A vida não se resume a um processo de transição.
Nela, buscamos dar voz à nossa identidade.
Ao buscarmos dar a ela um sentido,
Mudamos o roteiro para melhor adequação à realidade.
No início, as promessas são enormes.
Nos primeiros anos, tudo parece girar aos nossos pés.
O tempo mostra que nem sempre essa é a condição.
Abandonar velhos hábitos e abraçar o novo são premissas que sustentam nossa fé.
Nem sempre é confortável partir para "ser alguém".
Muitos levam consigo a sensação de ter traído seu meio e sua verdade.
Entre a alegria de partir e a saudade pelo que se foi,
A realização deixa um rastro entre a essência e a premente necessidade.
O que foi deixado para trás sempre será visto como autêntico:
puro, natural, pleno de encantos, porém limitado.
Essa nova vida representa o novo, mas exige sacrifícios.
A recompensa financeira nem sempre é moeda de equidade.
Como num redemoinho, o ciclo da vida dá voltas.
O processo de transição será sempre pleno de incertezas futuras.
A sedução do materialismo assemelha-se à perda d'alma.
Esta, sim, é a verdadeira dor de quem um dia viveu tamanhas agruras.
Esteja ciente: em um lugar qualquer, sempre seremos estranhos.
Vivemos em estado de vigília numa sociedade que muito espera.
Quem somos, de onde viemos, pelo que passamos — isso pouco importa.
Seja você quem for, admita: se chegou aqui é porque dominou sua própria fera.
Manoel Claudio Vieira - 09/03/26 - 01:57h