sexta-feira, 20 de março de 2026

Espelhos sem imagens



Plantou a semente...

Por um tempo ele a viu crescer

Não ficou para os primeiros passos

Ausência forçada,  presença invisível, futuro incerto

Um espelho sem imagem pela vida começou  viver



Deu a vida, mas não a vivência,

um vínculo de intenções não realizado.

Laço cortado antes da materialização:

um não viu a chegada; o outro, a partida.



Luto ancestral de entrada, dívida impagável.

O pai foi a andorinha que voou antes do verão.

O filho, num olhar de saudade do que não viveu,

a construção de uma identidade baseada em ecos e nãos.



Pressão inconsciente para ser a “prova”.

Saudade abstrata, melancolia contemplativa.

Presença que reverbera através do tempo.

Vidas passadas que não se encontram, verdades não vividas.



Visão etérea, silenciosa e invisível.

Descrição da angústia de ser sem ser visto.

A vida pode ser dada e retirada sem aviso.

No rastro das intenções, resta apenas viver




Manoel Claudio Vieira - 20/03/26 - 01:13h





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