Travessia de um tempo que não se conta,
um encontro com a eternidade que nos enternece.
Verdadeiras lembranças o tempo não leva nem destrói;
a memória jamais esquece.
Uma vida pautada na existência real,
como a história dói, é lembrada como mentira.
Ao criarem um mundo postiço, de luzes coloridas,
trocam a realidade pelo prazer da perfídia.
Entre a essência do ser e a alienação da modernidade,
troca-se a profundidade da experiência por um simulacro vazio.
Por mais que inventem histórias, o passado sempre viverá em cada um.
Não adianta buscar subterfúgios, negando o que se foi pelo que nunca se viu.
O amadurecimento nos torna sábios.
Momentos profundos param o tempo, dando a ele um ar de imortalidade.
Instantes de prazer deixam de ser números para se tornarem estado de espírito.
As marcas na alma resistem à degradação do tempo físico.
Coragem de viver o que há por trás das agruras do dia a dia.
Muitos veem o cotidiano como um desabafo sobre a sociedade presente.
Qualquer outra coisa é um espectro do mundo no espelho.
Esquecem que muito mais coisas são reflexo de uma vida ausente.
Sabedoria jamais será o acúmulo de informações;
é a capacidade mais nobre de se alterar a percepção do tempo.
Através da profundidade, o ambiente cronológico se desfaz.
A imortalidade não é viver para sempre, e sim saborear cada momento.
Manoel Cláudio Vieira – 30/04/26 – 03;21h
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