quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Cartas a Theo


Ter uma visão particular da vida

Observar com aflição a incapacidade social ao não compreendê-la

A arte surge como necessidade vital, um sopro de dignidade num mar incerto

Em meio a solidão, pobreza de sentimentos e a derrocada social ao vive-la.


Imersão poética entrecortada por abismos

Como num ato de fé e resistência, na pintura aplacou a dor latente

Frente ao nada, fogem as palavras, imersão no vazio

Feito um looping, a vida inexistia enquanto ausente


Por trás das barreiras impostas pelo isolamento

É clara a ruptura entre o que foi e o que pensavam que poderia ser

Não se encontrava equivalente no convívio numa sociedade puritana

Nem se traduz o que sentia com o que outros não conseguem compreender


Em cada palavra, um sentido

Em cada sentido, uma gama de habilidades

Transcender o presente tendo os dons como agentes

Num mundo que não vê nas pessoas amor e sim  utilidade


Por alguns, o enviado dos deuses

Outros, a presença física dos demônios a incorporar

A tragedia pessoal foi maior a rejeição a si mesmo

Restou a pintura como arte similar a de rezar


"Trabalhamos juntos mas nem sempre pensamos juntos"

“Frequentemente me sinto um estrangeiro, mesmo onde moro.”

Nas cartas a Theo, Vincent não se encontrava nem sentia acolhida

Estar a frente de seu tempo, porém isolado foi o preço pago em sua lida


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Manoel Claudio Vieira - 07/01/26 - 00:37h



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