segunda-feira, 13 de abril de 2026

O paradoxo da liberdade



Em paz com a própria solidão,

raramente se depende de alguém.

A liberdade que se tem não conhece limites;

brinca-se com o tempo, como se não houvesse além.


Essa é uma das fases da vida: o tempo da autossuficiência.

A independência é vista como o triunfo da liberdade sobre o tempo.

Com poucos, ou quase nenhum, compromissos, a vida acontece.

A maturidade vem, e a liberdade se transforma em isolamento.


Nessas horas, buscamos alguém com quem falar.

A lista de amigos, que sempre foi pequena, mostra-se diminuta.

A verdade é que o tempo, que antes sobrava, hoje míngua.

Quem outrora pedia aconchego, hoje se faz resoluto.


Dessas relações, resta muito pouco.

Quiçá as lembranças de um passado que já não existe mais.

A segurança antes buscada foi encontrada dentro de si,

e aprenderam, na vida, a ser o próprio abrigo?


O que se pode meditar sobre o hoje, diante dos momentos vazios?

Tenho em mim que ele não é tão somente o tempo presente.

O hoje é fruto de um processo de alterações diárias:

o somatório das interações antigas e recentes.


Dizem que a tecnologia veio para preencher essa lacuna.

É verdade: ela supre, em parte, esse vazio existencial

e é o meio onde a batalha entre a carência e a resolução acontece.

Porém, o olho no olho — verdade nua —, mais que palavras, gera a empatia que cura esse mal.



Manoel Claudio Vieira – 13/04/26 – 02:41h





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