sábado, 28 de fevereiro de 2026

O vinho na taça



A vida é como uma estrada sinuosa

No início, inocência e descoberta - um tempo de perguntas e aprendizado.

Em alguns pontos, paradas ao longo do caminho,

Sem, no entanto, refletir as condições; o quanto andamos achando tudo um enfado.



Esse foi um tempo gasto sem pensar,

Sem medir as consequências - o amanhã era visto com ansiedade, magia, superpoder...

Jamais uma ameaça ou um tempo difícil.

Afinal, dormir até mais tarde já era, por si só, um sinal de poder.



O tempo foi passando, as estações acontecendo.

O que antes era desperdiçado, nesta etapa ganhou valor.

A ocasião de encontros e descobertas aprofundou-se;

O tempo perdido agora é economizado, dosando, com calma, o amor e a dor.



Novamente, o tempo mostrou quem ele é.

Quem aprendeu na infância e adolescência, convive bem.

Hoje vive-se com paciência, não mais correndo contra o relógio;

Caminhando com prudência, sem necessitar provar nada a ninguém.



O tempo de construção, em parte, se foi.

Aceitar as perdas com dignidade faz parte do aprendizado.

Resta agora saborear as memórias, o nascer e o pôr do sol...

Afinal, toda existência, um dia, fez parte de um plano mais ousado.



Dê graças aos céus pelo que você tem.

Na infância, o choro é passageiro; hoje, é o vinho que resta na taça.

Enquanto crianças, pensamos no que seríamos; hoje, no que se foi.

Mas, enquanto houver vida, bendiga o guerreiro que move tua carcaça.




Manoel Claudio Vieira 28/02/26 – 03:13h







.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esteja a vontade para escrever seu comentário