quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A fragilidade da alma



Com o tempo, aprendeu a escrever,

Muito cedo percebeu que as palavras tinham o poder de falar.

A escrita passou a ser sua confidente diária;

As horas vazias ganharam cor, pois tinha alguém com quem conversar.



Aprendeu a domar a madeira,

a dar novas formas, transformando seu exterior.

Tornou-se um passatempo lapidar a matéria,

e foi assim que começou a mudança em seu interior.



Foram inúmeros os processos para dar à vida um sentido;

um aprendizado puxa o outro, aliviando a solidão.

Enquanto um transforma perdas em eternidade,

outros apuram a sobrevivência em nova criação.



Pela escrita era preenchido o silêncio;

moldar a matéria foi o ponto de partida da reconstrução.

Foram estes os primeiros passos lapidando o sentimento:

um diário de vida presente exposto em uma nova versão.



Por vezes, o isolamento soava intransponível;

o som que mais se ouvia era o das batidas do coração.

Em outras — muitas outras —, o medo de não ser compreendido era maior.

Os entalhes na madeira foram as veias em veredas de seu passado.



Nada nesta vida acontece de forma passiva;

ela exige trabalho interno e externo em nosso ser.

Todo cuidado se faz presente: os cupins são eternos parasitas,

destruindo a estrutura de dentro para fora em seu viver.



Manoel Claudio Vieira- 09/09/26 - 02:40h





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