domingo, 23 de setembro de 2012

Laços de ternura


O amor é a faceta humana
Impossível de se deixar lapidar.
Sem ele nossa cara metade,
Para bem longe pode se voltar.


Aqueles que julgaram poderem,
Tudo num dia só com ele acordar.
Despertam para a vida em tropeços.
Atribulações maiores em seu mundo tiveram que asilar.


Ao se ter à impressão de que tudo está completo,
Nada mais restando à companheira falar,
Esquecem-se do básico na vida dos amantes:
“Embalar sua amada em cantigas de ninar”.


Que se pode fazer para uma desavença reparar?
Difícil será o restauro de tal dano.
Palavras-chave em doces laços de ternura,
À amada poderemos evocar.


Conviver com alguém que se ama,
Sem ao menos palavras doces trocar.
Transtorna a mundo de qualquer um,
Nossa mente a deriva se põe a desvairar


Ajustada à questão conflitante,
Desfigura-se o cerco que a nada conduz.
O amor voltando fazer morada àqueles seres,
Funde novamente corações transitoriamente sem luz.


Manoel Claudio Vieira - quarta-feira, 5 de setembro de 2001  -  1:28:05


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Meu Mundo


Que mundo é esse
Imenso, bárbaro e cheio de terror.
Me disseram o que é o carinho
Só não me ensinaram o que é o amor


Me falaram do que é a luz
Mostrando a meu ser a escuridão
Crescer num mundo assim tão frio
É viver sem saber o que é uma paixão


Meu amor tem se mostrado incrédulo
Impossível àqueles com nada a mostrar
Disseram que o borrão na tela de minha'alma
É meu ser encarcerado em cela a enfadar


Que faço cá na vida ?
Preferia ao nada me recolher
Viver a vida desse jeito
Melhor...

Manoel Claudio  Vieira - março 2003

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Marcos Perdidos


Esplêndida paisagem
Nítido caminho
Meu ser não contava
Com um morrinho


Fumacinha sem fogo
Escultura desigual
Idêntica? - jamais
Michelangelo não faria igual


Obra de arte
Alivio do artista
Laborada passo a passo
Desalento do alquimista.


Concebida aos poucos
Bem gostoso - devagarinho
Em sonho é sorte
No real... montinho!


Folhas ao longo
Qual papéis esvaídos ao chão
Acervo dos desesperados.
Borradas do artesão


Pobre mortal
Não lamente
Limpe teus pés com cuidado...
Pode haver mais à frente!


Manoel Claudio Vieira
19/04/2005 - 14:30h

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Mão e luva


Amores perdidos,
Fantasias, vivências.
Riso amargo
Haja paciência


Almas gêmeas
Dois num mesmo espaço
Desafiam a vida
Vencendo o fracasso


Um pouco sabe do amor
Sente medo; foi condicionado.
Vive parte da historia
Foi este seu legado


Em boca, palavras de ternura
Atos... gestos amargos, sentenças
Codinome dissabor
Outra vez... sapiência


Medo, opressão.
Amor, carinho.
Vestidos a caráter, delicadeza.
A sos, despidos no mesmo ninho.


Incógnito em vida
Qual porta fechada com selo
Janelas se abriram
Qual brisa levantando cabelo


Custa entender
Realidade dura, chiste do desamor
Em choque, madureza
Sentença: esvaziar toda dor


Manoel Claudio Vieira – 17/04/2004 – 12:45.

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Chiste – meio termo entre graça e zombaria

Lua


Suas fases são distintas
Não há como ocultar
Saltando de quarto em quarto
Aura nova, quimeras a mostrar.


Crescente, inicia sua jornada
Tal um C de começar
Engrandece seu rostinho
Até cheia se mostrar


Os dias vão passando
Minguante principia estar
Cede parte de seu corpo 
Sentimentos mil começam expiar


Não mais que de repente
Novo rosto esta a brilhar
Em sonhos delirantes
Principia novamente a vida, doce olvidar


A vida é assim
Por fases nossa existência a passar
Pelos quartos em que passamos
Transcorrem vidas tal a lua em seu caminhar


Seria tudo insosso
Sem a atração da terra nos acalentar
Um sol aquecendo nossa sanha
Da à existência, doce história, terno desbravar.


Manoel Claudio Vieira – sábado, 11 de outubro de 2003 – 07:15h


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