quarta-feira, 20 de maio de 2026

O lado de la



Primeira infância… anos da mais pura inocência

Criança aplicada, com um serrote fazia os seus brinquedos

lia muito, não saia de casa e, embora vive-se só,  nunca esteve sozinha

A madeira era sua melhor companheira e nela compartilhava seus medos


Aprendeu a conviver com a solidão.

Isolada do mundo, via a loucura como algo normal.

Era o preço por nascer sem a coluna que lhe daria prumo.

Perdida em si mesma, encarava tudo como um fardo desigual.


Anestesiada das emoções, não se considerava humana.

Distante da vida, colocada à parte, pouco se comunicava.

Apenas uma frágil carcaça com um mínimo de consciência.

Calar era a ordem — o silêncio imperava.


O curso da vida jamais foi uma linha reta - assemelhava-se a entradas em looping

Como piloto, não sabia quando seria a próxima vez

Voltando da viagem, o medo o consumia

Depositário fiel de frustrações alheia, assumia o que  fez e o que não fez


O maior sofrimento já não era mais a dor.

Era viver isolado, sentindo de fora as idas e vindas.

Era perder a capacidade de viver num mundo de vazios.

Proteger-se da dor era desconectar-se da própria vida



Assim como água nas mãos, a vida se esvai por entre os dedos.

Alheias ao mundo, distantes das emoções e, em especial, de si mesmas,

muito trabalho e pouca conversa tornam-se rotina.

Os vestígios de humanidade deixam de fazer parte de sua natureza.



Manoel Cláudio Vieira – 20/06/26 – 04:16h




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