Em paz com a própria solidão,
raramente se depende de alguém.
A liberdade que se tem não conhece limites;
brinca-se com o tempo, como se não houvesse além.
Essa é uma das fases da vida: o tempo da autossuficiência.
A independência é vista como o triunfo da liberdade sobre o tempo.
Com poucos, ou quase nenhum, compromissos, a vida acontece.
A maturidade vem, e a liberdade se transforma em isolamento.
Nessas horas, buscamos alguém com quem falar.
A lista de amigos, que sempre foi pequena, mostra-se diminuta.
A verdade é que o tempo, que antes sobrava, hoje míngua.
Quem outrora pedia aconchego, hoje se faz resoluto.
Dessas relações, resta muito pouco.
Quiçá as lembranças de um passado que já não existe mais.
A segurança antes buscada foi encontrada dentro de si,
e aprenderam, na vida, a ser o próprio abrigo?
O que se pode meditar sobre o hoje, diante dos momentos vazios?
Tenho em mim que ele não é tão somente o tempo presente.
O hoje é fruto de um processo de alterações diárias:
o somatório das interações antigas e recentes.
Dizem que a tecnologia veio para preencher essa lacuna.
É verdade: ela supre, em parte, esse vazio existencial
e é o meio onde a batalha entre a carência e a resolução acontece.
Porém, o olho no olho — verdade nua —, mais que palavras, gera a empatia que cura esse mal.
Manoel Claudio Vieira – 13/04/26 – 02:41h
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