terça-feira, 21 de julho de 2026

O que os olhos não veem


Há muito a se falar sobre a vida.

Tudo pode acontecer, porém o tempo não volta.

Lamenta-se mais a irreversibilidade do que se foi;

o tempo é matéria-prima da existência, não da memória


O maior dos medos é perder a identidade.

Ver o sofrimento converter-se em vergonha e negação

O isolamento torna-se refúgio diante do pior

Evitar lugares públicos, renunciar a qualquer aparição.


Já não basta ter a si mesmo como espelho.

É preciso também caminhar com as pessoas.

É desse encontro que flui a criatividade.

Escolher verdadeiros amigos, e não gente à toa


Num mundo desigual e degradado,

aceito meus limites e reconheço minhas fronteiras.

Perdi a esperança de viver plenamente são e curado,

mas jamais a de viver, apesar de tantas asneiras


De todos os nossos bens, de todos os nossos amores,

a inércia é a força que mais nos impede de caminhar.

Se a vida já não é um mar de rosas, use e abuse de seus dons;

são eles que, reunidos, deságuam em resistência, começando pelo seu lar


A maior das dificuldades é encontrar o próprio lugar.

Não se trata apenas de uma solidão física, mas de uma solidão existencial.

O melhor retrato não é o que se pinta, e sim o que se sente.

Olhe o mundo com olhos que enxerguem além do que os outros chamam de normal



Manoel Cláudio Vieira - 21/07/26 - 22:08





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