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Longe do mundo, distante do meio,
um espaço desabitado: meu quarto de guerra.
Em paz com a solidão, costuro pensamentos;
nesse lugar, mantenho encontros com minha fera.
Muito fácil se perder em alguém.
Certas horas são difíceis de sustentar a autonomia.
Um encontro de forças converge para o papel;
nele, o eu se dissolve, a energia se amplia
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Um estado de profunda meditação.
Histórias vividas, pensamentos flutuam como se estivessem soltos.
Poucas referências internas e afetivas;
local onde se fica fora de si e se começa a viver o outro.
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Um ritual de trocas acontece.
A dissolução do eu pela manutenção de um vínculo com a caducidade.
Não acontece de uma vez; é um processo silencioso e dinâmico.
Interpretação de silêncios, onde a presença é alívio e a ausência, instabilidade.
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Vivemos nossa história em meio a uma diabólica concomitância social.
Alguns, dependentes da própria dependência,
já não sabem mais quem eram nem o que se tornaram.
Apenas sabem que, sem o outro, não sobrará nada de sua essência.
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Nascemos com um prazo de validade.
A vida é um processo de experiências — não importa a idade.
Há consciência, mesmo que inconsciente, em tudo que se sustenta;
o que nos salva é a lucidez em face da própria vulnerabilidade.
Manoel Cláudio Vieira – 16/04/26 – 23:43h
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