Por longo tempo ela esperou,
vivendo um dia de cada vez, sem olhar para mais nada.
Já não pensava no que teria à frente;
seu dia era o hoje, o futuro já não fazia parte de sua jornada.
Habituou-se, enfim, à estrutura onde vivia.
Cessaram os protestos; restaram apenas petições silenciosas pela paz.
As paredes de sua morada tornaram-se o horizonte possível;
Sua gaiola carregava o peso das limitações de anos atras
Já não pensava mais em alçar voos longínquos.
Ainda nutria o desejo de encontrar um lugar para viver;
um local onde as pessoas, de fato, sentissem o dia a dia,
sem sobreviver mecanicamente por não darem asas ao seu desejo de ser.
A jornada pela vida é uma batalha cotidiana,
é um exercício diário de autoaceitação a todo momento.
É preciso coragem para romper laços outrora benéficos, mas que hoje nos aprisionam,
na esperança de encerrar o ciclo, preservando nossa essência do sofrimento.
Já não falo mais de coragem, quando é preciso algo além de força.
Estruturas, mesmo familiares, também nos impedem de crescer.
A arquitetura da existência um dia nos deu estabilidade;
são as mesmas que, alteradas, tornaram-se instáveis, impedindo-nos de viver.
Com cuidado, olhe para sua própria vida, mas seja honesto.
Identifique quais estruturas, hoje, funcionam como porto seguro — ou não.
Sei que não será fácil, mas comece pelo tempo:
é ele quem pode determinar o que, ontem, foi abrigo e, hoje, é limitação.
Manoel Cláudio Vieira - 05/07/26 - 01:35h
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