Sei o quanto a vida cobra de um homem as suas realizações.
Sei também o quão importante é construir ao longo dela um amor.
Pela falta de balizas, nos perdemos em atos e pensamentos;
tantas foram as vezes em que começamos, porém o prometido no tempo ficou
Nada como desabafar sobre o leite um dia derramado.
Difícil deglutir o tempo de escolhas e frustrações.
Nesse contexto, o conteúdo das realizações soa como um fardo, pois...
Está intimamente atrelado ao que se construiu através das próprias ações
Engolidos pela rotina, deixamos muita coisa no automático.
Com o tempo, elas se transformaram em ígneos fantasmas atormentando o presente.
Entre o que viam como natural e o que pessoalmente se precisava,
um precipício de planos, projetos e realizações ausentes ou, mesmo, inacabados
A distância entre esses dois mundos é cruel, um vazio perigoso.
Algo homólogo à sensação de olhar para trás e deparar-se com as dificuldades de viver.
Caminhar entre eles é o mesmo que galgar uma trilha entre abismos
e ver que a vida foi vivida pela metade, satisfazendo a outros e não ao próprio ser.
Eis o colapso entre o que mostramos e quem realmente somos
O conflito entre essas máscaras põe em xeque o próprio ser
Enquanto um mostra um lado que o faz socialmente aceito
o outro padece faminto de afeto, carinho e bem-viver.
Trate muito bem a criança dentro de você.
Ela acordou do abismo e não aceita mais metades.
Incuta nela que a dor que passou foi o combustível da mudança
Resta viver — a vida já cobrou o tempo das falsas realidades.
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Manoel Cláudio Vieira - 31/05/26 - 23:39H
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