domingo, 5 de julho de 2026

Chamado à ação.



Por longo tempo ela esperou,

vivendo um dia de cada vez, sem olhar para mais nada.

Já não pensava no que teria à frente;

seu dia era o hoje, o futuro já não fazia parte de sua jornada.



Habituou-se, enfim, à estrutura onde vivia.

Cessaram os protestos; restaram apenas petições silenciosas pela paz.

As paredes de sua morada tornaram-se o horizonte possível;

Sua gaiola carregava o peso das limitações de anos atras



Já não pensava mais em alçar voos longínquos.

Ainda nutria o desejo de encontrar um lugar para viver;

um local onde as pessoas, de fato, sentissem o dia a dia,

sem sobreviver mecanicamente por não darem asas ao seu desejo de ser.



A jornada pela vida é uma batalha cotidiana,

é um exercício diário de autoaceitação a todo momento.

É preciso coragem para romper laços outrora benéficos, mas que hoje nos aprisionam,

na esperança de encerrar o ciclo, preservando nossa essência do sofrimento.



Já não falo mais de coragem, quando é preciso algo além de força.

Estruturas, mesmo familiares, também nos impedem de crescer.

A arquitetura da existência um dia nos deu estabilidade;

são as mesmas que, alteradas, tornaram-se instáveis, impedindo-nos de viver.



Com cuidado, olhe para sua própria vida, mas seja honesto.

Identifique quais estruturas, hoje, funcionam como porto seguro — ou não.

Sei que não será fácil, mas comece pelo tempo:

é ele quem pode determinar o que, ontem, foi abrigo e, hoje, é limitação.




Manoel Cláudio Vieira - 05/07/26 - 01:35h



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