quarta-feira, 10 de junho de 2026

O valor que não se compra



Sou de um tempo em que a vida era melhor vivenciada

Nele os olhos percorriam com orgulho nossas ações

o tédio nao era um peso, mas um estado criativo

e analisávamos, sob vários ângulos, todas as respostas de uma questão



Sem muita pressa, o tempo transcorria naturalmente.

Havia um espaço maior para a contemplação;

assim como a análise de uma obra de arte demanda tempo,

os segredos da mente eram lapidados pelas ferramentas do coração



Os valores humanos eram medidos de outras formas:

viver muito era quase sinônimo de viver bem.

Pouco se falava em precificar o homem, pois nele víamos valor;

promessas de um mundo melhor eram as garantias para o além



A vida transcorria como um processo quase artesanal,

jamais comparada a uma rotina de acúmulo de dados.

A formação de caráter era moldada pelas circunstâncias;

viver era um processo profundo, onde, continuamente, éramos remodelados



Não sou um crítico voraz dos dias atuais, porém,

faço um adendo ao atual e destrutivo processo de mercantilização:

deixamos de ter um valor intrínseco para ter o de mercado;

fato este que destrói, vigorosamente, as nossas relações



Busque em si resgatar o tempo em que o tédio era criativo;

em teu ser, entalhe veias por onde possa correr a sua inspiração.

Assim como um dia fomos lapidados pelas experiências humanas,

viver é uma arte, e você é o artífice maior de sua mente e coração.



Manoel Claudio Vieira - 10/06/26 -  00:08h


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