Um dia sonhei percorrer o mundo, navegar ao léu, andar sem direção
Um lugar tranquilo onde pudesse entrar em contato com o cerne de meu ser
Subi no ponto mais alto das arvores observando horizontes
Sem rumo nem visão, quem sabe mergulhar no vazio dando cabo a tanto sofrer
Me ensinaram a rezar, pedir a Deus perdão pelos meus pecados
Como tal, estaria salvo se mergulhasse minha vida em oração e arrependimento
Minhas preces, porém, estavam distantes de costumeiras repetições
No silencio em minhas palavras, eu conversava com o Pai em meus pensamentos
Jamais demandei dinheiro, uma boa casa ou mesmo um carro
Mesmo sem compreender muito bem, sabia que esse não era o objetivo maior de minha vida
Por um tempo fui levado a acreditar que abraçando o diaconato estaria salvo
Muito do que aprendi era projeção alheia e não pertencia a minha lida
“Discernimento na tomada de decisões”
“Pelas graças da natureza, mostre um caminho, uma direção”
Eu pedia “cabeça”, mas era isso que eu menos tinha
“Cala boca, fica quieto, faz o que os outros mandam” - eterno sermão
Feliz quem aprendeu lidar com o mundo vivendo em seu tempo suas fases
Feliz quem encontra um pai que o acolha em seus braços nos primeiros erros
Quando no lugar do amor se encontra exigência, a morte passa ser um premio
E como sentir-se como uma pedra rolando no curso de um rio, sua vida, seus desejos
A vida é um movimento constante, sinuoso e quase sempre, inexato
Uma sucessão de eventos sem um momento para assentar e refletir
Nem sempre estamos no comando, porém frente as adversidades, alteramos rota
Lixados pelas aguas, arredondados pelas pedras, somos produtos do porvir
Manoel Claudio Vieira – 11/12/25 – 02:53h
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