sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Deixa acontecer.

  



  A vida é uma eterna escalada.
  Viver tem um preço e, tal qual uma estrada, também forjamos um destino.
  Nem sempre planícies encontramos pela frente;
  montanhas e precipícios é o que encontramos.

 

  Muitas são as fases em que a dor se faz presente.
  Quando não destrói, ao menos transforma.
  Faz parte do caminho e termina nos moldando.
  Embora não exista aceitação completa, nos torna mais humanos.

 

  Como sobreviventes, carregamos fartas cicatrizes.
  Mesmo que a vida pese, são elas que nos fazem continuar.
  Apesar de cansados, seguimos em frente, cada um no seu ritmo.
  A toada humana é dinâmica e farta de exemplos que nos fazem perseverar.

 

  Às vezes, partir se torna uma decisão difícil,
  quando se percebe que, mesmo com amor, nada se constrói — apenas se prende.
  Pouco ou quase nada resta fazer.
  A razão venceu o impulso, e a tendência de ficar deixa de ser.

 

  Em nossa história, duas coisas são bem distintas:
  ir embora e desligar o coração.
  Sem brigas nem escândalos, apenas a dor contida, o choro solitário.
  A dor da ausência torna-se maior que a presente numa débil união.

 

  É fato que o amor não acaba — com respeito, ele se transforma.
  De presença, passa a ser memória.
  Como diria Paulo Vanzolini: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.
  Pode não doer como antes, mas para sempre ficarão marcas em sua história.



  Manoel Claudio Vieira  19/12/25 02:25h

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esteja a vontade para escrever seu comentário