domingo, 31 de maio de 2026

A queda das mascaras.



Sei o quanto a vida cobra de um homem as suas realizações.

Sei também o quão importante é construir ao longo dela um amor.

Pela falta de balizas, nos perdemos em atos e pensamentos;

tantas foram as vezes em que começamos, porém o prometido no tempo ficou



Nada como desabafar sobre o leite um dia derramado.

Difícil deglutir o tempo de escolhas e frustrações.

Nesse contexto, o conteúdo das realizações soa como um fardo, pois...

Está intimamente atrelado ao que se construiu através das próprias ações



Engolidos pela rotina, deixamos muita coisa no automático.

Com o tempo, elas se transformaram em ígneos fantasmas atormentando o presente.

Entre o que viam como natural e o que pessoalmente se precisava,

um precipício de planos, projetos e realizações ausentes ou, mesmo, inacabados



A distância entre esses dois mundos é cruel, um vazio perigoso.

Algo homólogo à sensação de olhar para trás e deparar-se com as dificuldades de viver.

Caminhar entre eles é o mesmo que galgar uma trilha entre abismos

e ver que a vida foi vivida pela metade, satisfazendo a outros e não ao próprio ser.



Eis o colapso entre o que mostramos e quem realmente somos

O conflito entre essas máscaras põe em xeque o próprio ser

Enquanto um mostra um lado que o faz socialmente aceito

o outro padece faminto de afeto, carinho e bem-viver.



Trate muito bem a criança dentro de você.

Ela acordou do abismo e não aceita mais metades.

Incuta nela que a dor que passou foi o combustível da mudança

Resta viver — a vida já cobrou o tempo das falsas realidades.

.

.

Manoel Cláudio Vieira - 31/05/26 - 23:39H



.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esteja a vontade para escrever seu comentário