quarta-feira, 18 de março de 2026

A frágil fronteira



Entre o que penso e o que sou,

uma tênue linha demarca os limites dessa condição.

O destino outrora planejado e o presente obtido

foram marcados por momentos de efêmera, porém terna relação.


Na linha da vida buscamos sempre um sentido,

muitas foram as vezes em que procuramos dar ordem ao caos.

A consciência da finitude aflora os extremos de segurança e abandono,

estreitando as fronteiras: o bem, com frequência, se equipara à relatividade moral.


Estranhas são as situações vividas ao longo de uma história.

Enquanto algumas giram em torno de controle, segurança e crenças,

outras lidam com a sensação de medo, desamparo e pobreza social.

A vida tornou-se uma incógnita, mistura explosiva ao colocar em xeque essa moral.


São muitos os argumentos usados para amenizar nossa condição.

Tornar as distinções morais menos absolutas é um dilema.

Buscar um sentido ao relativizar uma sociedade caótica

em nada nos afasta do mal — piora substancialmente o problema.


A história mostra o quanto somos frutos de uma construção.

Perdemos a capacidade de distinguir claramente o bem do mal.

A banalização das atitudes condenáveis passou a ser uma constante.

Uma simples reflexão passa a ser um atentado à paz social.


Conclusão: impossível dormir com barulhos desses.

O que parecia solução, na realidade, criou um novo problema.

Embora as fronteiras morais tenham sido relativizadas,

não eliminamos o mal — escondemos bem melhor esse dilema.




Manoel Cláudio Vieira – 18/03/26 – 00:57h





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