segunda-feira, 28 de abril de 2014

Puxando pela memória


 Assim são os sonhos
No geral acontecem por um triz
Só mesmo quem sonha sabe
O quanto neles somos verdadeiro ou mesmo um aprendiz

Sei que você não pode me ouvir
Mas as histórias têm sempre dois lados
O que vivemos certamente foi um deles
O outro foi aquele que ficou no passado

Mais do que os sentimentos podem expressar
Penso que você não conheceu o meu lado
Foi difícil deixar meu bem querer
Mas bem sei que este não era meu presente nem nosso legado

A menor distancia entre dois pontos
Nem sempre é uma linha reta
No amor tudo ocorre por etapas
Mas há de seguirmos uma determinada meta

Talvez um dia eu não tenha me expressado muito bem
Sei o quanto foi marcante nosso encontro
Viajei no tempo vivendo no hoje a sensação outrora
Mas na vida aprendemos muito deixando o que se foi na memória


Manoel Cláudio Vieira – 28/04/2014 – 02:54. 
http://www.angelfire.com/oz/foradassombras/

HP médica-neurologia

quarta-feira, 26 de março de 2014

O sábio e o esperto

Pessoas providas de amor, ética, bons costumes, afeição que sabem discernir problemas alheios dos seus são plenas daquilo chamado inclinação à existência e mestres na arte da vida. Assim que podem, retiram um tempo do seu para ouvir colocando o fardo do necessitado em equilíbrio tamanha objetividade contida em suas palavras - às vezes duras porem providas de alto grau de discernimento.
Nunca apontam saídas sem mais nem menos. Através de dicas sutis, ajudam o necessitado a encontrar por si a solução de seus problemas. Evidente não possuírem todas as chaves, mas o caminho das pedras sabem muito bem anelar.
Quando revoltadas (coisa rara), passam a impressão de um caráter oposto àquele conhecido. Por esta falha, indivíduos de baixo quilate derramam no ar boatos mal-intencionados e como tudo que é ruim se propaga com a velocidade da luz, fazem sua estrelinha brilhar com luz alheia. Persistem em se mostrar iluminadas contudo não são possuidores da mesma.
De linguagem rica em promessas impossíveis de se cumprir, o esperto atrai sem chamar explorando sempre a expectativas de vida melhor, fato este que conduz as pessoas a operar sem pensar.
Raras vezes o esperto falha em seu propósito - sempre um discurso avesso ao que prega. Basta observar seu padrão de vida. Um bom carro, casa própria e emprego agradável. De onde provem o dinheiro que o mantém nesse posto é mantido em segredo; alias, quem o colocou nessa função é outra incógnita.
Como sempre, se fazem “benfeitores” - com o dinheiro alheio, evidente. Imputam ao inconsciente coletivo seu desejo de vida fácil tornando o ouvinte mais ingênuo, massa de manobra barata sem que este perceba a real extensão.
Dessa forma, vivem confortavelmente. A paz que tanto o homem almeja, sempre pregada pelo esperto - de longe faz parte de seu currículo. Aprendeu a fazer do inferno sua morada e daqueles que o servem, castiçais.
Ironicamente o sábio passa ter uma visão chamuscada por sua própria humildade, o que não compromete seguir adiante. Sabe o quão foi ludibriado porem seu poder de veto é inversamente proporcional à lábia do mesquinho.
O sábio ensina a pensar - aprender a aprender – exatamente o avesso do outro. Do alto de seu pseudo-trono, o mesquinho mostra um grau de onipotência feita à esparsas dos pequenos. Não acresce nada na vida a não ser mentiras.
Enquanto o esperto vive de falhas, o sábio acontece errando. É humano, tem sentimentos, bom senso suficiente para falar até onde não magoe o ego do proximo. O outro não erra. Parece um Deus.
Quando o sábio ocupa a tribuna, suas palavras vão quase que imediatamente ao cerne da questão. Não floreia. Aborda o tema de forma racional. Pouco ou quase nada envereda para o emocional, parte onde o outro se impõe graças ao emblemático poder de persuasão que é possuidor.
Essa é a historia da humanidade. Na visão global, um imbecil fazendo acontecer sem dar conta da importância de seus atos tendo em seu caminho velhacos de lábia ardilosa sem um mínimo de objetividade. O dia que a casa cai pouco ou nada importa, pois a cara de pau garante a sobrevivência do esperto. Quando se pensa no hoje com olhos no amanhã, as tarefas se tornam simples porque o que se tem nas mãos à visão do futuro.


