sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Alquimia agridoce



Sentir a brisa das manhas soprar naturalmente no rosto, 

Ter a liberdade de indagar o que não entendeu

Nos pensamentos, ser livre para transgredir as barreiras do tempo 

Deixar de ser estranho a si e em especial, seu coração



Abandonar o papel de um ser infiel em busca de perdão 

Desertar o aquário no qual viveu como um dos escravos de Netuno

Despovoar o mundo de barreiras e de um cinismo castrador

Recobrar a individualidade, abandonar o comportamento taciturno 



O que foi considerado proteção, isolava

Imperioso reconstruir a identidade destruída a partir do meio

Podar os galhos sem função, cortar excessos

Entalhar num corpo vazio uma soma de inteiro



Num processo de catarse brutal

Trazer à consciência as liberdades recalcadas

Expurgar de sua natureza o que um dia foi estranho

Expulsar os demônios que em si fizeram morada



A vida e tudo nela é como um álbum cíclico

Certos eventos não se sabe ao certo onde começam e terminam

A reconstrução é um trabalho diário, as vezes penoso

Isolamento é uma prisão - a vida acontece quando os olhares iluminam



Nem tanto ao mar, nem tanto a terra

Equilíbrio entre os elementos é primordial

Entre o prazer e amargura, um meio agridoce:

Uma memoria nostálgica e uma vitoria com grandes sacrifícios no final



Manoel Cláudio Vieira - 23/01/26 - 03:38h





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