quinta-feira, 30 de abril de 2026

Travessia da consciência



Travessia de um tempo que não se conta,

um encontro com a eternidade que nos enternece.

Verdadeiras lembranças o tempo não leva nem destrói;

a memória jamais esquece.



Uma vida pautada na existência real,

como a história dói, é lembrada como mentira.

Ao criarem um mundo postiço, de luzes coloridas,

trocam a realidade pelo prazer da perfídia.



Entre a essência do ser e a alienação da modernidade,

troca-se a profundidade da experiência por um simulacro vazio.

Por mais que inventem histórias, o passado sempre viverá em cada um.

Não adianta buscar subterfúgios, negando o que se foi pelo que nunca se viu.



O amadurecimento nos torna sábios.

Momentos profundos param o tempo, dando a ele um ar de imortalidade.

Instantes de prazer deixam de ser números para se tornarem estado de espírito.

As marcas na alma resistem à degradação do tempo físico.



Coragem de viver o que há por trás das agruras do dia a dia.

Muitos veem o cotidiano como um desabafo sobre a sociedade presente.

Qualquer outra coisa é um espectro do mundo no espelho.

Esquecem que muito mais coisas são reflexo de uma vida ausente.



Sabedoria jamais será o acúmulo de informações;

é a capacidade mais nobre de se alterar a percepção do tempo.

Através da profundidade, o ambiente cronológico se desfaz.

A imortalidade não é viver para sempre, e sim saborear cada momento.



Manoel Cláudio Vieira – 30/04/26 – 03;21h





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