Manoel Cláudio Vieira -  09/03/2005 – 22:49h
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HP médica-neurologia

Palavras.

Quando devidamente associadas, as palavras se transformam no mais poderoso veículo de comunicação do homem em relação aqueles que o cercam - sejam eles homens ou animais.
Recentemente, vacas enviadas da Grã-Bretanha à Franca se viram confusas frente ao pastor. Condicionadas a determinados comandos na língua inglesa, paravam ou davam início a uma marcha sem mais nem menos.
Por diferenças fonéticas mais do que obvias, no novo pais passaram a se comportar ao acaso frente a um chamado.  O timbre da palavra francesa que mais se assemelhasse a um dos vários comandos ingleses era interpretado de diferentes formas entre os membros do rebanho. Enquanto umas realizavam uma ação, outras faziam coisas bem diferentes. Aparentemente, nada de mais, mas a essência da questão é bem mais complexa que o apresentado.
Se cada animal decodifica uma mensagem (comando) à sua maneira, esta mais do que implícito que animais não são irracionais como propaga por ai.
Cada um dos membros do rebanho, por mais rudimentar que seja sua forma de raciocínio, pensa - quer por associações ou estímulos.  Vejo um pouco mais disso em relação a cães.
Note seu comportamento avesso ao habitual quando o astral de seu dono esta imerso em ira, ódio ou desavenças causadas por um ou outro contratempo. Alguns se escondem, fogem, mostram exacerbado medo em relação àquela pessoa. Parecem saber que podem vir a se tornar válvulas de escape àquelas frustrações.
Pergunto: como um animal sente isso ?? De que forma ele capta esse clima no ar ?? Será que essa forma de comportamento (controverso ou não) se propaga em ondas ?? Se sim, como são transmitidos e captados ?
Se tivéssemos resposta a essas questões, com toda certeza poderíamos interferir em pontos chaves por onde derivam as desavenças do ser humano.
É fato notar em pequenas obras, atos ou mesmo palavras, as angustias e medos que assombram as pessoas em seu cotidiano. Naqueles instantes, sua aura parece emitir vibrações avessas ao comportamento de seu grupo social.
De maneira similar ao cão, as pessoas associam esse alguém àquele clima antagônico já que sentem que seu proceder só concatena mesmo o nada a coisa alguma.
Os mais chegados procuram incutir nessas pessoas, uma visão diferente do problema abordando o assunto por um ângulo onde se abrem horizontes à existência. Ao se abordar a questão dessa maneira - abrindo um leque de focos - todos eles edificantes aos diversos pontos da tese em questão, parte desses problemas desvanece no ar.
O mais difícil nisso é superar as barreiras que fazem toda pessoa em pane se comportar como uma via de mão única. Qual forma é a mais indicada para tal ? Depende de pessoa para pessoa. Não há uma formula que solucione essas questões como num passe de mágica. Se houvesse, será que esse mundo estaria melhor ? Hummmm.
 Acho melhor muitas coisas ficarem do jeito que estão. No máximo, dar uma injeção direta de carinho no coração desse alguém. Quem sabe dessa forma, esses contratempos se acomodem com maior rapidez.
 Já imaginou se o comportamento humano fosse uniforme ?? Haja paciência para agüentar tamanhas mesmices. Há de haver – guardadas as devidas proporções – um certo grau de discórdia entre as pessoas. Se isso não houvesse, não haveria progresso ou coisa que o valha. Será que eu estou errado pensando assim ??
 É. Em cada cabeça, uma sentença; em cada sentença... uma questão a desvendar.


Manoel Cláudio Vieira - quinta-feira, 16 de janeiro de 2003 – 16:59h.
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Passo e Descompasso

Se fossem objetos, os descompassos seriam tal qual pedrinhas no sapato de pessoas concentradas fazendo seus deveres e que cansadas, param aquilo que vinham fazendo por alguns instantes em função de outros. Em geral, esses indivíduos param porque também estão cansados, estafados, mas, ao fazerem isso, acabam interferindo diretamente no ritmo daqueles que estão executando sua obrigação; alguns “amigos” chegam a fazer isso por não querer que as coisas fluam  tão bem para quem ainda esta na ativa. Nitidamente, essa quebra o ritmo com a desculpa para “um café”,  tem como pano de fundo o “não se destacar  frente a eles”.

