quinta-feira, 28 de maio de 2026

Os invernos ficaram para trás



Dizem que os homens têm memória seletiva.

Ao olharem para trás, apagam os medos e santificam o amor.

Com o tempo, vem a perda da inocência.

O peso da vida adulta agora é lembrado pela dor.



Nem tudo que é lembrado foi tão bonito

Muita coisa propositadamente foi deixada de lado

O que restou foi uma vida quase perfeita

Ficaria pesado lembrar que o que se foi nada teve de um sonho dourado



Um tempo visto como se a vida fosse pura, sem maldade

Sombras e decepções entravam em choque com a pureza

Tudo era parte de aprendizados aparentemente cruéis, mas no tempo certo

Nele aprendíamos cedo o que estava por trás dessa pseudo beleza



A vida passa, mas jamais deixamos de ser os mesmos

Expostos às sombras do mundo, aprendemos e vida afora, tudo mais aconteceu

Entre o sonho da beleza infantil e a realidade do conflito adulto

Criou-se um hiato  espaço/tempo e por ele o tempo  fendeu.



Outrora, andávamos despidos de moral, com os pés no chão

Autoridade e cuidado vinham da vigilância de nossos pais

O adulto que hoje sente falta desse cuidado, esqueceu

O tempo é um recurso escasso e linear que não volta mais



Não pense no que se foi, abandone essa angustia

Aceite o presente como luto dos invernos deixados para trás

A criança viveu um eterno presente foi incapaz de sentir

O adulto contornando problemas, vivendo em paz



Manoel Cláudio Vieira – 28/05/26 – 00:28h




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