quarta-feira, 10 de junho de 2026

O segundo olhar



Não foi pelos anos que se passaram,

nem tanto pela solidão vivida,

mas pela falta de identificação com o que se passava;

nem mesmo as mais doces recordações me foram permitidas



Era uma declaração de amor a sua amada

No papel ele transcreveu o que sentia

O amor pelo qual ele se declarava

Era a inspiração maior que encontrara em sua vida



Na declaração a identificação foi total

Ela era a "realização do que sonhei na vida"

Enquanto ele encontrava o reflexo de si na amada

Essa declaração permaneceu arquivada à descendência esquecida



Lamento nao ter encontrado antes algo tão pessoal

A dor maior  foi o passar do tempo sem nada saber

Viver sem reconhecer-se plenamente num mundo tao vazio

Nem mesmo foi possível ter na lembrança algo físico de um bem-querer



São tantas e tão desconcertantes as sensações vividas

Quiçá a maior delas tenha sido viver distante daquilo que poderia ter sentido.

Sofre-se muito pelo que aconteceu, mas, indubitavelmente

sofre-se ainda mais pelo que poderia ter acontecido e jamais aconteceu.



Uma mesma ideia, um único fato, mas um segundo olhar

Pelo espelho dos olhos, a visão de uma historia pelo avesso

O lamento dela foi por um amor perdido

O dele, ter passado grande parte da vida como um desconhecido




Manoel Cláudio Vieira 10/06/26 - 05:31h




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