Primeira infância… anos da mais pura inocência
Criança aplicada, com um serrote fazia os seus brinquedos
lia muito, não saia de casa e, embora vive-se só, nunca esteve sozinha
A madeira era sua melhor companheira e nela compartilhava seus medos
Aprendeu a conviver com a solidão.
Isolada do mundo, via a loucura como algo normal.
Era o preço por nascer sem a coluna que lhe daria prumo.
Perdida em si mesma, encarava tudo como um fardo desigual.
Anestesiada das emoções, não se considerava humana.
Distante da vida, colocada à parte, pouco se comunicava.
Apenas uma frágil carcaça com um mínimo de consciência.
Calar era a ordem — o silêncio imperava.
O curso da vida jamais foi uma linha reta - assemelhava-se a entradas em looping
Como piloto, não sabia quando seria a próxima vez
Voltando da viagem, o medo o consumia
Depositário fiel de frustrações alheia, assumia o que fez e o que não fez
O maior sofrimento já não era mais a dor.
Era viver isolado, sentindo de fora as idas e vindas.
Era perder a capacidade de viver num mundo de vazios.
Proteger-se da dor era desconectar-se da própria vida
Assim como água nas mãos, a vida se esvai por entre os dedos.
Alheias ao mundo, distantes das emoções e, em especial, de si mesmas,
muito trabalho e pouca conversa tornam-se rotina.
Os vestígios de humanidade deixam de fazer parte de sua natureza.
Manoel Cláudio Vieira – 20/06/26 – 04:16h
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Esteja a vontade para escrever seu comentário