Sentir a brisa das manhas soprar naturalmente no rosto,
Ter a liberdade de indagar o que não entendeu
Nos pensamentos, ser livre para transgredir as barreiras do tempo
Deixar de ser estranho a si e em especial, seu coração
Abandonar o papel de um ser infiel em busca de perdão
Desertar o aquário no qual viveu como um dos escravos de Netuno
Despovoar o mundo de barreiras e de um cinismo castrador
Recobrar a individualidade, abandonar o comportamento taciturno
O que foi considerado proteção, isolava
Imperioso reconstruir a identidade destruída a partir do meio
Podar os galhos sem função, cortar excessos
Entalhar num corpo vazio uma soma de inteiro
Num processo de catarse brutal
Trazer à consciência as liberdades recalcadas
Expurgar de sua natureza o que um dia foi estranho
Expulsar os demônios que em si fizeram morada
A vida e tudo nela é como um álbum cíclico
Certos eventos não se sabe ao certo onde começam e terminam
A reconstrução é um trabalho diário, as vezes penoso
Isolamento é uma prisão - a vida acontece quando os olhares iluminam
Nem tanto ao mar, nem tanto a terra
Equilíbrio entre os elementos é primordial
Entre o prazer e amargura, um meio agridoce:
Uma memoria nostálgica e uma vitoria com grandes sacrifícios no final
Manoel Cláudio Vieira - 23/01/26 - 03:38h
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