sexta-feira, 15 de maio de 2026

Testemunho da sobrevivência

 Testemunho da sobrevivência


Sei que tenho uma alguma habilidade com palavras

Sei também que por meio delas que parte de minha vida externei

Quando não encontrava com quem falar, a solidão marcava presença

No papel eu derramava o que tinha falar mas não a ninguém contei



O que se tinha era pouco, quase nada.

A vida era simples: um dia atrás do outro.

Os ideais beiravam a utopia, mas o papel me compreendia.

Pensar alto era ser interpretado como insensatez.



Há muito a se dizer sobre vulnerabilidade.

É complicado explicar coisas tão simples como o afeto.

O ato de escrever sempre foi uma ferramenta de sobrevivência;

aliviava a falta de compreensão alheia.



A falta de coragem amedronta, paralisa as ações,

especialmente quando a vida beira a insegurança e a timidez.

Mais do que um ato de coragem, externar o que se pensa

era criar um mundo maravilhoso para quem nasceu perdendo a própria vez.



Esse era o meu menino

Em sonhos  viajava por um universo de imagens

por lugares distantes e línguas incompreensíveis

Blindado por um anjo, nos devaneios noturnos fazia sua passagem



Pense: enquanto alguns criam um mundo maravilhoso com outros

O ato de escrever era a ferramenta que esculpia esse mundo  junto à realidade

Deixou de ser um mero registro e se tornou o cinzel moldando a brutalidade humana

Em seu estado mais puro, o menino entalhava seu mundo esculpindo a efetividade



Manoel Cláudio Vieira – 15/05/26 – 01:41h





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