sábado, 10 de janeiro de 2026

A era do vazio



Ele diz ter centenas de amigos

Cada flash mostra uma de suas faces num imaginário diferente

O que antes se conseguia por mérito

Hoje se compra com títulos pomposos porém indecentes


Tudo muito artificial, de real mesmo, a certeza de muita introspecção e melancolia

Nem sempre o brilho consegue mascarar o vazio interior

O clímax acontece quando por efeito dos expansores de consciência

O palco da vida, artificialmente transforma a catarse coletiva em algo de valor



Vive-se hoje a morte da distancia

O mistério que envolvia a aura do desconhecido, caiu por terra

Num pequeno toque, toda dúvida é esclarecida em segundos

Ganha-se tempo porém a doçura do olho no olho não mais impera



A princípio essa situação assemelhar-se a uma benção

O que não explicaram é que somos humanos com necessidades compassivas

Tornou-se extremamente simples interagir com mais pessoas, porém

A falta de contato evidencia o vazio que tanto discorre a dita sociedade interativa



Muito se fala em autonomia, quebra de tabus

O que antes era guardado em segredo, hoje é visto como resquício de um mundo cão

De uma sociedade padronizada à atual diversidade ideológica

Um desafio é esclarecer a diferença entre o que pensam para aquilo que realmente são



Manoel Claudio Vieira – 10/01/26 – 01:55






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