos novas terras garimpando oceanos;

hoje, são espaçonaves buscando, entre as estrelas, novos planetas."

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Num mundo tão desigual, tantas são as desconexões.

O avanço predatório pouco se importa com o meio ambiente.

Em vez de corrigirmos o que ainda temos para cuidar e está morrendo,

buscamos no espaço novas terras, porém fazemos vista grossa à nossa gente.

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Gastamos fortunas para encontrar vida e recursos em novos mundos,

assinamos leis justificando a morte de quem sequer nasceu,

destruímos nossa própria casa sem ter para onde morar:

a idiocrasia deu tom sombrio a tamanha estupidez.

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É evidente o paradoxo dos programas globais:

investe-se tanto dinheiro fora, esquecendo de sanar nossas próprias dores.

A tragédia não decorre da falta de capacidade;

o que abunda é a desconexão ética aliada à inversão de valores.

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Desculpe: queria falar de amor, mas não consigo.

Parodiando Vinícius: 'é tudo uma total insensatez'.

Enquanto os idiotas tomarem conta do mundo pelo número,

calado: eles sabem tudo e, quando contraditados, você será a bola da vez.

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Manoel Cláudio Vieira - 17/09/26



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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Navios, fachadas e silêncios



Anseios e dilemas do mundo atual:

Busca incessante pela validação da vida,

Fatos e comportamentos postos à prova,

Gente perfeita por fora, mas vazia em sua lida.



Muito se fala em conhecer,

Pouco se estuda a dimensão da sabedoria real.

O genuíno é tratado como obsoleto,

Reflexão sobre comportamento é vista como estereótipo mental.



Jamais se consumiu tanto conteúdo em tão pouco tempo,

Uma verdadeira obsessão pelo acúmulo de dados.

Enquanto a banalidade e a informação maciça se expandem,

O que demanda tempo e sabedoria, há muito tem sido negligenciado.



Terceirizaram o pensar, vulgarizaram o belo,

Deixaram de olhar para o próprio comportamento como referência.

Deram vez e voz à ignorância coletiva,

Cruel é a superficialidade de uma sociedade que perdeu a sua essência.



Enfim, trocaram a profundidade por uma bela fachada,

Triste... mas serão estes os marcos de um novo tempo?

Ao prostituírem a verdade em prol da conivência,

Aqui eu me retiro: será este o meu silêncio.



Manoel Cláudio Vieira - 15/09/26 - 03:45h









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domingo, 13 de setembro de 2026

Entremundos



Bem mais que um lugar,

é também o meu espaço interior,

um universo primitivo jamais desvendado.

É lá que se labora a minha vida, com mais amor.



Distante do mundo racional e civilizado,

Dele me afasto e abandono qualquer forma de modernidade.

Ao entrar em contato com meu próprio ser, desligo-me,

mergulho profundamente dentro de mim,em qualquer uma de suas fases



Um território de achados e perdidos,

dentro de mim encontro a verdadeira paz.

A fertilidade se multiplica a cada reencontro;

a vida aflora, a cura se completa e o mundo se refaz.



Bem mais que uma fuga temporária,

a racionalidade mundana se apresenta como um perigo.

Ao mesmo tempo em que nos seduz e nos atrai,

é também matéria que nos afasta do ombro amigo



Nele encontro a melhor das formas de equilíbrio,

consigo dar números à racionalidade e ao meu mundo interior.

O que neste mundo se apresenta como ferramenta maravilhosa nos torna cativos,

prisioneiros de nós mesmos e da real dimensão do que entendemos por amor



Este, sim, é o maior dos mundos por mim conhecido.

A maior de nossas viagens ultrapassa continentes.

Viajar pelo mundo me permite conhecer lugares;

dentro de mim, descubro quem sou e assim compreendo a minha gente.



Manoel Claudio Vieira 13/09/26 - 01:13h



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