Para esse tipo de pessoa, qualquer coisinha a mais também pode ser motivo para um breve momento de descanso; às vezes, isso não faz mal, mas em geral, tal interferência  aborta àquilo que vinha sendo feito até o presente fazendo com que o produto final passe a ser encarado com outros olhos por àqueles que nos cercam.

Por isso, sempre que o descanso se faz necessário, fazemos isso ao “finalizamos uma tarefa” e não quando estamos no meio dela, como muitos fazem ou, conforme o caso, alguns nos obrigam a fazer - até com certa dose de “boa vontade”. Esta parada forçada é extremamente ruim porque quando voltamos a carga, temos que retomar àquilo que fazíamos “sempre um pouco antes do momento em que paramos”; caso contrário, fica uma espécie de “buraco” no meio daquilo tudo. Tal tarefa, passa a ser para quem a executava, algo maçante e não gratificante, como esperávamos que fosse o seu resultado final.

Isso é péssimo porque nos deixa extremamente desgostosos com nosso desempenho; chegamos a ponto de ficarmos frustrados com nosso rendimento. Parece que àquela obra não proporcionou o prazer o que pensamos que ia dar em seu final. Foi a tal “parada compulsória” no meio dela que a fez ficar assim !

Psicologicamente, acreditamos para nós mesmos - e essa é a parte ruim da coisa toda - que somos pessoas menos capacitadas que aquelas que fizeram o que fizeram na hora que bem entenderam sem pensar em mais ninguém. Passamos erroneamente a acreditar que esses indivíduos são mais rápidos em suas ações, mais ágeis nas finalizações e retomadas de deveres, mais isso, mais aquilo, enquanto nos... fazemos apenas o papel de “coadjuvantes”.

No máximo, muitos pensam que podem somente interpretar o papel de “sósias pálidas” de Fulano ou Ciclano quando na verdade, tem um enorme potencial criativo sendo dia a dia “torpedeado” por figuras nada exponenciais.  Isso, infelizmente a maior parte das pessoas não percebe – ou não quer perceber, o que é bem pior.

Saber dizer NÃO nas horas inconvenientes é uma arte, uma afirmação de nossa pessoa frente ao grupo que convivemos. Em outras palavras, dizer NÃO é falar com toda classe (e por trás das palavras, se for o caso), o seguinte: “olha, agora eu não estou afim; mais tarde, quem sabe, poderemos dar um tempo para isso. Agora, me desculpe, não dá. Definitivamente, não dá mesmo”.
 Falando dessa maneira, você não vai magoar ninguém, pois estará colocando o seu ponto de vista frete a isto ou àquilo que o outro quer. Se isso o perturbar, o problema não é seu; simplesmente, você deixou de “atropelar” o que vinha fazendo em sua vida se colocando em primeiro plano ao invés de atender às causas de outrem.

Nestes casos, pensar primeiro em si, não é egocentrismo em hipótese alguma. Quando sobrar tempo, tudo bem, de um tempo, uma parada. Suas metas devidamente colocadas em primeiro plano, já foram plenamente atendidas. Suas e de mais ninguém. Quanto aos demais... faça quando melhor lhe convier.


Manoel Claudio Vieira - 19/2/2001   -  09:36:28-
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Contadimim


Foram dias, semanas... meses. Quem diz que alguém se lembrou de responder as mensagens deixadas na  caixa postal, secretária  eletrônica ou mesmo o recado do amigo em comum? Engraçado que o telefone com bina nunca gravava na memória meu numero. Falha no sistema? Não; fiquei reduzido a um amontoado de números frios com endereço fixo. O lado humano tentando resgatar a chama de vida bailando feito labareda ao sopro dos humores da brisa se definhou de vez no dia em que um dos arquivos de memória deixou de resgatar do sono os sentimentos ilhados. Quando a tralha toda despencou, percebi que os sonhos haviam se tornado realidade e eu, parte de alguma coisa que não compreendo muito bem. Naquela hora, deixei a roupa lá mesmo e tomei a saída mais próxima do cemitério tendo vivido sem ao menos dar conta de mim.


Manoel Cláudio Vieira    08/09/05- 12:43h

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