Não sei se tudo isso é real.
Já não consigo discernir o que é concreto ou uma construção.
Não sei se foi a realidade que mudou conceitos perenes,
Ou se fui eu que perdi o pé dos valores desta nova geração.
O normal de uma vida é amadurecer com o tempo,
Aprender a viver frente às regras de uma sociedade.
Ou fui eu que colapsei na busca de um lugar no mundo,
Ou o homem dentro de mim morreu face a essa nova verdade?
Pensar diferente pode ser perigoso,
Algo próximo ao dilema entre a realidade e a dissociação.
Se o afastamento é um ajuste, um mecanismo de defesa frente ao novo,
Justifica-se, então, o isolamento social e a perda das relações?
O que um dia aprendemos, o que nos tornamos:
Antes de amadurecer, buscávamos autorização para existir.
Viver como se nada importasse revela um desejo de anulação;
Quem se amolda à massa passa pelo mundo sem nada sentir
Quando nada mais realmente importa,
O alívio encontrado foi possível pelo vazio em seu coração.
A hostilidade que sente por si mesmo foi transferida;
A anulação do eu aconteceu por um processo contínuo de desintegração.
Por aí navega o fluxo da insignificância;
Acontece quando alguém deixa de considerar-se relevante.
Não se anule para cessar o sofrimento de ser alguém:
Seja sempre você, e não parte do fluxo indiferente da existência.
Manoel Claudio Vieira - 09/06/26 - 02:19h
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