terça-feira, 8 de setembro de 2026

A criança agradece



Dizem que a solidão é uma cela,
Onde, por anos, trabalhamos com afinco,
Tendo a meta de todo homem um dia formar
Um lar que o acolha, e não um novo labirinto.


Não há uma prisão que defina esse isolamento,
O maior dos problemas é sentir-se confinado em seu próprio ser.
Essa solidão não se resume a estar sozinho;
É uma cela de portas abertas onde se perde a razão de viver.


A desorientação atravessa as paredes,
O mundo torna-se um lugar estranho para se viver.
O que antes dava prazer vira um ato punitivo;
As regras já não guiam o nosso amanhecer.


Vivendo numa sociedade onde as distâncias são cada vez menores,
Por si e em si nos sentimos cada vez mais sufocados.
Esse é o resultado de tantas conexões ativas:
Acabamos esquecidos de nós mesmos, não restando sequer o passado.


Se um dia ouvir de alguém que está ficando louco,
Não estranhe, pois esta é a regra no comportamento social.
Sem espelhos com quem possa dividir seus momentos,
Perdeu-se a referência de si mesmo e de sua vida pessoal.


Este é o grande drama da solidão contemporânea:
Muita tecnologia e rara interação humana.
A superficialidade das relações empobrece a vida.
A cura? A simplicidade do olho no olho, fazendo a vida soberana.


E assim é a vida: começando pela forma mais individual,
Entendemos que a solidão não é tão somente uma ausência física.
A modernidade oferece respostas, mas está longe da cura.
Ame... A criança interior agradecerá o retorno à vida.




Manoel Claudio Vieira - 08/09/26 - 05:15h







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