quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Primeiros erros


Um dia sonhei percorrer o mundo, navegar ao léu, andar sem direção

Um lugar tranquilo onde pudesse entrar em contato com o cerne de meu ser

Subi no ponto mais alto das arvores observando horizontes 

Sem rumo nem visão, quem sabe mergulhar no vazio dando cabo a tanto sofrer


Me ensinaram a rezar, pedir a Deus perdão pelos meus pecados

Como tal, estaria salvo se mergulhasse minha vida em oração e arrependimento

Minhas preces, porém, estavam distantes de costumeiras repetições

No silencio em minhas palavras, eu conversava com o Pai em meus pensamentos


Jamais demandei dinheiro, uma boa casa ou mesmo um carro

Mesmo sem compreender muito bem, sabia que esse não era o objetivo maior de minha vida

Por um tempo fui levado a acreditar que abraçando o diaconato estaria salvo

Muito do que aprendi era projeção alheia e não pertencia a minha lida


“Discernimento na tomada de decisões”

“Pelas graças da natureza, mostre um caminho, uma direção”

Eu pedia “cabeça”, mas era isso que eu menos tinha

“Cala boca, fica quieto, faz o que os outros mandam” -  eterno sermão


Feliz quem aprendeu lidar com o mundo vivendo em seu tempo suas fases

Feliz quem encontra um pai que o acolha em seus braços nos primeiros erros

Quando no lugar do amor se encontra exigência, a morte passa ser um premio

E como sentir-se como uma pedra rolando no curso de um rio, sua vida, seus desejos


A vida é um movimento constante, sinuoso e quase sempre, inexato

Uma sucessão de eventos sem um momento para assentar e refletir

Nem sempre estamos no comando, porém frente as adversidades, alteramos rota

Lixados pelas aguas, arredondados pelas pedras, somos produtos do porvir


Manoel Claudio Vieira – 11/12/25 – 02:53h

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